"Comunicado24 março 2009
Dias de Estudante e a "Pós Modernidade"
"Comunicado23 março 2009
Revistas Femininas

Lisboa - Porto na Linha do Norte (na era pré TGV)
- bistes que só havia Bentleys e Porches parados à porta do Restaurante?
- foi … e as motas que ele tinha na garagem… tudo alta potência…
- … a mais fraca era a mota 4… diz que é para andar no monte…
- … e a mulher?.... Passa o dia nos cavalos… bistes que, chegámos, foi no cabriolet e só voltou à noite…
-.. ele diz que ela só gosta dos cavalos…
- pois foi… e disse que lhe tinha comprado os bichos para ela se entreter…
- tipo “queres cavalos? Pega lá os cavalos” (eh,eh,eh)
- ele é que sabe... agora ficou distribuidor único, não foi?
- claro, despediu o sócio…
- ele é que sabe… disse que, na Roménia, gastava no pequeno almoço o salário mínimo…
-… bem, só o jantar de ontem foi uma pipa… nem olhou duas vezes prá conta
- tás a ver, o abacaxi era 2 euros a rodela… bem, no Porto, às vezes chega a 1 e meio…
- mas olha que as entradas, ontem, eram praí 40 euros cada pessoa…biste?
- ... e o mais caro num foram as águas (eh,eh,eh)
- o gajo é porreiro… muita porreiro… e biste como o tratavam no restaurante?
- claro, eles sabem quem manda … e a banda?...altamente.
- gostei muito... no Porto não temos nada assim, ... é uma aldeia…
- não sei, o Porto tu já conheces…é por isso que o style já não te atrai.
- talvez… mas Lisboa está muito avançada
- atão não, é uma cidade europeia, carago… é isso.
- é isso.
- sabes, mas nós também estivemos neste fim de semana num nível superior…
- é mesmo (eh,eh,eh) temos que vir mais vezes pra estar com o gajo.
- bistes que só havia Bentleys e Porches parados à porta do restaurante?
22 março 2009
Momentos
- O Dr. é que sabe, mas eu sinto-me bem. As dores quase desapareceram… mas acha que as coisas estão más?
- ... Piores, sim. Os exames indicam progressão, séria… esta será a melhor forma de tentar travar. Mesmo assim, mesmo com uma maior agressividade, não é garantido que se ganhe muito, mas é a única possibilidade. Por isso acho que temos de tentar. Quer que conversemos com a sua mulher? Toda a ajuda é útil, serão momentos difíceis… Ela não tem vindo…?
- Não, é melhor não. A conversa, quero dizer. Não tem vindo comigo porque está “desmemoriada”, confunde-se muito, tenho de estar sempre de olho nela, às vezes vou buscá-la à rua ou os vizinhos trazem-na a casa… um pouco perdida, sabe… Tem alturas em que me cumprimenta de manhã e logo de seguida diz: “então, e tu, quem és?” não serve de nada conversar com ela… tive de pôr etiquetas em muitas coisas da casa, para ela as reconhecer… escondi a torradeira…
- Já da última vez que a vi aqui me pareceu estranha… nem perguntou pelas suas análises.
- É…fechou-se naquele mundo. Às vezes vem “cá”, parece de novo o que era antes…mas é muito rápido. Volta de novo àquele falar esquisito, repete palavras, coisas sem nexo. Por isso, Dr., não sei se estou preparado para os tratamentos… como vê, não a posso deixar sozinha. Agora mesmo, tive de pedir à minha irmã que lá ficasse um bocado, mas ela não tem muita paciência e tem a vida dela. Mas também, na sua opinião, o tratamento não vai adiantar muito…
- Atrasa a evolução, na nossa opinião. Ganham-se alguns meses…talvez
- Sim, mas fico sem poder tomar conta dela durante esse tempo...
- Provavelmente…
- Então, já vê…
- E os filhos… ajudam?
- O meu rapaz faleceu naquele acidente na auto-estrada há 2 anos, lembra-se? A minha filha está longe…, foram viver para a Austrália. Falamos uma vez por semana ao telefone. Antes dela ficar assim, entusiasmámo-nos e comprámos um computador para estarmos ligados, falar com os netos mais vezes…, mas agora tenho arranjado desculpas para que não fiquem preocupados por sentirem a Avó neste estado. Mas estou contente com a decisão deles, têm uma vida boa, muito melhor do que aqui. Pena é não estarmos juntos….
Bom, vou ter de dar uma desculpa para adiar a nossa ida lá, que estava prevista para o fim do ano… Por ela, percebe?
Lifting "à la carte"
Um negócio obsceno
Os 38 apartamentos de luxo construídos no edifício que foi a sede da PIDE, em Lisboa ("um edifício com história" que, diz a imobiliária, se mostra "novamente orgulhoso da sua herança") estão a ser vendidos convidando os compradores a "reviver tempos de esplendor" e um passado de "luzes a reflectirem-se nas pratas do aparador e nas vestes de gala de cavaleiros e damas".
A suja história de sangue e horror do edifício e os gritos de dor de milhares de portugueses que as "velhas e nobres paredes com um metro de espessura" abafavam, são agora, pelo turvo milagre da usura, uma memória doirada, transbordante de festas e de bodas, e de duques, príncipes e embaixadores. Num país onde o dinheiro compra tudo, até a memória colectiva, os antigos torturadores tornaram-se "copeiros e gentis homens" ao serviço de ricaços e recém-chegados ansiosos por reconhecimento. Bem pode o poeta clamar que "com usura homem algum terá casa de boa pedra" e que "com usura, pecado contra a natureza,/ sempre teu pão será rançosa côdea"; os usurários não têm pesadelos nem temem fantasmas. O esquecimento é o seu "estilo de vida".
crónica de Manuel António Pina, no JN de hoje
21 março 2009
A Carta De Bruges
O Infante D.Pedro, filho de D.João I e irmão de D.Duarte, foi regente do reino, após a morte deste. O Papa Bento, os fortes e os outros
O Papa Bento XVI já aterrou em Angola para uma visita de quatro dias a convite do Presidente José Eduardo dos Santos. Nas suas primeiras palavras em solo angolano o Papa apelou à pacificação, afirmando que o povo angolano "não se deve render à lei do mais forte".Depois de apelar, foi para a sombra. Sentou-se ali, ao lado do mais forte.
20 março 2009
Onde está o futuro?
Ok, os depoimentos catastrofistas de Medina Carreira têm alimentado uma certa cultura do pessimismo que nos é familiar e que acentuam a apagada e vil tristeza em que o país anda mergulhado. As soluções que apresenta – não o são. São queixas, cuja principal característica é o facto de constituírem dificuldades. E ao que parece sem soluções à vista. É claro que diz verdades insofismáveis - a da falta de rigor, exigência e discplina na educação, e aqui foi bastante assertivo quanto ao tamanho do pedregulho na bota do governo - a base de tudo é, sem dúvida, a educação.
Mas nada do que o sr. ex-ministro disse foi novidade. Assumindo o papel de pessimista de serviço, Medina Carreira veio enfatizar o que todos nós, de forma rumorosa ou em altos berros, dizemos pelo menos uma vez por dia, cinco vezes na semana (os que têm sorte).
Todavia, sublinhou não só os problemas que ele sabe que nós sabemos que o governo sabe; não só o nosso espírito infantil ao encarar os destinos do país como uma brincadeira; não apenas o nível rasteiro (sic) da economia actual, equivalente ao dos últimos anos da monarquia.
O que o sr. ex-ministro disse é que a colectividade não tem a noção dos problemas.
Se só existisse o que é susceptível de ser pensado, poderíamos descansar: se os portugueses não pensam é porque os problemas não existem, portanto os portugueses não têm problemas, porque ninguém pode ter uma coisa que não existe.
Ó senhores, os portugueses andam iludidos – os problemas não existem!
Excepto quando Medina Carreira é entrevistado na SIC por um grande Mário Crespo de fraco contraditório. E que ainda ouviu o remoque: quando os senhores arranjarem um programa de uma hora para a gente conversar...
(Com mais meia hora de entrevista e tinhamos engolido a tal noção em dose dupla. Depois, era ver quem chegava primeiro à Boca do Inferno, lá para Cascais, para mergulhar nas ondas. Ao menos tinhamos a certeza de morrer com alguma finesse.)
19 março 2009
Banqueiros e políticos
Vasa

Era uma vez um rei. Chamava-se Gustavo Adolfo (1594-1632) e reinava num pequeno e pobre país do Norte da Europa. A Suécia, era o País, e, durante o século XVII, sob sua influência, passou de "pequeno país "a grande potência regional no Báltico.
A Guerra dos 30 anos (1618-1648) começou por ser um conflito religioso (localizado à Alemanha) entre a Igreja Católica e o movimento da Reforma. Entretanto surgem conflitos "laterais", um dos quais a guerra entre a Polónia e a Suécia (1626-1629) e é no decurso desta que se dá um episódio com expressão na actualidade.
O rei Gustavo Adolfo encarrega o seu maior estaleiro de construir o melhor barco de guerra alguma vez ali feito: longo, estreito e rápido como nenhum. Capaz de transportar 300 soldados. Por imposição do rei, a meio da construção, houve indicação para duplicar o poder de fogo, passando a 64 canhões. No dia 12 de Agosto de 1628 a população de Estocolmo e os embaixadores estrangeiros assistiam, nas praias, à viagem inaugural do Vasa.
18 março 2009
"I just call..."
No avião a mulher já tinha chamado a atenção pelo seu estilo histriónico, um sotaque cerrado de Rio Tinto, gargalhada gutural e pulseiras com som de castanholas que pareciam orientar o minúsculo marido sempre que ele desesperava por não a ver.De repente, no autocarro, quando tudo parecia mais calmo, aquela voz rasga a noite e desperta subitamente os passageiros ensonados:
- MENA, TÁS OUBIR, MENA?!
(som do telemóvel em "alta voz"):
- Tou sim, tás boua?
- TOU.... MENA?
- Sim?
- TOU NA SUÉCIA!
- Ahnn... e é bonito?
- NUMM SEIE... É DE NOITE!!!
e ria, ria, ria sem parar...
Frango na passadeira...

CRIANÇA
- Porque sim.
ADOLESCENTE
- Porque queria.
PROFESSORA PRIMÁRIA
- Porque queria chegar ao outro lado da estrada.
PLATÃO
- Porque procurava alcançar o bem.
ARISTÓTELES
- É da natureza dos frangos cruzar a estrada.
ZÉZÉ CAMARINHA
- Porque viu uma galinha sedutora, do outro lado.
MARX
- O actual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos, capazes de cruzar a estrada.
MOISÉS
- Uma voz vinda do céu bradou ao frango: "Cruza a estrada". E o frango cruzou a estrada e todos se regozijaram.
MARTIN LUTHER KING
- Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para atravessar a estrada, sem que sejam questionados os seus motivos.
SHAKESPEARE
- Atravessar ou não atravessar, eis a questão… Morrer é dormir… sonhar, talvez.
MAQUIAVEL
- A quem importa o porquê? Estabelecido o fim de cruzar a estrada, é irrelevante discutir os meios que utilizou para isso.
MANUELA MOURA GUEDES
- Boa noite eu sou a Manuela Moura Guedes e este é o Jornal Nacional. Esta manhã, um frango atravessou uma estrada correndo o risco de ser atropelado. Temos aqui no estúdio uma prima em segundo grau de um vizinho do dito frango com quem vamos conversar…
GALILEU
- Contudo, ele move-se.
FREUD
- A preocupação com o facto de o frango ter cruzado a estrada é um sinal de insegurança sexual.
DARWIN
- Ao longo de grandes períodos de tempo, os frangos têm sido seleccionados naturalmente, de modo que agora têm uma predisposição genética para atravessar estradas.
JOSÉ RÉGIO
- Não sei por onde vai, não sei para onde vai, sei que não vai por ali...
EINSTEIN
- Se o frango cruzou a estrada ou a estrada se moveu sob o frango, depende do ponto de vista.
FEMINISTA
- Para humilhar a franga, num gesto exibicionista, tipicamente machista, tentando convencê-la de que, enquanto franga, jamais terá habilidade suficiente para atravessar a estrada.
NIETZSCHE
- Ele deseja superar a sua condição de frango, para tornar-se um superfrango.
MARCELO REBELO DE SOUSA
- Essa questão, a meu ver, é muito simples, apesar de depender de determinados factores que passo a enunciar (45 minutos de prelecção)... E para terminar aconselho a leitura do livro…
CHE GUEVARA
- Hay que cruzar la carretera, pero sin jamás perder la ternura...
NEIL ARMSTRONG
- One small step for chicken, one giant leap for mankind.
FERNANDO PESSOA
SÓCRATES (o filósofo)
- Só sei que nada sei.
SÓCRATES (o outro)
- O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos. Vou confirmar aqui no Magalhães.
SURFISTA:
HOMEM:
- Eu acho... Maria, vai lá ver pra onde vai aquele frango, que estão aqui a perguntar...
(adaptadação do Marcas)
Quanto Morre um Homem
foto de Carlos RomãoQuando eu um dia decisivamente voltar a face
16 março 2009
Voilà ton petit Paris
Com quinze anos, fui para Paris frequentar o Collège Nerlandais.
Levava uma mala cheia de sorrisos e os olhos bem abertos.
No comboio, carregado de emigrantes, compartilhei a esperança com o pão duro das Beiras, das malas de cartão.
Eu, jovem rangée em viagem para o estudo e a descoberta, eles com as mãos e os braços de aluguer.
Duas partidas, dois destinos, num país que se esvaziava na guerra e na emigração.
Não esquecerei nunca essa cidade, nem os rostos ansiosos dos meus compatriotas, expectantes, com cestas amontoadas de roupas pobres.
À chegada, alguém me disse:
-Voilà ton petit Paris.
Estiagem
Boa semana!!!
São 70 bailarinos misturados com passageiros e estes acabam interagindo nas danças.
O show foi planeado e ensaiado durante 8 semanas, sem o conhecimento do público. Seja para publicidade ou não, o efeito é linnnnndo! Até dá vontade de dançar.
Eastwood
Uma fotografia da América profunda, dilacerada por intensos conflitos raciais, sociais e religiosos. 15 março 2009
Matubera
Quaresma
A magnífica irrupção primaveril que nos atinge não deve fazer esquecer as obrigações. Sobretudo porque, se o hoje é o 3º Domingo da Quaresma, tempo dedicado à reflexão, à penitência e ao jejum, é ao mesmo tempo, e surpreendentemente, o Dia do Consumidor.14 março 2009
Chorinho
Coffee PaintingOs músicos, compositores e instrumentistas são conhecidos por chorões. A música, caracterizada por um ritmo agitado e alegre, evidencia o virtuosismo e o improviso dos executantes.
Na execução, gealmente fazem solo a flauta, o cavaquinho ou o bandolim, que são acompanhados pelos violões.
Enganos
Lemos isto:"Somos angolanos, pois estamos há 60 anos neste país que tem um forte potencial de crescimento, nomeadamente ao nível das obras públicas e infraestruturas rodoviárias", disse o responsável.
ou isto:
A Caixa escolheu Daniel Chambel para presidir o Banco Caixa Geral Totta Angola, instituição que resulta de uma parceria da CGD com o Santander Totta, a Sonangol e dois investidores locais.
mas também isto:
Sindika Dokolo, de 35 anos e casado com Isabel dos Santos filha do Presidente de Angola, é um dos nove membros do conselho de administração da Amorim Energia, "holding" sedeada na Holanda e que controla um terço do capital da petrolífera Galp Energia.
ou isto:
O Banco de Portugal já concedeu a licença ao BIC Portugal, o primeiro banco nacional com maioria de capital angolano. Liderada por Mira Amaral, ex-ministro da Indústria de Portugal, a instituição vai expandir-se para o Porto.
Não, não se diga que serviu para alguma coisa útil a solidariedade nos momentos difíceis, o ter tomado partido, acreditado, lutado e arriscado.
Assistimos agora a este desfile pornográfico de cumplicidades, arranjos, negociatas e entendimentos e, para além da náusea, para lá da imensa mágoa que nos chega, não podemos deixar de sentir, bem no fundo e, hoje, com uma imensa e firme convicção, que... não valeu a pena.
Foram um tempo e uma energia perdidos.
Enganámo-nos, porra!
13 março 2009
A Pluma Caprichosa
Mares
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
O Nuno vai ao fundo do mar e traz-nos poemas. De cor,luz e sombra.
Viver no campo
A série era hilariante. Não percam a cena da chaleira, que é um mimo.
Eco-friendly lifestyle
(Numa amena sexta-feira de Março, em véspera de fim-de-semana, com um céu tão azul e o aroma das tílias pelo ar, só apetece ir para o campo, de facto. E lá os animais são outros, pelos vistos.)
12 março 2009
Censura

Segundo a Organização Repórteres Sem Fronteiras, num relatório hoje divulgado, há um conjunto de países (12) onde os governos procuraram transformar a Internet em Intranet, impedindo as populações de aceder à informação on line vinda do estrangeiro.
11 março 2009
Arena
Piazzola
Ástor Piazzola nasceu em 11 de Março de 1921 (faleceu em 4 de Julho de 1992). 10 março 2009
O Homem do arame
Coragem (do Lat. cor, coração). Firmeza de espírito, energia diante do perigo; intrepidez; ânimo; valentia; perseverança. É, pelo menos, útil conhecer alguém que sente que há desafios que merecem ser vencidos. Se são os mais úteis, sobretudo do ponto de vista social e colectivo é outra questão. Mas que é preciso coragem, isso é.
Prendi o Tempo
(Dali)
09 março 2009
Bispos
A notícia já correu mundo. No Brasil, uma menina de nove (9) anos, estuprada e seviciada regularmente pelo padrasto, engravidou de gémeos. Os médicos de uma maternidade pública do Recife, que lhe aplicaram medicamentos a fim de interromper a gravidez de alto risco, e a mãe da menor por ter autorizado o aborto, foram excomungados pelo Arcebispo de Olinda e Recife. O Vaticano, através da Comissão Pontífica para a América Latina, apoiou e subscreveu a decisão do Arcebispo. Para aliviar a náusea, recordemos um outro Arcebispo de Olinda e Recife. D. Hélder da Câmara , combatente da liberdade nos anos de chumbo da ditadura brasileira. Ficam aqui as suas palavras, quando disse um dia: ..."O que fizemos com a mensagem de Cristo? De que maneira a multidão dos pobres, dos excluídos, dos marginalizados, dos sem-casa, dos sem-terra, dos sem-nada, pode acreditar que o Criador é o Pai que os ama, se nós, que nos dizemos cristãos, que temos mais, continuamos a deixar o prato deles vazio, embora nos declarando em favor da Paz e do Amor?"...
O seu substituto foi mais longe do que ele alguma vez imaginaria. Não só mantém o prato dos excluídos vazio, como os persegue, prende, molesta e atormenta.
A Casa de Sophia e de Ruben
O Ruben e eu éramos primos direitos.A Casa
Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruben Andresen Leitão tiveram em comum uma família, uma infância e uma casa.A casa é hoje, juntamente com o enorme parque que a envolve,
no Campo Alegre, no Porto, o Jardim Botânico da cidade.
08 março 2009
07 março 2009
Banksy
BanksyRemakes
As recentes cartas de demissão de dois destacados dirigentes cubanos, Carlos L. Dávila e Felipe Pérez Roque , após críticas públicas de Fidel, são, numa leitura objectiva, uma reedição de outras cartas de abjuração, cujo significado foi há muito condenado pela História. Pelo significado e interesse político, ético e social destes comportamentos, aqui se assinala e recorda."- a sua facção, cidadão Rubachov, foi vencida e destruída. Queria provocar uma cisão no Partido, sabendo embora, que uma cisão no Partido significaria a guerra civil...... a imperiosa necessidade de união dentro do Partido. Deve estar como fundido num molde - cheio de disciplina cega e confiança absoluta. Você e os seus amigos, cidadão Rubachov, abriram uma brecha no Partido. Se o seu arrependimento é real, tem de nos ajudar a colmatar a brecha. Já lhe disse, é o último serviço que o Partido lhe pede.
06 março 2009
Margarida Jácome Correia
Margarida Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada em 1919 e faleceu em 1996, em Lisboa.Figurações do olhar
In memoriam -Vieira da Silva, falecida a 6 de Março de 1992. Teria agora cem anos. A música é de Sérgio Assad.
Maria Helena não tem a simpatia pronta, por isso as entrevistas que dá embatem contra uma superfície lisa, um espelho onde tremem reflexos, onde se procuram teoremas. O repórter tenta desdobrá-la como um pano cuidadosamente enrolado, e sucedem-se os espaços neutros e, de certa maneira, as evasivas. Ela não confia nesse intuito de divulgação, porque o espírito humano não se divulga. A paz e o sofrimento não se divulgam; são fluidos depois de usados, e, no momento em que se praticam, não têm rosto e, assim, não se podem descrever.
É raro que as pessoas tenham esse respeito pelo essencial. Costumam escapar ao essencial e ocupar-se pormenorizadamente do acessório. E a vida parece nelas um tumulto de confabulações e artes, sem nada de resistente ou de culto. Aproximamo-nos da Maria Helena e ela pode olhar-nos como se fôssemos um objecto mais ou menos preciso mas que não atrai a curiosidade nem o afecto. Mas se tocamos esse registo do essencial, se houver em nós um risco, um alarme, ela actua e torna-se de repente incansável; algo mais do que amizade e incorrupção da aliança humana surge, como uma flor.
Agustina Bessa-Luís
Longos Dias Têm Cem Anos - Presença de Vieira da Silva, INCM, 1ª edição,1982
05 março 2009
A sedução da cor
No vale do Omo, Etiópia, a 800 Kms de Adis Abeba, perto da fronteira com o Quénia, existe um dos locais mais selvagens do continente africano. Aí se encontram várias tribos - Surma, Mursi, Hamer e outras - em que homens, mulheres, crianças e velhos são verdadeiros génios na arte da decoração corporal. Durante seis anos, Hans Sylvester fotografou alguns desses extraordinários corpos–telas com cerca de dois metros de altura.
A força da sua arte está em três palavras: dedos, rapidez e liberdade. Desenham com as mãos espalmadas, a ponta das unhas, por vezes com um pedaço de madeira, uma cana, um caule partido. São gestos ágeis, rápidos, espontâneos, para além da infância, nesse movimento essencial que os grandes mestres contemporâneos procuram quando, depois de muito saberem, tentam esquecer tudo o que aprenderam. Pintam(-se) apenas pelo desejo de se decorarem, de seduzirem, de serem belos, em jogo e prazer permanentes.
(de uma recensão ao livro Les Peuples de l’Omo, tradução do marcas.)
A justiça... cega(?)
A lei de Talião, "olho por olho, dente por dente", exige um castigo igual ao crime cometido.
A jovem, Ameneh Bahrami, que vive na cidade espanhola de Barcelona, onde foi várias vezes operada aos olhos e ao rosto, revelou ter rejeitado o pedido de piedade do seu verdugo, um companheiro de faculdade, que lhe implorou para não o deixar cego.
A jovem recordou que ele não teve nenhuma compaixão quando a esperou durante horas à porta do trabalho para queimá-la na cara e deixá-la cega, e acrescentou que ele será pelo menos mais "afortunado" do que ela: "Será anestesiado antes de lhe serem atiradas cinco ou dez gotas de ácido nos olhos - "será fácil para ele" - disse, inflexível. (Lusa).
04 março 2009
Espaço Público
O «debate» é necessariamente «fulanizado», o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático - que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem «em carne e osso», subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo. É de indiscutível actualidade e interesse a análise de José Gil sobre o "espaço público", ou seja, aquele que nos é trazido pelos jornais, rádios e tv. Porque num País com o grau de iliteracia que temos, é nessas fontes que, duma forma geral, se forma a opinião pública. Esta, é cada vez mais condicionada, manipulada e levada a ser oque em cada momento interessa a quem detém o poder sobre os mídia. E se o que interessa é ter uma visão de nós assente na infelicidade de sermos pequenos e periféricos, infelizes e sem reacção na sucessão de amargas e injustas derrotas, então seja essa a imagem a dar, a receber e a construir. Sobretudo porque essa é uma cultura propícia a sonhar com providenciais salvadores.
Por isto é tão necessário conhecer as opiniões que outros têm de nós. Aqui fica o convite para conhecerem duas reportagens surgidas há alguns meses no Canadá e em França, respectivamente, e que por cá só foram divulgadas na blogosfera... (creio)
E vejam se algum dos protagonistas destas histórias ("The little nation that could go green - and is" e "La révolution solaire passe par Amareleja") é vosso conhecido da tv, da rádio ou dos jornais...
http://www.cbc.ca/mrl3/8752/news/features/durham-portugal081020.wmv
Indignação
Que o Departamento de Estado dos E.U. A. diga o que diz, até se pode aceitar, à luz daquilo que é o desplante e a falta de vergonha dos torcionários. Agora, que os jornalistas portugueses transcrevam estas opiniões sem um pingo de indignação ou senso crítico é, pelo menos, inquietante.
Saúdo as opiniões e as notícias de Patrícia Fonseca e recomendo, a propósito, a leitura do post O senhor Reprieve.
03 março 2009
Falar com Deus...
02 março 2009
Homenagem
As mulheres e os homens nascidos em finais de 40 e durante os anos 50, e que iniciaram o seu combate político e cívico de juventude nas "eleições" de 69 e 73; que nos Congressos de Aveiro ouviram falar de um País novo, que contestaram a guerra - nas ruas e associações estudantis - e que, nos grupos de teatro, nos cineclubes e nos jornais, repudiaram a censura; esses que, em Abril de 74, pensaram que tudo seria possível, que cantaram, polemizaram, dançaram e, por fim, choraram um tempo que (se calhar) nunca deveriam ter sonhado...; os que, dessa geração, olham e sentem esse momento como único nas suas vidas e absolutamente estruturante das pessoas em que se tornaram, são hoje lembrados, de forma exemplar, aqui. Construindo os dias
As abelhas não fazem anos.
Nenhuma viveu um ano
para o poder fazer.
Com um dia de vida
qualquer abelha vai trabalhar.
Com dois já pode namorar
e com cinco casa e tem filhos.
Com vinte dias de vida
uma abelha está acabada:
é uma avelha.
Não fazem anos, as abelhas,
mas fazem dias
e às vezes mais de uma vez.
Para elas todos os dias
são dias de aniversário
e nesses poucos dias
passam anos, muitos anos.
Álvaro Magalhães, in O Brincador (ed.ASA 2005)
01 março 2009
Senhora do Pranto (poema-oração)

( imagem de Filipe Duarte Almeida)
Senhora do Pranto e do Vento
Ilha de Dor que navega
Feita longe numa vela
Ilha de barro dourado
Ilha de enganos profanos
Ilha de renda
Ilha lenda
Senhora do Pão e do Pranto
Ilha de Sal maravilha
Uma manta de mantilha
Labirinto pensamento
Carpideira cerzideira
Cheiro a café na soleira
Senhora do Pranto e do Riso
Cascata folar casamento
Teia de Helena tecida
Na rede de rede e matiz
Ponto ajour no diz que diz
Um andar de marinheiro
E um falar prazenteiro
Amode cantado jingado
Senhora do Riso e do Pranto
Evoé Ilha Evoé
Sete carris de lamento
Senhora do Pranto e Presságio
Evoé Ilha Evoé
E no beco pelo vento
Vem teu presságio naufrágio
A casa a cama a coragem
Castigo poeta perdido
Senhora de Má Maré
Evoé Ilha Evoé
Senhora do Negro Manto
Trazes no vento o lamento
Há uma noiva a chorar
Não vai haver casamento
O lugre ficou no mar
Senhora do Negro Manto
Cobres a noiva de Pranto
Senhora do Negro Manto
Senhora de Névoa e de Morte
Senhora do Pranto e do Vento
Senhora do Vento Norte
Evoé Ilha Evoé
Ilha minha meu olhar
Nela aprendi a coragem
E o valor desta viagem
Senhora Minha Coragem
Evoé Ilha Evoé
E há segredos por contar
Que guardo na minha alma
À deriva no teu mar
Numa arca de silêncio
Coberta com juramento
Senhora do Pranto e do Vento
Coberta com juramento
Numa arca de silêncio
Nossa Senhora do Pranto
Senhora do Pranto e do Vento
Espinhos(nossos)
(01/03/09) - Espinho (RTPN /10h)Para sempre
A 1 de Março de 1996, morreu, em Lisboa, o escritor português Vergílio Ferreira. Entre outras obras suas, destacamos: Manhã Submersa (1954), Aparição (1959), Nítido Nulo (1971), Conta-Corrente, cinco volumes (1980-1988). Para Sempre (1983), Até ao Fim (1987) e Pensar (1992).
Porque Escrevo?
Escrever. Porque escrevo? Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.
Vergílio Ferreira, in Pensar
(mais informação aqui)












