02 setembro 2009

como que uma cadeira sentada

A música vinha duma mansidão de consciência
era como que uma cadeira sentada sem
um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo
nada faria prever que o vento fosse de azul para cima
e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante
era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa
nós não movimentamos o espaço mas a vida erege a cifra
constrói por dentro um vocábulo sem se saber
como o que será
era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante
silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.

(António Gancho )

4 comentários:

clara disse...

O medo que as pessoas têm do divino, quando o divino não é poder, mas ser.

Paulo disse...

Clara, o teu comentário não é um comentário; é a sintese de tudo quanto eu queria que o post significasse. Fizeste, mais uma vez, um lindo poema. Obrigado

Austeriana disse...

Este post reune uma miríade de questões essenciais!
Nem sei por onde começar... Lembrou-me logo, Stilman Junior (de The New York Trilogy), confinado a um quarto, durante 13 anos; Ben Sachs (de Leviathan), quando disse que preferia estar preso, porque essa era a única condição que lhe permitia a concentração necessária para pensar; a concepção de que a bipolaridade encontra lugar de pertença na criação artística; etc...
Este comentário já está longo demais! Só posso dar-lhe os parabéns. Nem encontro adjectivos...

Paulo disse...

Austeriana, muito obrigado pelo seu comentário. Os exemplos que deu são interessantíssimos para quem acha este tema estimulante. As suas palavras são também um desfio. Também por isso as agradeço. Bem haja