marcas d'água
Vestígios,pano de fundo,as imagens em si mesmas. Escondidas, revelam-se.
01 Julho 2011
Aí estão: a frescura de pensamento e as soluções criativas da nova maioria...
Há um provérbio popular que, devidamente adaptado, se pode aplicar com proveito a governos: "Pelo andar da política fiscal se vê quem vai lá dentro". Porque, sendo a política fiscal um instrumento de redistribuição da riqueza e do rendimento, ela espelha, mais do que nenhuma outra, o rosto de uma governação.
Como se propõe um governo obter recursos?; como se propõe redistribui-los?, são questões cujas respostas dizem quase tudo o que quisermos saber sobre esse governo mas tivermos vergonha de perguntar.
Com o corte de 50% dos subsídios de Natal, o novo Governo tenciona obter 800 milhões de euros, saídos (na verdade nem lá chegarão a entrar) dos bolsos de trabalhadores e reformados.
E para onde irá tanto dinheiro? Com mais 800 milhões poupados em "acomodações" na despesa do Estado que "o senhor ministro das Finanças detalhará nas próximas semanas" (preparemo-nos para o pior, designadamente para mais cortes nos apoios sociais e na saúde), servirá para compensar os 1 600 milhões que o Estado deixará de cobrar com a redução de 4% da TSU das empresas. O que é o mesmo que dizer que 50% dos subsídios de Natal dos trabalhadores e reformados, mais as "acomodações" ainda a anunciar, irão parar às contas bancárias dos empresários. Será reconfortante ver passar um Ferrari (pelo menos em regiões deprimidas como a do Vale do Ave) e imaginar que talvez uma porca de um daqueles pneus seja o nosso subsídio de Natal.
Manuel António Pina, AQUI
29 Junho 2011
Gonçalo M. Tavares
Mas não se aprende a ser sábio como se aprende
a resolver uma equação.
Nas duas aprendizagens exige-se atenção total, é certo,
mas há no caminho para a sabedoria mais obstáculos,
como se algures, deuses de voz rouca tivessem assumido o
[compromisso
de não deixar a filosofia sensata
ocupar por completo os homens.
E talvez a causa seja puramente egoísta, pois se todos
[fossem sábios
quem precisaria de templos?
(Gonçalo M. Tavares,Uma Viagem à Índia, Ed Caminho, 2010)
26 Junho 2011
23 Junho 2011
14 de Junho de 2011
E como tudo (tudo mesmo) se concentrou entretanto no teu nome!
Digo mãe para dizer filha, e me dizer a mim.
Afago-te o rosto e os dias ficam rutilantes nestes laços;
Aninho-me na tua pequenez e viajo por dentro contigo,
no sono, no choro,
em segredos que esqueci.
Julgo, enfim, possível um tempo reencontrado.
Nesta breve e cálida exaltação silenciosa.
Foto C.
Afago-te o rosto e os dias ficam rutilantes nestes laços;
Aninho-me na tua pequenez e viajo por dentro contigo,
no sono, no choro,
em segredos que esqueci.
Julgo, enfim, possível um tempo reencontrado.
Nesta breve e cálida exaltação silenciosa.
Foto C.
13 Junho 2011
Son "mis" huellas el camino
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Pintura de Graça Neves
11 Junho 2011
vadiagem em letra minúscula
corto uma fatia da tarde e dou-me ao luxo da preguiça.
curiosa dessas portas meio abertas, navego, mas todo o jogo de reflexos é próximo da miragem: há muito que não me encontro com as leituras de auster, e cansada dos trabalhos de babel, vou adiando a catharsis dos meus dramas filosóficos.
abro a janela. por ela entram ainda paisagens salvíficas para o meu olhar breve que, enublado de teimosa melancolia, viaja no tempo, caminha por entre abencerragens, falcoeiros e castelos mouriscos, como quem limpa o pó aos livros ou refaz a trama de um velho agasalho .
regresso à natureza do meu mal: dou corda a um relógio parado no tempo de vermeer; limpo do texto os excessos e risco símbolos, ruídos de horas extraordinárias que ensurdecem qualquer pensamento musical. desço por vezes à matriz de outros sonhos, descubro outros lugares, novos mundos povoados de fantasmas ou barcos com flores, perfeitos para as minhas provas de contacto com a realidade que me importa.
Tornei-me desgraçadamente sensível à anarquia do riso por entre todas as dúvidas metódicas. dizem-me alguns que há vida noutros planetas, mas eu descubro nessa ronda dos astros a irónica comédia de todos os cais de partida em amsterdam.
[devaneio estranho, este, pois o que interessa mesmo é irmos andando, num thriller de mortos-vivos e salmos de david.
com ou sem arrastão, e a jugular exposta ao golpe, sentar-nos-emos à direita de deus pátria, sem meditação à esquerda que nos reflicta, ou brumas de avalon que nos encantem.]
com ou sem arrastão, e a jugular exposta ao golpe, sentar-nos-emos à direita de deus pátria, sem meditação à esquerda que nos reflicta, ou brumas de avalon que nos encantem.]
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05 Junho 2011
Enquanto ainda posso respirar
Slow and sweet
It caries me
Caries me
Out to sea
And swallows me
In to the deep
And comforts me
02 Junho 2011
29 Maio 2011
Senhor doutor, dói-me a alma, aqui do lado esquerdo...
Mário Sacramento (1920-1969) marcou a vida cultural e política de Portugal de forma determinante entre a década de 40 e 60 do século XX.
Médico, Ensaísta, Crítico e Activista Político (com cinco detenções durante a ditadura) foi sempre uma voz livre e um pensamento crítico e inovador.
Em Sementes de Liberdade - Tese de Eunice Voulliot sobre M.Sacramento apresentada na Sorbonne - descobre-se o Homem e o combate no seu Tempo.
O filme de José António Paradela é um belíssimo testemunho sobre Mário Sacramento, feito a partir do livro de Eunice.
25 Maio 2011
Para os que tinham, pelo menos, treze anos no Verão de 1967
A canção foi lançada em Maio em Londres e (com era hábito na época) foi, entre nós um sucesso depois de Julho.
As meninas começavam, timidamente a usar mini saia e os rapazes, ainda longe dos blue jeans, equipavam-se de calças boca-de-sino e camisas justas com colarinhos tão longos como o cabelo que lhes tapava as orelhas até meio.
Era tudo a preto e branco, mas a música dava para dançar de cara encostada o que só lhe acrescentava qualidades...
24 Maio 2011
21 Maio 2011
A fazedora de ilusões
Como lá em casa o dinheiro andava a cavalo e nós a pé, quando chegava à Mina algum filme que o meu pai – só pelo nome do actor ou actriz principal – achava que era bom, juntavam-se as moedas uma a uma, à justa para o bilhete, e mandavam-me ir vê-lo.
Depois, à vinda do cinema, eu tinha de o contar à família reunida em pleno na divisão do "living".
Era lindo, depois de ver o filme, encontrar o meu pai e os meus irmãos à espera em casa, ansiosos, sentados em fila como no cinema, penteadinhos de fresco e com a roupa mudada.
O meu pai, com uma manta boliviana sobre as pernas, ocupava o único cadeirão que nós tínhamos, e era aí a plateia. No chão, ao lado do cadeirão, reluzia a sua garrafa de vinho tinto e o único copo que restava em casa. A galeria era o banco comprido, de madeira bruta, onde os meus irmãos se instalavam por ordem, do mais novo ao mais velho. Depois, quando alguns amigos deles começaram a assomar à janela, passou a ser aí o balcão.
Eu chegava do cinema, bebia depressinha uma caneca de chá (que já tinham preparado para mim) e dava início à sessão. De pé diante deles, de costas para a parede caiada, branca como o ecrã do cinema, punha-me a contar-lhes o filme “de pé a pá”, como dizia o meu pai, procurando não esquecer nenhum pormenor, nem do argumento, nem dos diálogos, nem das personagens.
A propósito, devo esclarecer aqui que não me mandavam a mim ao cinema por ser a única mulher da família e eles – o meu pai e os meus irmãos -, uns cavalheiros com as damas. Não, senhor. Mandavam-me porque eu era melhor do que eles todos a contar filmes. É como digo: a melhor contadora de filmes da família. Depois passei a ser a melhor da correnteza e, daí a pouco tempo, do acampamento. Que eu soubesse, não havia ninguém na Mina que me ganhasse a contar filmes. De qualquer género: de "cow boys", de terror, de guerra, de marcianos, de amor. E, claro está, mexicanos, que eram os que o meu papá, como bom sulino, mais apreciava.
E foi precisamente com um mexicano, daqueles bem contados e chorados que ganhei o título. Porque o título, foi preciso ganhá-lo.
Ou julgam que fui eleita pelo meu físico?....
Hernán Rivera Letelier, A Contadora de Filmes, Ed. Presença, 2011
19 Maio 2011
Almocemos, pois!
Sábado próximo haverá muitos almoços pelo País. Contudo, um terá um significado muito especial para um empenhado grupo de dezenas de homens e mulheres que, juntos, irão celebrar, na maior alegria, um tempo.
Com a impressionante dinâmica que estes movimentos têm adquirido na era Facebook, vão juntar-se na Figueira da Foz amigos, amigas, conhecidas, conhecidos, companheiros, companheiras, colegas, ex colegas e assim-assim, cujas vidas se cruzaram um dia no Liceu da cidade.
Será, certamente, uma festa bonita.
Por mim, celebro ali a maravilha de ter tido dezassete anos.
17 Maio 2011
À mesa do café com o Tomás, o Gil e a Joana (...e o Hélder)
Ontem à noite, no Bar da Barraca- Cinearte, confrontaram ideias e ideais, Tomás de Torquemada, Gil Vicente e Joana d'Arc.
Num diálogo vivo e acutilante, suscitado por Hélder Costa, promotor e moderador da reunião, foi possível juntar à mesa três personagens históricos do século XV num debate sobre as grandes questões da Humanidade e os respectivos percursos pessoais.
Ali, pelo menos, não dominou a finança.
Ali, pelo menos, não dominou a finança.
Interessante, pedagógico e lúdico, os Encontros Imaginários são uma iniciativa muito estimulante da Barraca, que merece ser vista e participada .
Em 6 de Junho, estarão a tomar café: Luther King, Maria Callas e Ku-Klux-Klan
14 Maio 2011
"É a vida!", o caraças! A ver se me animas, Frank!
12/12/1915 - 14/05/1998
That's life,
that's what all the people say
You're riding high in April,Shot down in May
But I know I'm gonna change that tune,
When I'm back on top, back on top in June.
I said that's life, and as funny as it may seem
Some people get their kicks,
Stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down,
'Cause this fine old world it keeps spinning around.
I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself, flat on my face,
I pick myself up and get back in the race.
That's life
12 Maio 2011
Manuel António Pina
O Prémio Camões, o mais importante galardão de literatura portuguesa, foi hoje atribuído por unanimidade a Manuel António Pina.
Finalmente uma boa notícia!
08 Maio 2011
Roth
Nada fazia prever - principalmente porque Pegeen Mike Stapleford vivia como lésbica desde os vinte e três anos - que quando ela tivesse quarenta anos e Axler sessenta e cinco se tornassem amantes que se telefonariam todas as manhãs ao acordar e sofregamente passariam juntos o tempo livre em casa dele, onde, para gáudio dele, ela se apropriou de dois compartimentos para seu uso, um dos três quartos de dormir no primeiro andar para as roupas e o escritório do rés-do-chão, ao lado da sala de estar, para o portátil. Havia lareiras em todos os compartimentos do rés-do-chão, mesmo na cozinha, e quando Pegeen estava a trabalhar no escritório tinha sempre a lareira acesa. Vivia a pouco mais de uma hora de distância dali, percorrendo estradas de montanha sinuosas e onduladas, por entre campos de cultivo, que a traziam até à propriedade dele, vinte e dois hectares de campo aberto e uma grande e antiga casa de campo branca com portadas pretas, emoldurada por plátanos antigos e grandes freixos, e muros altos de pedra tosca. Não vivia ninguém, além deles, nas redondezas. Durante os primeiros meses raramente saíam da cama antes do meio-dia. Não conseguiam estar um sem o outro.
E no entanto, antes de ela chegar, ele tinha a certeza de estar acabado: acabado para o teatro, acabado para as mulheres, para as pessoas, definitivamente acabado para a felicidade. Estava há mais de um ano com graves problemas físicos, mal conseguindo dar dois passos ou estar muito tempo de pé ou sentado, por causa das dores da coluna que tinha conseguido suportar durante toda a idade adulta mas cuja evolução debilitante se tinha acelerado com a idade - e portanto tinha a certeza de que estava arrumado em todos os aspectos.
Philip Roth, A Humilhação, Ed. Dom Quixote, 2011
Pintura: Eric Fischl
Philip Roth, A Humilhação, Ed. Dom Quixote, 2011
Pintura: Eric Fischl
06 Maio 2011
Para a Catarina, que fará dezoito anos num domingo de 2027
Hoje
és ainda um cálido sopro de ternura,
és ainda um cálido sopro de ternura,
e vida enchendo as memórias com o riso
aprendido nas aves.
Olhamos o céu com os mesmos olhos,
e andarei contigo onde estiveres.
Porque nós somos os passos que dermos
e tu já és tanto
Foto: C.
03 Maio 2011
28 Abril 2011
26 Abril 2011
A falta que faz o romantismo!
Até já?!
Mas esta gente pensa que haverá mesmo quem responda? Não acredito, sinceramente.
Bom, sei lá eu a precisão que para aí vai... Se calhar respondem. Romantismo a pagar?!
Não pagas para aderir, mas pagas para receber. É como votares num programa eleitoral e não receberes as promessas em troca, a não ser que pagues. E bem!
25 cêntimos de romantismo à la tmn é dinheiro. Ele há cada uma!: "Anime a sua vida". ... Pfff!
25 Abril 2011
Para que é que a noite chega senão para procurar pássaros. Sobre a profundidade que abraça a minha varanda, assisto sem palavras à maré cega e astuta, aos seus lápis infatigáveis, ao pausado latejar concêntrico do seu coração. Por isso abandonei o sonho, saindo das suas mãos graças a um infinito estudo e a uma segura consagração. Agora estou inteiramente na atitude nocturna que as horas mais graves exigem. Fujo dos relógios, estabeleço distâncias invariáveis entre o meu corpo e o chamamento de campainhas e sinos. Apoiado na minha varanda por uma paciência ousada, vejo a rua encher-se de topázios, numa surda batalha de substituições até que as arestas de toda a construção são arrastadas pela maré daquilo que vem e as águas da sombra ascendem, com aspirados torvelinhos silenciosos até ao meu refúgio. Para que é que a noite chega se não é para procurar pássaros. Quando está junto a mim, abro os braços, bebo-a profundamente e deixo-me ir, já esquecido de resistências, como um falcão fulminado ou uma construção gótica.
(Julio Denis, XLI)Julio Cortázar, Papéis Inesperados, Ed. Cavalo de Ferro,2010
20 Abril 2011
Patrões e Capatazes
Passos Coelho disse-o com despudorada clareza: o programa de governo do PSD será o do FMI. E o mesmo acontecerá necessariamente com o do PS e o do CDS, partidos que, juntamente com o PSD, continuam em reuniões com os mandatários do FMI, BCE e UE para receber instruções ("negociações", chamam-lhes eles: o FMI, BCE e UE ditam e PS, PSD e CDS tomam nota, atrevendo-se eventualmente a alguma sugestão respeitosa...). Restam os programas do BE e do PCP, que conterão certamente medidas alternativas, mas não poderão, seja numa improvável participação no Governo seja na AR, alterar nada do que já tiver sido decidido pela coligação FMI/PS/PSD/CDS.
Pode, pois, perguntar-se para que é que haverá eleições senão para, à falta de pão, oferecer ao país duas ou três semanas de circo. As políticas para os próximos anos estarão, de facto, determinadas antes das eleições e independentemente dos resultados eleitorais e, depois delas, qualquer medida com impacto orçamental, mínimo que seja, do Governo ou do Parlamento, terá que ir a despacho aos tutores do país.
A suspensão da democracia sugerida por Manuela Ferreira Leite durará pelo menos três anos, durante os quais nos caberá tão só eleger capatazes que executem as ordens de Washington (FMI), Frankfurt (BCE) e Bruxelas (Comissão).
Por muito menos foi a estátua de Camões, quando do ultimato inglês, coberta de crepes pelos antepassados políticos do actual PS.
Manuel António Pina, JN
Fotografia: Richard Avedon
18 Abril 2011
Haeven
Preconceito, intolerância, violência, mais preconceito, intolerância, violência.
Na Europa ou em África. Na escola, no deserto e na oficina.
Estes são alguns dos elementos que compõem o quotidiano do mundo actual, onde se cruzam as pequenas tragédias individuais e domésticas, que não chegam a ser notícia, com as devastadoras calamidades que enchem os noticiários e a “boa consciência” dos países ricos.
No filme de Susanne Bier, a origem, o ponto de partida é o mesmo: a intolerância. Ela é a presença constante em todos os conflitos da narrativa.
Um dos protagonistas é, aliás, levado a combater a (mesma) estrutura mental dos déspotas em África num ambiente de absoluta carência e na sua pequena e confortável cidade dinamarquesa. Apenas muda a escala.
Em UM MUNDO MELHOR (Hæven) está o retrato rigoroso e adequado do lugar onde vivemos.
Com uma realização muito segura, uma deslumbrante fotografia e uma música fantástica.
14 Abril 2011
13 Abril 2011
O engraxador
Há descobertas saborosas... vozes a despontar com grande segurança, e que sabe bem ouvir em dias de algum descanso e descontracção, pois assim podemos apreciá-las melhor.
Com temas em português e inglês, Luisa Sobral - cantora, compositora, letrista e instrumentista - traz-nos ritmos pop e jazzísticos com um timbre bem agradável. Aos 23 anos, com um percurso entre Lisboa e os Estados Unidos, a jovem promete. Digam lá que não...
Abram os links em novos separadores e, entretanto, vão ouvindo, lá em cima, outros temas do seu álbum de estreia: The cherry on my cake.
11 Abril 2011
Mutatis mutandis...*
Foi nos idos de 80, os jovens já não são os mesmos, e há aqueles com quem o sistema conta, que ele apadrinha.
E, todavia, *há que mudar o que tem de ser mudado.
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