20 novembro 2009

O Meu País


O que fizeram ao meu país?
A sério. Sinto-me perdida.
Gostava de ser militar de Abril.
A sério, apetecia-me fazer uma revolução.
Uma revolução pacífica, como a outra, com cravos , ou com rosas, sei lá, com malmequeres, com crisântemos.
Mas uma revolução, por favor, que nos devolva a esperança.
Vamos fazer uma revolução?
A sério, eu preciso mesmo.

16 comentários:

Frei Abraan de Aldeia Rica disse...

Clara, gostei do teu poema-grito de revolta.
Por enquanto não precisamos de Militares de Abril ou de Novembro. Basta que usemos bem as "armas" que eles nos legaram.
Foi bom ler o teu Poema.
Foi bom saber que mais alguém quer a revolução, pacífica, sem sangue, na ponta do nosso voto.

Anónimo disse...

Precisamos sim de uma "revolução" que nos devolva:
- a honaribilidade da "palavra de honra",
- o cumprimento do contrato firmado com "um aperto de mão",
- a solidariedade com o "vizinho do lado",
- o beicinho da criança a quem dissemos "não pode ser" em vez das enormes birras de falte de educação,
- o dever de ensinar aos filhos o respeito pelo "mestre escola"
- o verdadeiro sentido de sermos "pessoas de verdade...

Hanna

clara disse...

Zé, Hanna, porque gostamos do País é que temos que tomar conta.
Como se faz? É também assim, com a nossa opinião.
Obrigada por ajudarem, por estarem atentos.
Se começarmos por nós, ao sermos justos e verdadeiros, já será a nossa revolução interior.

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

TEmos de a fazer já Clara , falta-nos pouco tempo , hoje já estamos a 20 de Novembro... Como é que vamos fazer com tão pouco tempo ? Uma semana , nem tanto !
Abraço
_________ JRMARTO

César Ramos disse...

Abril já não tem militares de jeito! Aliás, no dia 26 já estaria tudo deturpado, mas não choremos sobre leite derramado...!

Deixemos a tropa para o 'paint-ball'... no estrangeiro!

A revolução é para civis armados de civismo! Não percamos a compostura; muito menos a cabeça!... a revolução é a n/atitude de não nos deixarmos enganar com a demagogia, a mentira soez, e as manobras tendentes a que a nossa terra volte ao passado!

A revolução somos nós...! E temos
de ser missionários da política, galvanizando os que acham que ela é só para políticos!

Não tarda, volta a 'conversa' de que a n/ política é o trabalho...!

Também é, mas o problema é bem mais vasto,... a demissão das n/s responsabilidades estão a conduzir-nos ao esvaziamento das almas sem ideais... e, é com eles, que a máquina andará, sem ser preciso que puxem por nós... à espera que sejam os outros a avançar!

Ainda bem que houve Poema!... é arma muito importante! e é preciso muito mais!... a poesia empolga os ânimos, é sangue das revoluções!

Não sou poeta, nem lunático! Acredito é no meu Povo, e quero muito ao Nosso País (...)

Obrigado

César Ramos

TERESA SANTOS disse...

Clara,

Partilho dessa opinião de há um tempo a esta parte.
No meu blog sempre que posso procuro "apontar o o dedo" àquilo que considero ser urgente mudar.
É urgente repor valores que se vão perdendo a cada dia que passa, cada vez mais e mais. Valores como a honra, o respeito pelo outro, o respeito pela cidadania, a educação (das crianças e não só!), a dignidade, a solidariedade.
Sem guerra, sem revoluções, sem armas, com os direitos de que dispomos, lutemos pela devolução da dignidade do nossos País.
Abraço.

clara disse...

Zé, César, então já somos cinco.
"Venham mais cinco",dizia o trovador.
Estamos fartos de ser enrolados por telejornais e comunicados, entrevistas e comentadores.
Estamos cansados de advogados manhosos e do pântano legalista.
É preciso avisar toda a gente, porque senão, eles comem tudo.
Não costumo gostar deste género de discurso, mas no caso, não há escolha.
Obrigada pela participação.Um abraço.

clara disse...

A si também, Teresa, obrigada.

Paulo disse...

Sinto que fazeis uma análise errada da correlação de forças e não há nada pior para o sucesso da revolução do que uma vanguarda desligada das massas.
Creio que, enquanto vanguarda dirirgente, estais com um desvio aventureirista (ainda que legítimo, dada a vossa origem pequeno burguesa), só que a vossa pressa pode levar ao insucesso. Mas - como dizem os Deolinda - vão indo,que eu vou lá ter depois.

Agora, num tom mais sério, recoloco um texto que foi post no Marcas em 10/9/2009:
"Daqui e dali, isto é, de todas as zonas revolucionárias na história salta o ódio feroz das classes inferiores contra as superiores, porque estas tinham reservado em coutadas a caça. Isto dá-nos a medida do apetite enorme que eles, os de baixo, sentiam por caçar.
Uma das causas da Revolução Francesa foi a irritação dos camponeses porque não se lhes permitia caçar, e por isso um dos primeiros privilégios que os nobres se viram obrigados a abandonar foi este.
Em todas as revoluções, a primeira coisa que fez sempre "o povo" foi saltar as cercas das coutadas e demoli-las, e em nome da justiça social perseguir a lebre e a perdiz."
José Ortega y Gasset, Sobre a Caça e os Touros, Ed. Cotovia 2009

C. disse...

Ora aí está Paulo, e é como eu leio o Ortega & Gasset:
começamos a ver, com muita pena, para que "povo" foi feito o 25 de Abril. Como é difícil viver com um amor infeliz!

clara disse...

Paulo, estás com um discurso...direi, han...extremista? Decadentista?Han...nihilista?
Então e "Que Faire'". Mas entendo-te. Cansado da guerra.
C.Obrigada,estás incorporada neste batalhão.

António disse...

À Guerrilheira Clara
Quem fez as leisinhas e leisonas que protegem as corjas? Quem está normalmente por detrás das corjas?
Quem tem nas mãos a "informação e imprensa livre" que manipula e compra a informação que devia estar em segredo de justiça e que normalmente só beneficia as corjas? Quem normalmente vai à TV e Rádio fazer de Nuno Rogeiro, digo comentadores, acabando por dar razão às corjas "porque Portugal é um estado de direito" e por isso há o direito de roubar, perdão, de corromper e ser corrompido,porque o que é preciso é cumprir a lei, normalmente aprovada ou feita aprovar palas corjas. E lá voltamos ao princípio. Leis de protecção das corjas, com milhentas vírgulas e escapes.
Mas gostei muito do que disse o Anónimo que assina Hanna. Essa é que é, juntamente com a da Clara a verdadeira revolução, das mentes e da atitude social. Sem moralismos (falsos).
Já estou a escrever demais e ainda me chamam ditador.
Beijinhos para todos

clara disse...

Pois é, António, também tens razão. No fundo, todos nós, com o nosso voto, ou com a nossa passividade, contribuímos,ainda que inconscientemente, para o estado de impunidade que grassa na nossa justiça e na sociedade.
Por isso mesmo te agradeço a participação, porque é urgente que se forme uma opinião pública vigorosa, a fim de alertar e obrigar a uma mudança.
Se cada um começar a tentar fazer um pouco que seja, todos juntos vamos conseguir.
Isto, é claro, se um dia não se lembrarem de silenciar ou condicionar a net, um instrumento poderoso de denúncia.

César Ramos disse...

Clara,

Desculpe vir de novo a terreiro para dizer que tem mais culpa quem não participa em nada, do que quem vota!
Qualquer dia ainda teremos governos apurados em eleições com percentagens de coisa nenhuma!
Perdi a paciência! Cada vez que encontro alguém c/conversas derrotistas tipo "a m/política é o trabalho..." leva comigo em grande!
Esta é a maior corja que anda a emperrar o sistema e as instituições democráticas...! Se começarem a ser gente, penso(tenho a certeza) que tudo mudará de figura.
A Clara lembrou bem: "... como dizia o trovador"!
Calaram estas vozes e agora só se ouvem chachadas!
Cada vez mais, a receita de Salazar está à mesa: Futebol, futebol, futebol... e a Selecção (quero lá saber da Selecção se esta malta vê na Bandeira um clube e no País um Estádio!).
Venham mais trovadores... mais cinco,... cinquenta,... muitos! porque desde há muito, que é preciso voltar à rua gritar... é preciso avisar toda a gente...

Abraços
César

clara disse...

César, concordo, eu sempre votei, apesar de tudo, ainda é uma arma.
Mas anda um movimento na Europa pelo voto branco, no seguimento do livro de Saramago, e não só. Dizem os que defendem o não voto que é a única forma de encravar o sistema. Talvez, mas acho perigoso, abre o caminho a ditadores.
Obrigada de novo pela participação.

lenço de papel; cabide de simplicidades disse...

Gostei muito deste poema seu. Parabéns!