28 junho 2010

Tarde de domingo


- Olhem os patos... e o cágado, vá...
(Zé, tás a ouvir bem agora? Conta lá então...)
- Pai, o cágado tá morto?
(Não Zé, o que eu disse foi que os espanhóis tinham de fazer a oferta deles primeiro... É pá , se não, somos comidos pelos gajos do Porto, já sabes como eles são...)
- Pai, os peixes não comem o cágado?
(Não, pá... a nossa proposta foi clara, pomos lá o equipamento quando eles derem a entrada, só nessa altura.)
- Vocês não estão a dar atenção nenhuma aos bichos, caramba, não fiquem aí à sombra, venham ver os patinhos!
(Tou, Zé, desculpa, tenho aqui os miúdos a chatear... dizia eu que temos de garantir a entrada do primeiro pagamento...)
- Pai, o cágado não se mexe?
(Não, não e não. Nenhum material sai daqui antes de chegar a massa e o resto é conversa! Estou farto de ser lorpa....)
- Pai? Pai...
- Isto é um inferno!
(Desculpa um minuto, Zé.)
- Vocês não ligam nenhuma ao que eu digo e isso é uma falta de respeito. O Pai já disse para verem o cágado. Olhem pró cágado, chiça!... e prós patos...

Fotografia: Jardins da Fundação Gulbenkian, Lisboa

4 comentários:

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Ah , com o eu gostei , nem imaginas , é delicioso , uma maravilha .:)
Venha outra :)
abraço
zé marto
ainda estou a rir ...

clara disse...

Afinal o que aconteceu ao cágado?
Ah,Ah.
Com que então a ouvir as conversas em vez de ires ver os patinhos.

relogio.de.corda disse...

:) Haja paciência para os cágados, para os patos, para as tardes de Domingo, para os filhos e para os pais dos filhos! :):)

Paulo disse...

Zé Marto, delicioso também era o cágado a boiar, allheio à confusão. Abraço

Clara, o cágado boiava, tranquilo, a pensar na vida dele.

relógio, sobretudo para os pais...