01 outubro 2010

O que se sabe dum tempo que se desconhece

"... A situação do nosso país é pré caótica - anuncia o caos possível -, porque em todos os domínios da vida social e da governação a retroação do efeito sobre a causa está presente (ou, como se diz habitualmente, "o problema faz parte da solução"). Basta olhar para as políticas da "modernização" e as suas consequências no "Estado Social": a preacriedade do emprego, a mobilidade, as novas tecnologias empurram para o desemprego milhares de pessoas que o Estado tem de apoiar, o que leva a pô-lo em risco, obrigando a abrandar ou acelerar a modernização, o que por sua vez reconduz à inércia e ao desperdício, criando novamente mais desperdício, etc. (...)
Um movimento cada vez mais acelerado de caotização está a invadir o País, afetando as subjetividades. Ninguém sabe o que vai acontecer. Não se pode ficar inerte, mas não se sabe como agir (senão salvar o que de bom tem sido feito). Nem sequer há a certeza do caos futuro, com a esperança de uma dialética que faça nascer a luz das trevas. Este setembro "do nosso descontentamento" marca, talvez por muitos anos, o fim da esperança. Resta-nos a força de viver.

José Gil, O caos incertoVisão (30 Setembro 2010)
Fotografia: Gregory Crewdson

1 comentário:

Austeriana disse...

Tenho uma visão bem mais pessimista quanto às políticas e quanto à classe política portuguesas. Ainda ontem tive oportunidade de assistir à «discussão» de faca e alguidar no parlamento em que aqueles senhores, desde lerem o jornal e jogarem reversi na internet, até a camara chegar a outro que estava a cortar as unhas (as das mãos, pelo menos, vi - por este andar, qualquer dia até tiram a peúga para cortar as dos pés), atiram insultos mútuos sem tocarem sequer nas questões cruciais que atormentam o país. Uma farsa.
Com políticos destes, que políticas podemos esperar?