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15 novembro 2009

"...mas se a gente quiser, sei que vai dar pra mudar o final"

Com o espectáculo carnavalesco da política em Portugal, vamo-nos afeiçoando cada vez mais ao negativismo convicto que sempre nos caracterizou; que nos torna nostálgicos, nos envenena e nos tolhe a lucidez. Aberta a caixa de Pandora, a esperança é o que fica para não desistir. E a vontade.




04 outubro 2009

26 agosto 2009

algumas tristezas não são de espanar*


O relatório recentemente divulgado por um Grupo Canadiano de defesa dos direitos da Criança, Hard Work, Little Pay and Long Hours ,revela que milhares de crianças no Malawi trabalhando em campos de tabaco estão a sofrer de intoxicação por nicotina (Green Tobacco Sickness) devido ao contacto com a folha de tabaco.
Considera o estudo que estas crianças, muitas vezes a partir dos 5 anos, têm uma absorção cutânea de nicotina de cerca de 54 miligramas, o equivalente a 50 cigarros por dia.
É conhecido que a Doença de Tabaco Verde tem uma gravidade muito maior em crianças, dado não terem desenvolvido qualquer mecanismo de tolerância à nicotina. Nestas crianças tudo se agrava devido à sua pequena estatura e debilidade física.
O relatório enfatiza a necessidade de haver uma mobilização mundial no sentido de se exigir que as companhias multinacionais respeitem os direitos humanos básicos quanto à forma como são explorados os trabalhadores dos campos de tabaco e, sobretudo, os direitos das crianças num país onde a mais extrema miséria leva a que cerca de 80.000 meninos e meninas trabalhem em condições sub-humanas, mais de 12 horas por dia, a troco de 17 cêntimos.
Estas crianças vivem e sofrem em silêncio, mas o seu silêncio é um grito ensurdecedor.

* Ondjaki in Materiais para a Confecção de um Espanador de Tristezas, Caminho Poesia 2009
Foto aqui

16 junho 2009

O Irão em mudança

Um longo grito agudo, desmedido. Um grito que atravessava as paredes, as portas, a sala, os ramos do cedro.”

Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Silêncio, 1966
Fotografia: Morteza Nikoubbazl

Podem prender Moussavi, matar manifestantes, proibir a Internet e mentir na televisão; podem, mas o movimento é imparável.

03 junho 2009

Breviário das Almas

"e levantar-se de madrugada, logo depois de o galo pedrês cantar, ir à arramada fazer as necessidades, voltar para casa e colocar um pau de azinho e uns gravetos de esteva para atear o fogo; depois, lavar a cara na bacia de esmalte azul, pentear o cabelo e fazer o monho, preso com uma peneta; despir a camisa de dormir, de flanela, e vestir o vestido preto, comprido, e as meias pretas de lã grossa e calçar os sapatos de couro, cardados; ir ver a cafeteira que está ao lume, entornando o café, pois já cheira por toda a casa; abrir a arca de castanho e retirar o tarro de esmalte cinzento com flores vermelhas, onde guarda o conduto; cortar o toucinho e a linguiça e o queijinho de cabra, ir ao tabuleiro do pão e levantar o pano de linho branco, tirar um pão, fazer sobre ele o sinal da cruz com o dedo e benzer-se, sentar-se numa cadeira a beber o café, junto ao fogo..."
Joaquim Mestre, in Breviário das Almas, Oficina do Livro (2009)
Pintura Lúcia Maia ("Uma Vida" óleo s/ tela)
Joaquim Mestre faleceu precocemente, aos 54 anos, faz hoje 1 mês (em 3 de Maio de 2009).
Director da Biblioteca de Beja, transformou-a num espaço de convívio e culto do livro e da leitura de expressão nacional. A este propósito, é conhecida a história de, após a inauguração da Biblioteca em 1993, e não manifestando os habitantes da cidade grande interesse em ali se deslocarem, Joaquim Mestre levou um burro pelas escadas até aos espaço de leitura, declarando que, se até um asno entrava naquele antro de cultura, seria uma vergonha os bejenses estarem ausentes...
Não só por isto, mas pelo intenso trabalho que desenvolveu, conseguiu mudar os hábitos de leitura de muitos habitantes, designadamente jovens.
Foi igualmente escritor de relevo, sendo Breviário das Almas, uma Antologia de Contos que obteve o Prémio Manuel da Fonseca 2008.
É imprescindível conhecer os seus livros.

21 maio 2009

Aung San Suu Kyi


Aung San Suu Kyi, lider pró-democracia e vencedora do Prémio Nobel da Paz, acabou de receber novas acusações, dias antes do fim do cumprimento de 13 anos de prisão.
Mesmo correndo o risco de sofrer uma retaliação dos militares, os activistas da Birmânia estão a organizar um movimento para a sua libertação.

Que quiser assinar esta petição, pode fazê-lo em:

http:www.avaaz.org/po/free

15 maio 2009

Prémio Nobel na Prisão

Aung San Sun Kyi, vítima de novas acusações por parte do governo de Mianmar (antiga Birmânia) , foi presa, por ter sido visitada por um jornalista americano.
Foi levada de sua casa em Rangum para a prisão, onde estão detidos outros dissidentes políticos.
O estado de saúde de Aung Kyi continua preocupante.

01 abril 2009

K.au poteau

Choro por ti,Checoslováquia,
caminhos de assombros,
encruzilhada de medos
terra calcada por todos os ditadores do Erro,
chave da Europa à mercê dos ladrões!
Que culpa terás de ser mais evoluída?!
de teres a capitação de 1200 dolares,
e, a URSS, a de 980 apenas?...
Choro por ti, Checoslováquia,
irmã gémea e lutuosa do Vietename-
os dois pinhais de Azambuja!
Meu amigo Zdenek.
que traduziste o Camões e o Eça,
e vieste ao meu encontro numa rua de Aveiro,
só porque tinhas lá longe,
um mau retrato meu!-
Que posso fazer pelos teus?!
Choro por ti Checoslováquia,
vítima da cupidez nazista
e dos seus post-justiceiros,-os filisteus estalineptos!
Se tiver de morrer "errado",
morrerei como tu, Checoslováquia,
socialista socialienado!...
Foram cem os erros(já) do socialismo!
Fossem cem mil-e socialistas seríamos!
Choro por ti, Checoslováquia:
manda que o faça o futuro,
exige que o reprima o presente,
-ironia trágica e pútrida!
Escarro vivo
de cintilantes sóis.
noite gelada
de rumorosa manhã...
Fátuo ser!
Poteau...
K!

Mário Sacramento, 1968

21 março 2009

A Carta De Bruges

O Infante D.Pedro, filho de D.João I e irmão de D.Duarte, foi regente do reino, após a morte deste.
Antes disso, porém, faria uma longa viagem pelo mundo, as sete partidas, ficando assim como o mais culto e cosmopolita da época. A viagem duraria dez anos.
De Bruges, em 1427, o infante escreve a seu irmão a famosa Carta de Bruges, um breviário político, no qual recomenda a aliança entre o poder e a sabedoria.
Critica a falta de cultura da administração do estado português e diz: é a cultura que traça um horizonte de felicidade, na qual o poder é um meio e não um fim.
Mais fortes são as noções que se impõem pela cultura e prestígio dos seus colégios e universidades e aponta como exemplo as de Paris e Oxford.
Demonstra ter ideias muito certas sobre política financeira, militar, judicial e eclesiástica.
Aconselha que se acentue o bem geral do país contra os interesses privados.
Por essas e por outras, será assassinado em Alfarrubeira.

02 março 2009

Homenagem

As mulheres e os homens nascidos em finais de 40 e durante os anos 50, e que iniciaram o seu combate político e cívico de juventude nas "eleições" de 69 e 73; que nos Congressos de Aveiro ouviram falar de um País novo, que contestaram a guerra - nas ruas e associações estudantis - e que, nos grupos de teatro, nos cineclubes e nos jornais, repudiaram a censura; esses que, em Abril de 74, pensaram que tudo seria possível, que cantaram, polemizaram, dançaram e, por fim, choraram um tempo que (se calhar) nunca deveriam ter sonhado...; os que, dessa geração, olham e sentem esse momento como único nas suas vidas e absolutamente estruturante das pessoas em que se tornaram, são hoje lembrados, de forma exemplar, aqui.
Indispensável.