29 abril 2009
O absurdo mal resolvido...
/233/ Lê hoje, se puderes, o primeiro parágrafo de "O Mito de Sísifo", de Camus. Meu pai teve, aos 35 anos, um amigo íntimo que era Major do Exército. Todas as noites se encontravam no mesmo café. Ele era alto e vigoroso; à mesa nunca deixava que ninguém pagasse as contas; trazia sempre no bolso, conta meu pai, rebuçados para crianças.Não casou, mas amava as mulheres. Nenhuma em particular. Um dia, com uma Walter 7.65, meteu uma bala na cabeça. Deixou um bilhete: "estava farto de abotoar e desabotoar os botões do dolman". Meu pai leu-o, estupefacto.
Quase 50 anos depois, o meu velhote ainda diz que morrerá sem entender aquilo.
Sebastião Alba in Albas
Às Vezes
28 abril 2009
Aquele que ama
Todo o amor é fantasia
Ele inventa o ano, o dia,
A hora e a melodia;
Inventa o amante e, mais,
a amada. Não prova nada,
contra o amor, que a amada
não tenha existido jamais.
Antonio Machado (Espanha,1875-1939), trad. de Eugénio de Andrade , in Trocar de Rosa
do amor
" ...ela era tão extraordinariamente bela que eu quase me ri às gargalhadas. Ela ... (era) fogo, destruição ... indiscutivelmente magnífica. Em suma, ela era mesmo demais. Aqueles olhos azul violeta ... tinham um fulgor raro. Passou uma eternidade, civilizações apareceram e desapareceram enquanto aqueles faróis cósmicos examinaram a minha personalidade imperfeita. Cada marca de bexigas da minha cara transformou-se numa cratera da Lua".27 abril 2009
Fartas de Chuva
Sonhar
26 abril 2009
Dueto para uma tarde de domingo
Sobretudo nos anos 70, atravessou uma fase bastante penosa da sua carreira - vivia pobre, por vezes homeless, outras vezes era convidado para ficar temporariamente em casa de amigos.
Então, não podendo adquirir material ou um espaço próprio para pintar, criava a sua arte de acordo com as circunstâncias - desenhava com lápis, caneta e tinta em folhas de papel que obtinha nos jardins, bibliotecas, aeroportos... (mais aqui)
O sax é de Cannanball Aderley (1928 - 1975), um dos mais notáveis e populares músicos do jazz americano dos anos 50 e 60.
Vale a pena ouvir este Dancing in The Dark.
Dalila Marques Maia
Passou pela vida sem fazer barulho, mantendo sempre uma postura humilde, quando poderia não ser assim.
Ainda jovem, escolheu o lado difícil da vida, com coragem e simplicidade.
Pertenceu ao M.U.D. Juvenil e participou na oposição ao regime salazarista, com determinação e muita coragem.
No contexto da vaga repressiva que varreu o País a seguir ao final da II Guerra Mundial, foi presa aos 21 anos e julgada no famoso Julgamento dos 108, em que era a única mulher presente, arrostando com o estigma que, na época, representava ser mulher e lutadora.
Por causa disso perdeu o emprego na Coimbra Editora e, apesar de aprovada em concurso público, foi impedida pela PIDE de ocupar um lugar nos CTT.
Não obstante as ameaças, participou activamente no movimento político em torno da candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República.
Casou, teve dois filhos e construiu uma família sólida. Nesta altura da vida, poderia ter-se conformado. Não o fez.
Com uma imensa abnegação, ajudou toda a gente à sua volta, prescindindo de bens materiais, para acudir a qualquer pessoa carenciada ou frágil. Sempre com um sorriso, sabia contornar problemas e contrariedades.
Nunca cedeu e, à sua maneira, defendeu os ideais da juventude até ao fim.
Morreu cedo, porque não se queixava, nem tinha tempo para estar doente.
Faleceu tranquilamente, sem dar trabalho a ninguém.
Foi a melhor pessoa que eu conheci.
Hoje
Dizem que o meu sorriso é o dela.É por isso que, quando no espelho encontro o seu olhar, sorrio mais.
Retiro as pequenas e gastas fotografias dos invernosos Agostos na Figueira e das fantásticas ceias de Natal.
Olho os cartões guardados intactos “feliz dia da Mãe, 8/12/1960”, “ Salvé dia 8/12/1958 …não há criatura que nos queira tanto bem”.
Vejo, de novo, o (nosso) sorriso aberto e os olhos molhados, plenos de luz.
Esta é a caixa destas recordações.
E fico feliz por hoje recordar.
25 abril 2009
Não, não somos certamente os mesmos
Michel Houellebecq, Partículas Elementares, Círculo de Leitores, 2000
(E não me conformo que tenhamos aprendido tão pouco com os nossos pais.)
25A
Já (nos) é impossível imaginar a vida sem aquele dia inicial, inteiro e limpo, mas é cada vez mais doloroso ver o que, entretanto, foi chegando.
24 abril 2009
Ver a importância dos palitos...
Ou seja, a televisão que hoje conhecemos e que “governa” as nossas casas vai acabar até 2012.
Haverá melhorias ao nível da qualidade da imagem e do som, mas, ao que tenho ouvido, será acrescentado apenas um canal aos quatro já existentes (mais um palito...).
O revés da novidade: teremos de comprar um descodificador compatível com a nova tecnologia e quem tiver mais do que um palito, digo, aparelho de televisão em casa e queira ver um outro canal diferente noutra divisão ou compra um descodificador para cada televisão ou então faz uma instalação nova de comunicação. Além de que o custo mínimo do descodificador é de € 50,00.
Este novo tipo de transmissão televisiva já está a ser testado na região de Aveiro.
Em Aveiro já há palitos novos.
(os actos atentatórios à moral e aos bons costumes verificar-se-ão cada vez mais nos logradouros privados e haverá uma nova coima: por cada novo palito: €50:00.)
24 de Abril
Portaria nº 69035 da Câmara Municipal de Lisboa (1953)23 abril 2009
Aves
Dia Mundial do Livro
22 abril 2009
D-s-c-rd- -rt-gr-f-c-
Eu cá sou v-g-l
Comente o Seguinte Texto

Almeida Garret, em "Viagens Na Minha Terra" :
"Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? — Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas(5) que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis."
Quotas

Há mulheres que dizem:
meu marido se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adélia Prado in Poesia Reunida,1999
21 abril 2009
Sem Palavras
Mar
20 abril 2009
Meia Pensão

CINCO AUTORES EM "REGIME DE MEIA PENSÃO" EM CINCO CAFÉS PORTUENSES (PÚBLICO)
Notícia Público
"Há um cliente especial na manhã de hoje do Café Ceuta. Sentado, de olhar fixo na agitação da rua, Pedro Eiras volta-se para o caderno e começa, num rasgo de inspiração, a escrever com destreza. Eiras é um dos criadores em Regime de Meia Pensão, um projecto de residência artística da associação cultural Arco-da-Velha. Até sábado, cinco autores portugueses vão estar instalados em cinco "cafés emblemáticos" do Porto, formando uma caricatura de uma residência real, na qual a criação completa "um viver de cama, comida e roupa lavada", explica ao PÚBLICO Marta Bernardes, uma das responsáveis pelo evento. A iniciativa visa reavivar a ligação entre a "actividade intelectual" e "um dos locais de excelência" para a discussão e o trabalho.
Alojado junto à janela do Ceuta, Pedro Eiras deixa-se imbuir pelo ambiente "ambíguo" do café - uma "tranquilidade" pautada pelo barulho, uma "solidão" acompanhada - e pela "selva urbana" que se compõe lá fora. É esse "jogo de pessoas e carros" o motor do raciocínio criativo do escritor. A estória ainda está em forma de esboço, mas já tem personagem principal: surgiu a partir do ritmo que acompanha "as pessoas a descer a rua", diz.
Os clientes que vão entrando e saindo do Café Ceuta olham timidamente este novo residente, numa "forma involuntária de intervir" na criação. A artista plástica Isabel Carvalho, no Guarany; o escritor João Gesta, na Leitaria da Quinta do Paço; o actor Jorge Andrade, no Plano B; e valter hugo mãe, no Maus Hábitos, estarão todos eles em "meia pensão". Até sábado, cada um deles vai continuar a fazer crescer as suas estórias".(Os Amigos Davenida)
Eu e mailos livros
Teresa Castro D’Aire (pseudónimo de Teresa Mascarenhas) nasceu em Lisboa a 27-01-52.Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa onde se licenciou e fez vários Seminários de Pós-Graduação, sempre na área da Literatura. Tem cerca de vinte volumes publicados e oito prémios literários. Realizou duas exposições de pintura individuais e colaborou em catorze exposições colectivas.
Aos 17 anos escreveu o primeiro livro - Rapsódia em Technicolor (ou meu amor anda ver a minha colecção de slides), rejeitado por trinta editoras, antes de ser premiado. Na opinião de alguns críticos, bem como da própria escritora, tratava-se de um texto muito adiantado para o seu tempo. A descobrir também Eu, Lourenço, andarilho da vida, um bildungsroman, compromisso entre conto histórico e livro de memórias, junção de que resulta uma obra insofismavelmente didáctica e exemplificadora da época Napoleónica, em que o herói Lourenço, picaresco e cheio de artimanhas, toma parte.
Eu e a maila minha senhora vieramos transanteontem da terra, inté demos lá lembranças suas à ti MariJaquina. O programa segue dentro de momentos. Segurem-me, vou passar o fim-de-semana com o Peter O’Toole! Ele namorou uma das pupilas do senhor reitor, tu namoriscaste as outras todas, que eu estou marreca de saber. Era um Rudolfo Valentino de colarinhos à raisteparta, muito cocabichinhos, é daqueles que chegaram a ser reis só com um olho, coitado, chegou todo torcido, todo chamuscado, mais parecia a madrinha, mas para comer ostras com limão, comigo ao desafio, é aquela máquina. Quem é esta avis-rara? Meia bola e força! Tenho feito umas coisas muito engraçadas com o meccano que me deste no Natal, só ainda não fiz um gato-sapato, como é que se faz? How kind of you to let me come! Viram-me nas abluções na terça-feira de pascoela? Não ligues, são as más línguas a meter o bedelho, são bocas da reacção. Singing in the rain – eram os galifões ainda em rodagem do David Mourão Ferreira. É o livro de memórias de Florence Nightingale, de forro já desbotado.
Teresa Castro D’Aire, Rapsódia em Technicolour (ou meu amor anda ver a minha colecção de slides), prefácio de Batista Bastos, Editorial Escritor, 1991.
19 abril 2009
Bois, sapos
bois
Ao domingo...
Ane Brun, cantora e compositora norueguesa, nascida em 1976. Aqui num excelente dueto com o canadiano Ron Sexmith.
Para ouvir o todo o domingo (ambos) ...
18 abril 2009
Tudo verdade:
Captain John, no filme The River, de Jean Renoir
"...Com mãos tudo se faz e se desfaz..."
E quem dirá
- seja qual for o desencanto futuro -
que esquecemos a magia,
ou que pudemos atraiçoar
na terra amarga
a macieira,
a canção
e o ouro?
Thomas Wolfe
in Herberto Helder,Poesia Toda [As Magias, poemas mudados para português], Assírio & Alvim, 1990
oterceiroelemento

- Bom dia
- O seu nome, por favor…
- Cristina.
- Bom dia Cristina, está no Montijo, certo?
-S...s…sim
- A preparar os filhos para irem para a escola?
- S…s...sim…
- Ora vê? Como é que eu adivinhei?...Sabe quem fala?
- Sr. Délio, da Rádio?
- Certo! Não me diga que estava aouvir o nosso Programa?
- Ouço sempre de manhã…
- Cristina, importa-se de falar com alguém que tenho em linha, enquanto ouve o Leandro e Leonardo?
- P… pode ser…
- Tina? Sou eu, Sandro…
- Já sei…
- Ouvistes o kiss que estou a mandar?
- O quê?
- O kiss…
- Ah, sim…estou a ouvir.
- ………
- Allô, Cristina, aqui Délio! Desculpem a interrupção, pombinhos… Cristina, está disposta a aceitar o kiss do Sandro e perdoar o que ele lhe fez?
- ………..
- Cristiiina, allô?
- …. Talvez um dia ... ele bem sabe o que fez, pra que está agora com isto? …
- Mas estou a mandar-te um kiss…
- ……..
- Ora, Cristina, não seja assim, vá lá, escute bem o Leandro e Leonardo e aceite o kiss do Sandro… Porque nós, queridos ouvintes…temos alguém em linha, vamos a novo telefonema e mais um kiss na manhã… está a chamar… Allô, bom dia, o seu nome por favor?
17 abril 2009
O uso dos preservativos...
É um excelente exemplo de simplicidade e eficácia, de 4:41 minutos imperdíveis. O filme faz parte de um conjunto de vídeos do Steps for the Future, cujo maior objectivo é o de educar e formar gentes em regiões afectadas pela pandemia do HIV. Esta curta-metragem de Orlando Mesquita foi galardoada com vários prémios, entre os quais:
Prémio Especial do Júri Internacional de Estudantes de BANFF para melhor programa infantil - Canadá 2002
Melhor Filme Africano no Apollo Film Festival d, S.A. 2002
Prémio Instituto Camões para a melhor Curta Metragem de Expressão Lusófona – Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora – Histórias Comunitárias, Portugal, 2003.
A sucessão de CarlosII de Espanha-1698

O facto de Carlos segundo de Espanha não ter gerado sucessor provocou grandes convulsões na Europa.
A consanguinidade foi o fim dos Habsburgos.
Carlos II, o último rei da dinastia dos Habsburgos que Espanha teve, sofreu problemas causados por desvios genéticos.
As uniões consanguíneas, das quais abusaram os Habsburgos, estão provavelmente na origem da extinção da dinastia que reinou em Espanha durante 174 anos, segundo um estudo científico espanhol.
Os Habsburgos foram substituídos, em 1700, em Espanha, pela dinastia francesa dos Bourbons, a seguir à morte do seu último rei, Carlos II, que chegou aos 39 anos sem descendência. Os Bourbons reinam até hoje em Espanha.
Os investigadores espanhóis calcularam o "grau de endogamia" do ramo espanhol dos Habsburgos e concluíram que "o grande número de casamentos consanguíneos" celebrados nesta família provocou desvios genéticos no rei Carlos II. Era uma pessoa fraca, fisicamente e mentalmente, tinha o rosto deformado e era impotente, sublinharam os investigadores no estudo publicado pela revista da biblioteca pública científica americana PloS ONE.
Segundo os textos da época, Carlos II não começou a falar antes da idade dos quatro anos, não começou a andar antes dos oito e, durante os seus últimos anos de vida, sofreu de alucinações e de convulsões. Na dinastia dos Habsburgos os tios casavam-se com as sobrinhas, os primos com primos, entre outras.
16 abril 2009
Post para dois amigos
Palavras Fechadas

Sopro breve
paisagem derradeira
tempo cego
voaram as tardes
L´image de la pleine mort
E tu existias
dentro de uma caixa fechada
clara e lisa
A morte quer-se estética
lavada
atroz mas digna
Vieram as flores e os abraços
os gestos costumeiros
a voz
os passos
sussurros
Fazem barulho
Há alguém
que chora
finalmente
Muito
15 abril 2009
sobre(viveres)
Bo
14 abril 2009
Soltemos o Rui Gaudêncio que há em nós...
Rui Vaz Gaudêncio, o pastor de 44 anos que ganhou mais de um milhão de euros, esteve ontem na festa de Nossa Senhora do Incenso e depois refugiou-se em casa do irmão. O vencedor está a ponderar ir viver para Espanha... e comprar uma concertina.Com algum treino durante o pastoreio ainda havemos de ter um Pohjonen lusitano.
Carne da minha carne
Segundo ele, o estudo só nos dá uma parte do trajecto de cada um: Atenção! As análises do ADN mitocondrial e da zona não recombinante do cromossoma Y são importantes no estudo genético das populações, mas revelam muito pouco ou quase nada a nível individual. São, contudo, um bom negócio para os laboratórios que as realizam.
Estes exames apenas permitem avaliar a origem genética da mãe da mãe da mãe da mãe ………. da mãe da nossa mãe e do pai do pai do pai do …….. do pai do nosso pai esquecendo todos os outros antepassados como se, por exemplo, o pai da mãe do pai da mãe da mãe do nosso pai ou a mãe da mãe do pai do pai da nossa mãe nem sequer tivessem existido.
Se considerarmos que existe uma geração de 25 em 25 anos, alguém nascido em 2000, tem 2 antepassados (pai e mãe) nascidos em 1975, 4 antepassados (4 avós) nascidos em 1950, 8 antepassados (bisavós) nascidos em 1925, 16 antepassados (trisavós) nascidos em 1900, etc…, 1024 antepassados nascidos em 1750, mais de 1 milhão (1.048.576) nascidos em 1500, não sendo necessário recuar até à pré-história. Podem a Leonor Beleza, a Naide Gomes, e todos os outros, ficar descansados. Se, por absurdo, no final do séc. XV, 2 dos seus antepassados – o pai do pai do… pai do pai e a mãe da mãe da…. mãe da mãe – forem do grupo genético A e os outros 1.048.574 do grupo genético B, esta análise parcial do ADN dá 100% de positividade para o grupo genético A, mas o indivíduo tem certamente todas as características genéticas do grupo genético B. (J.Sousa)
13 abril 2009
Depois das amêndoas
Com estalinhos, como em Miriam Makeba (oiçam) ou sem estalinhos na voz de Angélique Kidjo, o gosto de ouvir outras raízes, como neste Summertime absolutamente diferente.
Momentos
- Dr., olhe pra mim. Olhe bem pra mim e diga-me que eu não estou a ficar cinzenta e… feia. Diga nos meus olhos se não lhe pareço uma moribunda a cair aos bocados…- Não acho isso. Está emagrecida…
- Não diga nada… Já nem a caixinha de pó de arroz e a sombra verde que ponho nos olhos conseguem disfarçar. Feia, feia é como me sinto…
- Não vejo isso no olhar do seu marido…
- Hoje nem quis entrar, preferiu ficar na sala de espera… e inchada, é como me sinto. Olhe bem, pareço um peru antes do Natal… nada me serve, nem os sapatos. Veja, tive de vir de chinelos…
- São efeitos dos medicamentos. Vão passar e depois sente-se melhor…
- … e o que é melhor? Diga-me! Melhor é não estar inchada e vomitar tudo, até a alma? Ou melhor é não vomitar, mas ter dores que me fazem querer nunca ter nascido? Ou melhor é ter cabelo? Quando chegamos a isto… de que estar “melhor” é ter uma coisa que qualquer um tem quando acorda de manhã… e depois, sabe, é fácil, é tão fácil falar e prometer que vai tudo melhorar… mas quanto tempo? … até quando vão as suas promessas desta vez?
- Bem sabe que é imprevisível….
- Sabe o que me tem custado mais agora, o que é que me faz sentir pior? É a falta de ânimo… estou a perder o ânimo. Eu nunca fui bonita, a minha beleza era o ânimo, a alegria de viver.
Era isso o que transformava tudo. Fazia-me sentir bem, tinha força, conseguia coisas porque transformava aquilo que via em mim e o que queria que os outros também vissem… e foi assim que conquistei aquele padecente que está ali fora com as flores na mão…
M.J. 60 A
O Aristocrata Sr.Silva
Silva (apelido)Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Brasão de Armas da Família Silva.
Silva (apelido) é possivelmente o mais difundido apelido de família (sobrenome) nos países de língua portuguesa[carece de fontes].
De facto, em Portugal, na Galiza, em Leão e nas Astúrias, existem diversas localidades cujos nomes se compõem por "Silva". É possível, porém, verificar que a popularidade deste apelido remonta ao século XVII em Portugal e também no Brasil.
A primeira linhagem que adoptou o nome Silva como apelido tem uma origem muito antiga e provém do príncipe dos Godos D. Alderedo, cujo filho, D. Guterre Alderete de Silva casou com uma descendente da nobreza da Casa Real de Aragão e é anterior à fundação da nacionalidade portuguesa, final do século X.
Acredita-se que tenha se tornado o sobrenome mais difundido no Brasil por um série de factores, como a adopção de escravos e crianças filhas de pais incógnitos.
Apesar da grande difusão na população lusófona em geral, Silva também é o nome de importantes famílias nobres, que normalmente o transportavam juntamente com outro apelido.
Também é encontrado na Espanha (com origens mais remotas do Reino de Leão) e na Itália, onde é mais comum na região da Emília e da Lombardia.
No Brasil, é muito provável que o conjunto de nome e apelido mais comum seja João da Silva, que se pode comparar a John Smith nos países de língua inglesa, Juan García nos de língua espanhola, Hans Schmidt nos de língua alemã ou a Giovanni Rossi nos de língua italiana.
Um estudo realizado com uma amostragem de 30.400 pessoas no Brasil, mostrou que 9,9% dos brasileiros têm "Silva" nos seus apelidos, seguidos por 6,1% com apelido "Santos", 5,8% com apelido "Oliveira" e 4,9% com apelido "Sousa" ou "Souza".
12 abril 2009
11 abril 2009
10 abril 2009
a Dúvida
...uns serão lançados à fogueira por crerem em ti, outros sê-lo-ão por duvidarem, Não é permitido duvidar de mim, Não, Mas nós podemos duvidar de que o Júpiter dos romanos seja deus, O único Deus sou eu, eu sou o Senhor e tu és o meu Filho, Morrerão milhares, Centenas de milhares, Morrerão centenas de milhares de homens e mulheres, a terra encher-se-á de gritos de dor, de uivos e roncos de agonia, o fumo dos queimados cobrirá o sol, a gordura deles rechinará sobre as brasas, o cheiro agoniará, e tudo isto será por minha culpa, Não por tua culpa, por tua causa, Pai, afasta de mim esse cálice...
(José Saramago in Evangelho Segundo Jesus Cristo)
09 abril 2009
mais Ondjaki

Ondjaki
( Andrew Wyeth)08 abril 2009
Descobrimentos
07 abril 2009
Felicidade
( Texto de João Pereira Coutinho)
Escolha musical
Robert Wyatt, músico e cantor britânico, foi baterista e vocalista dos Soft Machine, em meados dos anos 70. Após alguns conflitos com os elementos do grupo, Wyatt decidiu criar a sua própria banda, cujas propostas eram tangentes à música instrumental. Entretanto, na sequência de um salto de uma janela de um terceiro andar, Wyatt fica paraplégico, actuando em palco, desde então, numa cadeira de rodas, atitude que lhe valeu uma guerra (ganha) com o produtor.
Por essa altura desistiu da bateria, iniciando um percurso a solo e, com uma série de músicos de estúdio, lança o aclamado álbum Rock Bottom.
Wyatt trabalhou e participou em actuações ao lado de Brian Eno, Carla Bley, David Gilmour, Björk e outros. A partir dos anos 80, as suas composições tomaram um cariz cada vez mais político e interventivo, com influências do jazz e da música africana.
Rock Bottom, Shleep e Cuckooland são considerados álbuns de culto.
06 abril 2009
Oldies
Quem se recorda desta?
Cavatina
O Caçador - The deer hunter – para além de toda a controvérsia que sobre ele se gerou na altura (visão simplificada da Guerra do Vietname ou versão racista dessa Guerra) – é, como quis o próprio Michael Cimino, sobretudo um filme sobre pessoas: sobre a estreiteza de um quotidiano repentinamente abalado pelo cenário da guerra; sobre a culpa e a expiação, sobre a amizade, o amor (e a sua impossibilidade), o alhemento do mundo, o grau-zero da humanidade, o sem-sentido dessa e de todas as guerras.
Robert De Niro e Christopher Walken têm neste filme um desempenho absolutamente inesquecível. A rever.
A música aí fica, para quem apreciar.
Os Amigos D´Avenida

No âmbito das comemorações dos 250 anos de Aveiro, os Amigos d'Avenida pretendem lançar um desafio aos agentes culturais da cidade para se associarem à organização de um programa de animação cultural da praça Joaquim de Melo Freitas, (aos Arcos), a ocorrer aos sábados à tarde, das 15.00 às 17.00 horas até 21 de Setembro.
05 abril 2009
Em memória de Lorca
Metáforas
"Let us be lovers we'll marry our fortunes together" I've got some real estate here in my bag
So we bought a pack of cigarettes and Mrs. Wagner pies
And we walked off to look for America
Kathy, I said ,as we boarded a Greyhound in Pittsburgh
Michigan seems like a dream to me now
It took me four days to hitchhike from Saginaw
I've gone to look for America
Laughing on the bus Playing games with the faces
She said the man in the gabardine suit was a spy
I said Be careful his bowtie is really a camera
Toss me a cigarette, I think there's one in my raincoat
We smoked the last one an hour ago
So I looked at the scenery, she read her magazine
And the moon rose over an open field
Kathy, I'm lost, I said, though I knew she was sleeping
I'm empty and aching and I don't know why
Counting the cars on the New Jersey Turnpike
They've all gone to look for America
All gone to look for America
All gone to look for America
Na primeira semana de Abril de 1968 foi lançado o Álbum Bookends de Simon & Garfunkel.
Foi um êxito termendo e as canções começaram a ser conhecidas entre nós (era regra na época) no Verão. Como teve composições muito divulgadas, como Mrs Robinson ou A Hazy Shade of Winter, a canção América tornou-se menos conhecida. É, no entanto, uma composição muito bela, descrevendo a viagem metafórica de uma geração em busca dos seus caminhos. No fundo, a viagem que, nas várias latitudes, os jovens fizeram naqueles anos. E que, felizmente, continuam fazendo.
04 abril 2009
Manuel António Pina

2009-04-02
Perdemos os sonhos ou são os sonhos que nos perdem? O meu sonho de menino sempre foi ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos; e quando, em vez de estudar, me punha a ler o "Cavaleiro Andante", minha mãe dizia-me: "Estuda se queres vir a ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos", sabendo que só isso era capaz de me arrancar da companhia de Tartarin de Tarascon e de Tintin.
Chegado a esse lugar de exílio que é a idade adulta (o que sucedeu mais ao menos na altura em que Tintin deixou de usar calças de golfe), procurei em vão informar-me acerca de como seria possível realizar tão desmesurado sonho. Só agora, já velho, o descobri. Para se ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos é recomendável, pelo menos em Braga, ter sido condenado por tentativa de corrupção de um vereador, o que (uma condenação por corrupção) é, como se sabe, uma inalcançável miragem em Portugal. Sem meios para tentar corromper vereadores, terei que me ficar pelo jornalismo, que também é uma actividade do sector do tratamento do lixo.
03 abril 2009
Toca a cantar !
especialmente hoje,
toca a cantar
(vá lá, todos em coro, que é festa):
E passem palavra, passem palavra, que ele bem merece.
Matinée
Smile though your heart is aching
Smile even though its breaking
When there are clouds in the sky
you'll get by If you smile
through your fear and sorrow
02 abril 2009
Fatal
Os moços tão bonitos me doem,impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma actriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles me vêem
como se me dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros.Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso.
Adélia Prado, Poesia Reunida
Amor feinho
Eu quero amor feinho.Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual a fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
01 abril 2009
CCR5-Δ32 (conclusão)
No início dos anos 80 do século XX começou a haver relatos duma doença nova que progredia de forma imparável na comunidade homossexual, designadamente em S. Francisco, nos Estados Unidos.A doença provocava uma acentuada diminuição das defesas imunitárias dos indivíduos afectados que, em consequência da baixa de imunidade, sofriam de infecções oportunistas que os levavam inexoravelmente à morte.
As características que apresentavam os doentes, com conjuntos de sintomas semelhantes, levaram a considerá-la um Síndrome. A constatação de que existia uma acentuada baixa de imunidade, fez com que se acrescentasse a característica de Imunodeficiência. O facto de surgir em indivíduos previamente saudáveis, permitiu dizê-la Adquirida.
Hoje, a história é conhecida: sabe-se a causa, uma infecção provocada por um vírus, VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) e conhecem-se as formas de aquisição desta doença: via sexual, intravenosa ou mãe - filho.
O que sempre chamou a atenção aos investigadores foi o facto de haver pessoas com o vírus em circulação durante mais de 20 anos, desde os primeiros relatos da doença, e que viviam normalmente, sem necessitarem de qualquer tipo de medicamento.
A razão foi, entretanto, descoberta. Chama-se CCR-5.
O vírus adere às paredes das células e, para entrar (e provocar infecção), necessita de um “veículo” que o leve. Esse é o papel do CCR-5 (ChemoChineReceptor-5).
Há, em certos grupos populacionais que tiveram origem em zonas da Europa Central, uma deficiência genética em que os portadores têm um CCR-5 “deficiente”, chamado Delta 32 (CCR5-Δ32 ). A sua deficiência torna-o incapaz de viajar para dentro das células, transportando com ele os vírus.
Constatou-se que os indivíduos imunes ao SIDA, apesar de portadores de VIH, tinham este “defeito” genético… Ou seja, os vírus circulantes não penetravam as células e eles não tinham infecção.
Aliás, constataram também que a sobrevivência a epidemias de varíola em populações sem condições sanitárias mínimas, em períodos anteriores à descoberta da vacina, seria igualmente devida à presença deste gene.
K.au poteau
Choro por ti,Checoslováquia,caminhos de assombros,
encruzilhada de medos
terra calcada por todos os ditadores do Erro,
chave da Europa à mercê dos ladrões!
Que culpa terás de ser mais evoluída?!
de teres a capitação de 1200 dolares,
e, a URSS, a de 980 apenas?...
Choro por ti, Checoslováquia,
irmã gémea e lutuosa do Vietename-
os dois pinhais de Azambuja!
Meu amigo Zdenek.
que traduziste o Camões e o Eça,
e vieste ao meu encontro numa rua de Aveiro,
só porque tinhas lá longe,
um mau retrato meu!-
Que posso fazer pelos teus?!
Choro por ti Checoslováquia,
vítima da cupidez nazista
e dos seus post-justiceiros,-os filisteus estalineptos!
Se tiver de morrer "errado",
morrerei como tu, Checoslováquia,
socialista socialienado!...
Foram cem os erros(já) do socialismo!
Fossem cem mil-e socialistas seríamos!
Choro por ti, Checoslováquia:
manda que o faça o futuro,
exige que o reprima o presente,
-ironia trágica e pútrida!
Escarro vivo
de cintilantes sóis.
noite gelada
de rumorosa manhã...
Fátuo ser!
Poteau...
K!
Mário Sacramento, 1968



















