21 dezembro 2009

Hipátia de Alexandria

Hipátia nasceu em Alexandria por volta de 370 D.C.. Era filha de Theon, um matemático conhecido e respeitado.
Estudou em Atenas durante a adolescência e, quando voltou à sua cidade, tornou-se professora da Academia de Alexandria. Dedicava-se à matemática, à filosofia e à astronomia.
Vivendo numa época de grandes controvérsias e numa cidade que estava no centro de grandes debates religiosos, defendeu sempre o aprofundamento do conhecimento e ensinou os alunos a não permitirem que a crença fosse impeditiva da evolução da ciência.
Criou alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia e desenvolveu fundamentadas críticas à teoria Geocêntrica de Ptolomeu, que considerava a Terra o centro do Universo em torno da qual rodavam todos os outros corpos celestes.
A obra de Hipátia, ou Hipácia, foi practicamente toda destruída com a Biblioteca de Alexandria.
O seu drama foi o de ter vivido num tempo de ascenção da intolerância e do obscurantismo nos lugares onde antes floresciam o pensamento e a cultura. Era uma intransigente defensora da liberdade do pensamento e do culto da dúvida num tempo de dogmatismo e ortodoxia religiosos.
Por ensinar que o Universo era regido por leis matemáticas, por ser livre e por ser mulher, foi considerada "herética" e condenada à morte por um bispo cristão que fora seu aluno na Academia.
Atacada na rua, foram-lhe arrancados os braços e as pernas e o seu corpo queimado numa pira .
O bispo Cirilo, mais tarde santificado, terá considerado que, assim, o Sol andaria à volta da Terra e tudo ficaria no seu lugar.

O filme Ágora, recentemente estreado, é uma fantástica narrativa que homenageia esta mulher, a filosofia e o pensamento livre.


5 comentários:

clara disse...

Há pessoas fantásticas, parece que vieram de outros lugares mais evoluídos, como Hipátia, Ptolomeu, Galileu, Ghandi, Mandela, Obama, Camões, Pessoa,Padre António Vieira, Leonardo, Cristo. E tantos heróis anónimos que ficaram perdidos, para sempre, no anominato.

Ser mulher e diferente era sinónimo de feitiçaria e a inveja e misoginia faziam o resto.

Austeriana disse...

Ouvi e vi há dias, na SicNotícias,João Lopes, o crítico de cinema que me habituei a apreciar na TSF, tecer rasgados elogios ao filme aqui referido.
A história e os temas que aborda parecem-me extraordinários e o trailer entusiasma.
Felicito-o pela divulgação.
Tenho que dar um salto ao cinema!
Obrigada pela sugestão!

Paulo disse...

Clara, é sempre o poder. Ou, o medo de o perder e a fome de o ter.
Austeriana, obrigado. Vá ver o filme, sim. Estou certo que ficará fascinada. Há quem diga que, sem a destruição da Biblioteca de Alexandria, já haveria homens em Marte. O facto do realizador centrar a narrativa em Hipatia faz todo o sentido como verá.

Ana Paula Sena disse...

Tenho que ir ver o filme! A minha filha já foi e ficou impressionada com ele, só falava da Biblioteca de Alexandria e da terrível perda que representou para a nossa civilização.

Quanto a Hipatia, uma mulher magnífica que merece bem uma grande homenagem.

Obrigada, Paulo.

Boas Festas e um abraço natalício :)

Anónimo disse...

Agradeço a sugestão..
Vou ver o filme na primeira oportunidade, e acho que vou gostar muito, pois considero a temática apaixonante.
CM