03 agosto 2009

Ver, Olhar e Sentir com Evgen Bavcar



É um artista de fotografia e é cego. Chama-se Evgen Bavcar .
Nasceu em 1946 na Eslovénia e deixou de ver aos 12 anos, depois de dois acidentes sucessivos.
Bavcar estudou História e Filosofia na Universidade de Ljubljana e Filosofia na Sorbonne.
Em Paris, iniciou uma carreira académica e intensificou a sua actividade fotográfica. Em 1988 foi nomeado Fotógrafo Oficial do Mês da Cidade Luz e a partir daí o seu trabalho tem tido grande divulgação, sobretudo na Europa.
O trabalho de Bavcar relaciona a visão, a cegueira e a invisibilidade: O meu objectivo é juntar o visível e o invisível, fotografar permite-me subverter a estabelecida divisão entre os que vêem e os que não vêem.
A imagem não é algo necessariamente visual: quando um cego diz que imagina, significa com isso que tem uma representação interna de realidades externas, que o seu corpo faz a mediação entre ele e o mundo.
Bavcar usa por vezes óculos que têm, no lugar das lentes, pequenos espelhos para que quem fale com ele possa ver o seu próprio reflexo e não se perturbe por falar com um cego...

8 comentários:

candida disse...

absolutamente extraordinário.

marteodora disse...

A fotografia é, apenas, uma representação do modo de ver/olhar de cada fotógrafo, perante a realidade. O visível e o invisível estão sempre lá, tanto para os cegos como para aqueles que vêem, isto porque, não vemos todos as msmas coisas, não interpretamos a realidade ou as realidades da mesma forma.
A carga pessoal que transportamos, advinda das experiências vividas, da qual somos compostos enquanto seres pensantes, molda a maneira como nos expressamos. Somos,como alguém já disse, prisioneiros do nosso corpo.
Que eu vejo o que os outros não vêem quando faço uma fotografia e vice-versa faz parte daquilo que consideramos banal. Agora que um cego (que, de facto, nada vê) consiga ver e representar pela fotografia o que cada um de nós (que vemos, mesmo)não vê, é absolutamente maravilhoso.
Não me espantaria, desta forma, se o caso se desse nas áreas da literatura, da pintura, do desenho, da escultura, ou até do cinema. Aí parece-me que há todo uma manancial, proveniente da imaginação, pronto a tomar forma.
No caso da fotografia, o que para mim é espantoso é concluir que, na realidade, "cego" Bavcar não será. Magicamente, torna o invisível em visível e nesse particular, não há limites para a imaginação.

Anónimo disse...

"O essencial é invisivel ao olhar..."
Maravilhoso...
Fantástico mesmo....
CM

Paulo disse...

Candida, CM, obrigado pela vossa sensibilidade. marteodora, agradeço o seu excelente comentário.Creio que a importância de Bavcar é exactamente o ponto que assinala: a maravilha que é haver alguém que não "vê"como nós, consegue fotografar a realidade como a vê (com o corpo, o cheiro, a audição... a sua sensibilidade). Acho que reforça de forma especial o que vc diz no início "...uma representação do modo de ver / olhar de cada fotógrafo".Vc não disse (e bem) daquilo que o fotógrafo vê. Bavcar vê assim. Ainda bem, é um outro olhar. Como diz o outro, "cego é quem não quer ver ...". Cumprimentos

Marta disse...

é incrível, Paulo! obrigada por dar a conhecer este olhar.

Austeriana disse...

Paulo,
Este post é fabuloso!
Estou a trabalhar (quer dizer... era suposto estar de férias...) numa comunicação, que irei apresentar em Outubro,sobre a produção artística enquanto extensão do corpo do artista e este seu post é interessantíssimo. Gostaria muito de o citar mas, obviamente, só o farei, se me autorizar. Se, por qualquer motivo, não o permitir,
paciência :(
mas gostava muito de o fazer...

Muitos parabéns!

Paulo disse...

Marta, obrigado sou eu pela visita. Asturiana, fico muito contente por saber que o meu post lhe pode ser útil. Utilize-o como melhor entender (mas se seguir os links vai encontrar informações mais profundas!)... e, depois, conte como foi:):)Boa sorte para a comunicação.

Austeriana disse...

MUUUIIITTTO Obrigada! Referirei o blogue, o post, o autor e vou "cavar" as pistas fornecidas.
Bem-haja.
Aproveito para dar os parabéns à marteodora pelo comentário.