20 julho 2010

"eu não sei d'on' qu'ô vim, on' qu'ô tô, pr'onq'ô vô, e quem qu'ô sô"


Não deixo de me surpreender com a diversidade dos dialectos brasileiros (eu sei que deveria escrever dialetos..., mas lá irei, lá irei). Uma das primeiras expressões que eu aprendi do chamado português do brasil setenterional, foi "pedir penico", que significa amedrontar-se, mostrar-se fraco, fracassar.
Eu tinha um aluno brasileiro, miúdo pacato, educadíssimo, que usava o seu humor fino e inteligente, sobretudo em situações de impasse ou de algum constrangimento. A turma era grande mas pouco enérgica, culturalmente muito heterogénea, o que lhe dava, até, um certo encanto, mas que era, para mim, um desafio permanente.
Um dia, lá pelo meio do segundo período, numa fase de apresentação de projectos de leitura, a turma alvoroçou-se na escolha do aluno que deveria apresentar o seu projecto em primeiro lugar. Ninguém se decidia, nenhum queria, de facto, expor-se. Então o garoto soltou, entre um sorriso Colgate e uma gargalhada: está é tudo a "pedir penico"!
Foi a salvação. Gargalhada geral,  estava mais que decidido quem iria começar. E com direito à explicação, atempada e pertinente, da expressão desconhecida.

3 comentários:

relogio.de.corda disse...

É verdade! Às vezes,temos dificuldade em perceber o que eles dizem.
Eu hoje, não comento mais... lol. Abominável comentadora que eu fui hoje!!!! :) Até sempre

Nina Blue disse...

Muiiiito bom! Eu adorei, como carioca e filha de gaúchos, dei boas gargalhadas.
Valeu!

Keila Costa disse...

Adorei! Tão boas essas peculiaridades, essas espertezas das línguas, da linguagem....
Abraços