03 dezembro 2009

Dudamel, fruto da Utopia



Nos anos 70 o maestro venezuelano José António Abreu iniciou um profundo trabalho cultural, criando orquestras nas zonas muito pobres de Caracas, de forma a promover integração social a jovens excluídos. Os resultados positivos foram tão grandes que hoje há cerca de 250000 jovens abrangidos por esta exemplar intervenção social e política (El Sistema).
A Orquestra Simón Bolívar é a face mais visível deste programa e a presença do maestro Gustavo Dudamel, ele próprio um "produto" deste programa, dá-lhe uma dimensão e visibilidade planetária.
O "Sistema" na Venezuela , que é, há 34 anos, uma rede de ensino musical gratuito após o horário escolar, com fornecimento de instrumentos, levou ao aparecimento de 30 orquestras profissionais (havia 2 antes do "Sistema" ser criado).





Gustavo Dudamel, foi retirado à rua pelo Sistema e é considerado um dos maiores maestros da actualidade. A forma como conduz as orquestras, sobretudo a "sua" Sinfónica Simon Bolivar, alia uma alegria contagiante com uma competência que o faz ser disputado pelas melhores Sinfónicas de todo o mundo.
Ontem ao fim da tarde dirigiu a Orquestra Juvenil Ibero-Americana, na Gulbenkian. Um concerto cujos lugares não foram suficientes para todos os interessados.

6 comentários:

Austeriana disse...

Excelente post.
Anda por aí tanto "copy/paste" tecnológico, como é que não conseguem copiar exemplos destes?!
Abraço.

Paulo disse...

... e nós a vendermos Magalhães aos Venezuelanos, como se estivessemos a ensinar-lhes a modernidade.

Maria disse...

A ideia agora é reproduzir o modelo no nosso país.

não é para rir. ok, vamos rir um bocadinho.
agora a sério, já foi criada a primeira orquestra - composta por crianças e jovens oriundos de um meio social mais desfavorecido (Lisboa), orientada precisamente por um músico venezuelano. o primeiro concerto foi apresentado na Gulbenkian - eu não assisti, mas um amigo esteve lá e veio maravilhado.
e se pensarmos na equipa que montou há poucas décadas a rede de bibliotecas públicas (o projecto parecia impossível!), talvez possamos acreditar na disseminação do conceito das orquestras venezuelanas. uma rede de orquestras lusas!
talvez.

Eu sei que o ensino artístico em Portugal está a anos luz do da Venezuela. meu deus, eles fazem cinema de animação no 1º ciclo! eu vi filmes que escolas secundárias enviavam para concorrer em festivais internacionais! (é claro, filmes que promoviam "nuestro presidente". quand même...)

Enfim, parece-me que pelo menos a ideia da rede de orquestras já anda no ar. vamos ver se a abraçam de facto.

ah, eu gosto do Magalhães. só lamento que... só exista o Magalhães.

Paulo disse...

Maria, oxalá...oxalá as coisas não fiquem pelo caminho. O exemplo que aponta das bibliotecas públicas é isso mesmo, um bom exemplo.
Quanto ao Magalhães, não me referi ao dito propriamente, mas à pesporrência que me pareceu existir nalguns meios sobre a modernidade que íamos levar à Venezuela. Obrigado.

Austeriana disse...

Não coloco a questão em termos de gostar ou não do Magalhães. Aliás, se formos por aí, gosto tanto do Magalhães como de qualquer outro instrumento informático.
O problema é o das prioridades. Não me parece que a familiaridade "precoce" com as TIC seja mais importante que o contacto com as artes no universo escolar.

Paulo disse...

Austeriana, concordo... e insisto, sinto algum "novoriquismo" nesta ideia das novas tecnologias. A música é tão simples e formativa.