09 março 2010

O perigo da história única e dos machos alfa

Confesso que os chamados "dias internacionais de" [qualquer coisa] não me empolgam por aí além. De resto, muitas dessas datas comemorativas trazem acoplada uma série de técnicas de marketing que apelam ao consumo de ocasião e me fazem descrer da eficácia "da coisa". Bem sei que por um dia, por um diazito apenas, a nossa atenção é canalizada especialmente para o tema em celebração. Mas quanto do conteúdo se dilui na superficialidade dos celofanes e laços com que se embrulha o presente?

Vem isto a propósito de eu ter recebido hoje, via email, num dia que já não é especificamente o da mulher, a indicação destes vídeos. Talvez por este facto eles tenham ainda mais força e sentido. Por serem vistos num dia qualquer.
São as palavras de duas mulheres que partilham, se não outras qualidades, pelo menos uma inteligência sensível, uma fina ironia e uma inegável paixão pela vida. São duas mulheres lindíssimas. Ambas escritoras. E só pelo facto de serem "contadas" é que as suas histórias ficam a dever à realidade.

Adorei esta bonita homenagem. Feita por um homem que, contrariamente ao que afirma, parece ligar, afinal, a estas comemorações. Obrigada, Paulo Mendes.

[Em baixo, à esquerda, podem facilmente accionar as legendas.]


2 comentários:

Zoninho disse...

estou cá com um sorriso... :)
sim, ligo a certas comemorações porque às certas pessoas que se esquecem de ser. tal é o que acontece comummente com algumas mulheres. infelizmente. por isso, mostro estes vídeos aos meus alunos e os incito a reflectirem sobre o que viram e ouviram. não sei se serve para alguma coisa, talvez sirva. mas o que gostei nestes dois discursos, além de serem pessoais, foi poderem ser escutados em contextos que não os de um dia internacional. por isso, acho que, sim, ligo a algumas comemorações. como disse a Maria Teresa Horta: "Uma mulher que não seja feminista é estúpida". obrigado pela lembrança, sinal de que gostaste!
um grande abraço

C. disse...

Paulo,
só entendo a "tirada" da Teresa Horta no seu contexto, se não é uma afirmação pateta. Se ser feminista é defender o feminino numa óptica de antagonismo ou luta contra o masculino, não concordo de todo. As coisas não são más ou boas, pretas ou brancas, tout court.
Se o feminismo for uma luta, por parte das mulheres, contra a descriminação, na defesa de todos os seus direitos como seres humanos, estamos de acordo. E isso deveria ser também uma luta dos homens. De todos, afinal. Nessa perspectiva também há homens muito estúpidos!
A grande questão - e dolorosa e de difícl análise - é o facto inegável de milhares e milhares de mulheres não poderem ainda viver como seres humanos no pleno direito da sua fala, do seu corpo, e das suas escolhas (pessoais e profissionais). Os vídeos falam disso. Quem detém o(s) poder(es), realmente?

Nunca gostei de rótulos, mas existem homens e mulheres; existem seres humanos que se identificam com o género feminino e outros com o masculino; existem seres humanos que levam uma vida à procura de si. E então? Não há lugar no mundo para toda a gente? Não há possibilidade de viver com, em vez de viver contra?
Deviamos aprender um pouco mais com a natureza de que fazemos parte. "A rose is a rose is a rose"
A rosa é sem porquê.

Abraço.