27 agosto 2009

Espelho meu, espelho meu...





/155/ Há muitos anos um oficial do exército de ocupação, em Moçambique, disse-me, na parada, enquanto eu, perfilado, tremia de medo: "você, nessa cabeça tem só merda!" Eu acreditei!
Quando poetas me dizem: "o teu lugar é aqui, entre nós", como se alguém estivesse a tirar-nos uma fotografia, acredito logo.
Porque não sei o que pensar de mim, se vocês me desprezarem, sentir-me-ei desprezível; se me estimarem, estimável. Sou quem os que amo (ou detesto) pensam de mim. Pouco mais. Sublinhei algumas palavras para que vocês notem que não há uma sinfonia, um poema, sequer "aquela cartinha" que escrevemos a alguém que não sejam conduzidas por qualquer ideia. Temática. Insistente. Obcecante.

Sebastião Alba, in Albas, Ed. Quasi, 2003
Foto: R.Misrach
Música: Kate Bush & Larry Adler

3 comentários:

Austeriana disse...

Acho que o S. Alba tem razão: Toda!

Paulo disse...

Sábio, o Alba. Sem dúvida.

César Ramos disse...

O tal Oficial há muito terá concluído (?) que o nosso cérebro contém, temporariamente, o que os olhos vêem!... o que é que poderia ter na sua cabeça,... senão a imagem de quem estava olhando?
O oficial estava cheio de razão portanto! Você, estava mesmo cheio dele...