Agradeço ao Paulo Mendes a partilha desta excelente informação. Com um abraço.
10 outubro 2009
Design português no Guggenheim NYC
Agradeço ao Paulo Mendes a partilha desta excelente informação. Com um abraço.
09 outubro 2009
As mãos e os donos delas
Os cirurgiões, enquanto grupo, aderem a um igualitarismo curioso. Acreditam na prática, não no talento.
As pessoas frequentemente presumem que temos de ter grandes mãos para sermos cirurgiões, mas não é verdade. Quando fui entrevistado para entrar em programas de cirurgia ninguém me mandou coser, ou fazer um teste de destreza, ou verificar se as minhas mãos eram firmes. Nem sequer é preciso ter os dez dedos para se ser aceite. (…). Os professores dizem que a cada dois ou três anos vêm uma pessoa verdadeiramente dotada – alguém que atinge capacidades manuais complexas invulgarmente depressa, vê o campo operatório como um conjunto, apercebe-se de problemas antes que eles aconteçam. Mesmo assim, os Cirurgiões Assistentes dizem que o que é mais importante para eles é encontrar pessoas meticulosas, diligentes e suficientemente teimosas para continuarem a praticar uma coisa difícil dia e noite, anos a fio. Como me disse um professor de cirurgia, se tivesse de escolher entre um doutorado que tivesse clonado um gene com muito esforço e um escultor de talento, escolheria o primeiro. (…) A competência, acreditam os cirurgiões, pode ser ensinada, a tenacidade não. É uma estranha abordagem ao recrutamento, mas é sempre assim, até nas categorias profissionais mais altas, mesmo em serviços cirúrgicos excelentes. Pegam em alguns favoritos sem nenhuma experiência cirúrgica, passam anos a formá-los e depois estabelecem a maior parte da sua competência a partir dessas fileiras criadas por si.
E resulta. Actualmente, já existem muitos estudos sobre executantes de elite – violinistas internacionais, grandes mestres do xadrez, patinadores no gelo profissionais, matemáticos e por aí fora – e a maior diferença que os investigadores encontram entre eles e outros executantes de menor qualidade é a quantidade de prática que eles acumularam deliberadamente. Na verdade, o talento mais importante poderá ser o talento para a própria prática. K. Anders Ericsson, um psicólogo cognitivo e perito em desempenho, comenta que a manifestação mais importante do papel dos factores inatos pode ser a motivação que alguém tem para se lançar numa formação contínua. Descobriu, por exemplo, que os executantes de topo gostam tão pouco de praticar como os outros (é por isso que os atletas e os músicos desistem de praticar depois de se reformarem), mas possuem uma força de vontade para continuar a praticar superior à dos outros.
Atul Gawande, in A mão que nos opera, Lua de Papel, 2007
08 outubro 2009
Nobel
A escritora alemã, de origem romena Herta Müller recebeu o prémio Nobel da Literatura 2009.
Herta Müller nasceu em 1953 e, segundo a Academia Sueca tem uma escrita onde se "retrata o universo dos desapossados".
Müller está publicada em Portugal com “O homem é um grande faisão sobre a terra”, editado pela Cotovia, e “A terra das ameixas verdes”, publicado pela Difel.
Nascida na Roménia, aldeia de Nitzkydorf, que hoje já se declarou em festa, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu.
Vive na Alemanha desde 1987.
Pessoalmente teria preferido Roth ou Auster, mas isso sou eu que não estou na Academia Sueca. Agora, há que ler e conhecer Herta Müller.
Outra medalha ... (assim, ficamos vaidosos)
Quanto às Perguntas, aqui estão, com as respectivas respostas:
Punha-o no deserto mais próximo e fazia uma nova praia.
Procurava o dono para lho devolver. Deve ser péssimo perder um sonho.
A escolha não é fácil. Acho que começo por rejeitar essa obrigação de escolher. Por que não ir por aqui até um certo momento e depois passar a ir por ali, até acharmos que está na hora de ir por acoli... afinal, não é isto que fazemos sempre na vida?
07 outubro 2009
28, 968192 Km de livros

Uma manhã solarenga de Outono em Nova Iorque convida a andar.
Descendo a Broadway em direcção a Greenwich Village, no cruzamento com a rua 17, desembocamos na Union Square onde, à 2ª, 4ª 6ª e ao sábado, decorre um esplêndido mercado de rua que permite comprar produtos alimentares trazidos do campo e ali vendidos directamente pelos produtores. É também um espaço aproveitado por artistas "alternativos" para exporem e venderem as suas obras.
...
À distância de um olhar, imersa na confusão do trânsito, mas distinta pela cor do toldo , está a Strand Bookstore.
O nome foi-lhe dado a partir da rua que, em Londres, alberga dezenas de livrarias, alfarrabistas e editoras.
A Strand de Nova Iorque foi fundada em 1890 e é a sobrevivente de uma fileira de 48 livrarias que ocupavam todo aquele quarteirão. A publicidade define-a como a loja com 18 milhas (de livros)...
O que se nota é que é um sólido espaço de cultura, ancorado numa experiência recheada de modernidade, onde apetece estar e ficar, misturando-nos com as centenas de visitantes e compradores que deambulam pelos corredores recheados de livros até ao tecto.
A consulta posterior que fizemos ao site da Strand trouxe-nos a informação de que se pode comprar livros pela net , como em qualquer outra livraria actual, mas aqui existe uma outra modalidade (quiçá fruto do seu subtítulo...): pode-se comprar livros "a metro de estante" - meio metro de livros de arte, ou de História ou 1 metro e meio de Culinária, Ficção, Biografias...
No melhor pano cai a nódoa.
05 outubro 2009
The White Ship, de Hector Lemieux
Glória aos grandes hérois da pesca à linha. Em memória desses ilhavenses.
Quando chegava à Terra Nova ou Gronelândia, o navio ancorava e largava os botes. Os pescadores saíam do navio às quatro da manhã e só regressavam à mesma hora do dia seguinte, com ou sem peixe e uma mínima refeição: chá num termo, pão e peixe frito. No navio, o bacalhau era preparado até às duas ou três da manhã. Às cinco ou seis horas retomava-se a mesma faina. Isto, dias e dias a fio, rodeados apenas de mar e céu.
Teresa Reis, "A pesca do bacalhau"
A pesca do bacalhau realizada pelos pescadores portugueses na Terra Nova e Gronelândia, encontra-se intimamente associada à saga das navegações e descobertas, datando do séc. XIV. Há registo da partida, da ilha do Faial, de Diogo, de Teive em 1452. A partir da viagem dos Corte-Real, em meados do século XVI, foi elaborado o Planisfério de Cantino, onde se divulgava um primeiro mapa menos fantasioso dessas regiões (Terra Nova e Labrador) e com o qual a navegação se tornou mais segura e maior a presença portuguesa na pesca do bacalhau.
Em 1504 havia na Terra Nova colónias de pescadores de Aveiro e de Viana do Minho. Em 1506 um dos principais portos bacalhoeiros era Aveiro. Entre 1520 e 1525 existiu, na Terra Nova, uma colónia de pescadores de Viana do Minho que se dedicava à pesca sedentária - pescavam e secavam o peixe ali mesmo. A permanência ia de Abril a Setembro.
No reinado de D. Manuel I (1465-1521) Aveiro foi o porto que mais navios enviou para a Terra Nova (cerca de 60 naus) e em 1550 saíram cerca de 150 naus. O período de dominação dos Filipes (1580-1640) levou quase à extinção da pesca do bacalhau (em 1624 não havia qualquer barco nos portos de Aveiro). A recuperação da Pesca do Bacalhau só se faz no séc. XIX. Até lá, 90% do consumo interno do bacalhau é importado. Em 1830 foram criados incentivos à pesca com a extinção do pagamento dos dízimos e com a construção de 19 barcos.
Sem alterações notórias, através dos séculos, a tripulação dos Bacalhoeiros era composta por:
· Capitão
· Piloto
· Marinheiros (pescadores)
· Cozinheiro
· 1 ou 2 moços (mais recentemente passaram a ser 6, 8 ou 10) conforme a capacidade do navio.
Entre os marinheiros - pescadores, a divisão era:
Escalador
Salgador
Simples pescador
"Os verdes" (os que se iniciavam na faina)
Havia tripulantes com funções específicas: troteiro, cabeças, porão, garfo, celhas, etc. E muitos estão enterrados num cemitério em St. John's, do qual ninguém fala, e que nem sequer atrai visitantes.
As iscas usadas eram amêijoas, lulas.... Só na década de 20, apareceu a assistência aos barcos feita por 2 barcos a vapor - Carvalho Araújo, em 1923, e Gil Eanes, em 1927.
O atraso português no processo de industrialização determinou que esta pesca se prolongasse pelo século XX (até 25 de Abril de 1974) com base numa tecnologia ultrapassada: pesca à linha de mão, munida dum único anzol, a bordo dos dóris, pequenas embarcações individuais de fundo chato e tabuado rincado, com um comprimento de 4 a 5 metros e 80 a 100 Kg de peso, apoiando-se nos tradicionais veleiros de madeira. Tratava-se, contudo, de uma técnica de pesca bastante menos agressiva dos recursos dos que as redes de emalhar ou de arrasto.
Em 1934 foi feita a organização corporativa da Indústria Bacalhoeira. Planeou-se uma grande reorganização da Pesca do Bacalhau, através de:
Empréstimos do Estado a armadores portugueses
Criação da Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau e da Cooperativa dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau entre outras.
Renovação da frota
Desenvolvimento da Pesca do Arrasto
Mas em Portugal continuou-se a insistir na pesca à linha. Os últimos grandes veleiros foram construídos em 1937: Argus, Santa Maria Manuela e Creoula, mas poucos anos se mantiveram nesta faina. A última viagem dum lugre - o Gazela Primeiro - ocorreu em 1969. As capturas tinham começado a diminuir e em 1974 a situação estava num caos. Era difícil recrutar pescadores, que preferiam emigrar, o que lhes proporcionava menos sofrimento e melhor perspectiva de vida. O total de barcos era então de 55, sendo 5 de pesca à linha, 13 com redes de malha e 37 de arrasto.
Créditos: texto parcialmente adaptado de História da Pesca do Bacalhau
Foto de Henri Lumieux
Quem tiver curiosidade, pode seguir os links que salpicam o texto.
04 outubro 2009
Richard Avedon no SFMOMA
O trabalho de Avedon é quase exclusivamente constituído por retratos que transmitem de forma acentuada o seu olhar pessoal.
Avedon dizia que, como fotógrafo, não era um observador, mas um criador e isso é patente na sua obra. Sobre fundos quase sempre brancos ou cinzentos,sem qualquer fundo natural, as pessoas são fotografadas em planos grandes ou médios, num intencional contraste entre a simplicidade do fundo com a complexidade do "objecto".
03 outubro 2009
Uma casa com histórias e mulheres dentro
Em entrevista a Melanie Roberts, por altura de uma exposição colectiva que reuniu oito pintoras inglesas em torno do tema "From the Interior. Female Perspectives on Figuration", disse a artista:
02 outubro 2009
Resistir ou não resistir... às tentações
Casa dos Livros
*
Localizada numa esquina da Broadway com a Columbus Avenue, depois de se passar por imensos cafés italianos com esplanadas cheias de gente, na zona de North Beach, em S. Francisco fica a City Lights Bookstore. São 3 pisos cheios de livros, cultura e afectividade.
Por entre estantes e mesas cheias de livros há cadeiras confortáveis - na cave há mesmo 2 ou 3 bancos de jardim - e, nas paredes, cartazes convidam Have a seat and read a book. Do piso térreo chega-se por uma escada a uma sala ampla no 1º piso, com uma secretária junto a uma janela por onde entra luz a jorros. Na secretária um dístico: Poetry Room.
A City Lights Bookstore foi fundada pelo poeta Lawrence Ferlinghetti em 1953.
É considerada uma das poucas editoras independentes dos Estados Unidos, mas o seu maior mérito foi ter sido o local de convívio da que ficou conhecida por geração Beat.
Jack Kerouac, amigo de Ferlinghetti publicou nela a sua obra On The Road e todos os autores ligados àquele movimento tiveram aqui acolhimento.
Ao lado da livraria, atravessando uma rua estreita, fica o café Vesúvio, espaço único de convívio e tertúlia, com paredes forradas de fotografias, pinturas e textos poéticos. A rua (que separa / liga) chama-se Jack Kerouac.
* Bob Dylan (frequentador da City Lights) Blowin' In the Wind
01 outubro 2009
Postais de Viagem
* Scott McKenzie, If You Go to S. Francisco (1967)
30 setembro 2009
"Notas & Neurónios" ou o poder da escala pentatónica
País

Anda um rato no meu computador.
29 setembro 2009
Há dias assim...
Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo nos cai
em cima. Depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam.
Não lhes sei o nome. Uma
ou outra parece-se comigo.
Quero eu dizer: com o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença
da graça,
ou da alegria.
Um sorriso abre-se então
num verão antigo.
E dura, dura ainda.
Eugénio de Andrade, Os Lugares do Lume, Fundação Eugénio de Andrade, 2ª ed, 1998
28 setembro 2009
Esta gente não aprende
27 setembro 2009
Sonho (de silêncio)

Fazendo pirraça pra sobreviver
No novo tempo apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos
Estamos mais vivos pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da forma mais bruta, da noite que assusta
Estamos na luta pra sobreviver
Pra que nossa esperança
Seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça
Estamos na briga pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos pecados, de todos enganos
Estamos marcados pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas
Quebrando as algemas pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça
Fazendo pirraça pra sobreviver







