15 março 2010

O PEC, a crise e o túnel sem luz ao fundo


...O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?

A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições...

Ricardo Araújo Pereira (Aqui)

6 comentários:

Austeriana disse...

Sobre este assunto, li há pouco que uma das ideias "brilhantes" subjacente à estratégia do PEC é a seguinte: por cada conjunto de três funcionários públicos que se reformam entrará um para realizar o trabalho dessas três pessoas.
Ou seja: estamos, paulatinamente (ou talvez não...), a regressar aos tempos da escravatura.
Aliás, nos estatutos aprovados em Congresso social-democrata, a "lei da rolha" também já foi estatuída! São as novas tendências Primavera/Verão!

experimental disse...

Muito certo o que escreveu sobre as «vítimas» do PEC, as «costumeiras» vítimas habituais!...
À parte ideologias, a realidade é esta, porque são de facto o elo mais fraco.
Nela

César Ramos disse...

Austeriana,

Será a velha sina da moda da "tanga"!?

- E agora quanto a este túnel, ou funil, não é qualquer coisa parecida com uma maquineta(caríssima e inútil) enterrada - algures - no planeta,
para 'adivinhar' o princípio de todas as coisas?

O tal do "Big Bang"?

Ou, será o fim de todas as coisas... um qualquer "Big Bang"?

- Acho que, do que estamos a precisar é de... um "Bang Bang"!!

Contem comigo, bolas!

Voluntário!
César Ramos

Anónimo disse...

Austeriana

E não haverá (muitos) casos em que desses 3 que se reformam, 2 não estavam lá a fazer nada, ou quase nada?

Mariana Silveira

Paulo disse...

Austeriana, a ideia de que é um suposto excesso de funcionários públicos que agrava a despesa não passa de uma desculpa para a incapacidade de organização e de direcção da Administração. É a esse nível que devem ser atribuídas responsabilidades pela ineficácia do sistema (se a houver). Quanto à lei da rolha, vamo-nos apercebendo que é uma característica do "centrão". As usual...

Nela, concordo.É sempre mais fácil atacar os mais fracos.

César,o big bang vai chegar é certo. Talvez mais cedo po que se pensa. Mas, claro,quem vai sair aleijado nessa história vão ser "os mesmos".

Mariana, sem pretender ser porta voz da Austeriana, repito o que disse no primeiro comentário, os problemas de ineficácia da Adminisração Pública são da responsabilidade principal de que chefia e planeia a organização.
Cumprimentos.

Austeriana disse...

Apresento, desde já, desculpas por estar a responder a um comentário e por só o estar a fazer agora. É que só sou "meia" funcionária pública mas tenho andado com trabalho até à ponta dos cabelos.

Mariana,
Não sei se existem muitos casos como os que refere. Mesmo que tal corresponda à realidade, teremos que pensar que as generalizações são sempre muito injustas; que há uma gestão do trabalho dos funcionários publicos que os deixou/deixa «não fazer nada»; e, em última análise, que não devem ser esses e/ou todos funcionários públicos (as repercussões desta medida cairão sobre todos)o alvo de «penalizações», mas quem abriu concursos para mais pessoas do que aquelas necessárias ao(s) serviço(s).
A forma mais fácil e também a menos humanista é depachar três e contratar um.