02 novembro 2009

À Espera De Godinho


Enquanto estamos à espera de Godinho, porque nos faz muita falta, nomeadamente,para animar os telejornais, para incentivar o fabrico de luvas em fábricas à beira da ruptura, para distraír os juízes que têm férias a mais, para animar lixeiras a céu aberto de resíduos tóxicos, para apressar a construção do TGV, já que vai recolhendo carris envelhecidos tão úteis à alta velocidade,para melhorar a recolha de inertes nas praias, a fim de, numa jogada genial, aproveitar o buraco resultante e construir piscinas radioactivas ecológicas, com vista à construção de resorts de luxo para o Vale De Azevedo poder ser importado de Londres, porque temos cá falta de larápios com pinta, enquanto esperamos ansiosamente por Godinho, eu ando a caçar um rato que me entrou pela varanda e se escondeu atrás de um sofá. Já pensei em chamar a Protecção Civil, mas tenho medo que me apareça de Vara em punho e, assim, queira assassinar o pobre ratito, ou atirá-lo pelos Penedos e provocar mais um desastre incontornável.
Enquanto esperamos por Godinho...amigos, continuem este brilhante texto...vá lá, é um desafio, fico à espera.

7 comentários:

António disse...

Provavelmente depois de mais três anos de investigação, depois de mais dois anos de espera de novo julgamento porque o primeiro tinha erros processoais, depois de mais dois anos à espera de novo juíz porque o primeiro estava de baixa em lista de espera a aguardar por uma cirurgia a um calo do dedo mindinho do pé esquerdo, surge finalmente a sentença: a culpa da espera do Godinho é do perigoso ratinho que tirou a tranquilidade da Clarinha, perturbando o seu descanso. Todos os elementos arguidos que estavam à espera do Godinho e dos seus envelopes são obviamente inocentes e o Godinho deverá ser proposto para comendador.
O ratinho, irresponsável, deve ficar de cana.

clara disse...

Muito bem, António, um excelente texto, promissor de uma justiça firme e célere.
Quanto ao ratinho, claro, como é pobre, vai preso.
Obrigada pela participação, esperamos mais.

Paulo disse...

O Medina Carreira -espelho e eco do portugal profundo- disse há pouco na TV que (cito)"vocês andam muito entusiasmados a fazer tan tan tan com este processo e todos sabemos que isto não vai dar em nada, mesmo que chegue a tribunal, vai tudo prescrever". Antes, a Procuradora Adjunta, Cândida Almeida (a que parece - felizmente- fora do processo), disse no mesmo noticiário que (cito)"vamos lá a ver se não vamos aqui encontrar nenhum polvo..."
Entre as convicções do país profundo e os desejos (ocultos) dos próprios responsáveis por destruir o polvo, acho que o melhor mesmo é preocuparmo-nos com os ratitos que (todos) temos na sala e não esperarmos por Godinho.
:):):)

clara disse...

Esperemos que não,Paulo,vamos torcer para que, desta vez,os maus sejam punidos, como nas histórias que nos contavam.Em algumas, porque noutras, não.
Lembras-te como eram as fábulas? Quem ganhava era a raposa matreira, já nesse tempo.

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Clara ,e se as raposas forem os caçadores ,?
abraço
______ JRMARTO

clara disse...

Isso ainda é mais subtil e perverso, isso é fantástico, Zé.Na mouche, parabéns!

Eunice disse...

Nosso Senhor dos ratinhos nos acuda!
Neste andar, com os larápios à solta em Portugal e nas Franças e Araganças ninguém se livra de ficar a dormir debaixo da ponte "...Mirabeau coule la Seine" ou em português sob a ponte 25 de Abril, que é nome de Liberdade. É! Liberdade de roubar para tantos!
O texto da Clarinha está um "pitéu"!