01 novembro 2009

E o velho Tejo beija a cidade enamorada


O terramoto que, no dia 1 de Novembro de 1755, abalou a cidade de Lisboa, foi um dos mais destruidores de sempre. Um quarto dos cerca de 250 000 habitantes pereceu e cerca de 30 000 habitações ruiram. Lisboa era, no séc. XVIII, uma das cidades comerciais mais ricas do mundo.
O inquérito do Marquês do Pombal, enviado a todas as paróquias do país para apurar a ocorrência e efeitos do terramoto, foi a primeira iniciativa de descrição objectiva no campo da sismologia, razão pela qual o estadista português é considerado um precursor dessa ciência.



É impressionante que os 35 arcos que constituem o Aqueduto, habitual paisagem do quotidiano lisboeta, tenham sobrevivido intactos. Afirma quem sabe, que ficam situados na junção de duas placas do Cretácio Superior, muito perto de uma falha sísmica, a de Campo de Ourique. Por isso se diz que quando alguma coisa escapou, como por milagre, “foi resvés Campo de Ourique”.
As causas geológicas do terramoto e da actividade sísmica na região de Lisboa são ainda motivo de debate científico, mas existem indícios geológicos da ocorrência de grandes abalos sísmicos com uma periodicidade de aproximadamente 300 anos.



Imposta pelo Marquês de Pombal, ministro de D. José, a reconstrução de Lisboa tornou-se uma prioridade imediata. Seguindo um modelo iluminista, esta “nova” cidade constituiu uma das mais audaciosas propostas urbanísticas da Europa da época. No então novo centro da cidade, hoje conhecido por Baixa Pombalina, encontram-se os primeiros edifícios, a nível mundial, construídos com protecções anti-sísmicas, que foram testadas em modelos de madeira, as chamadas "gaiolas pombalinas". Essa reedificação contou com alguns maçons operativos, entre os quais o arquitecto húngaro Carlos Mardel, pertencentes à Casa Real dos Pedreiros-livres da Lusitânia, primeira estrutura maçónica especulativa portuguesa.
Nesta nova Lisboa reconstruída:
**as ruas passaram a ser largas, com um traçado geométrico e com passeios calcetados;
**as casas foram construídas todas da mesma altura (4 ou 5 pisos), com fachadas iguais e com uma estrutura que resistia melhor a possíveis novos sismos. Para tentar evitar futuros incêndios, as casas assentavam em estacas de madeira que mergulhavam nas águas do subsolo e, entre os edifícios, fizeram-se muros (os corta – fogos) para evitar a propagação das chamas;
**construiu-se uma rede geral de esgotos, acabando com o velho hábito dos despejos lançados pelas janelas;
**o Terreiro do Paço deu lugar à actual Praça do Comércio, homenagem do Marquês de Pombal aos comerciantes que, com o seu dinheiro, ajudaram a reconstruir a cidade.



O terramoto provocou um efeito ciclópico também ao nível das mentalidades. Por um lado, assistiu-se à tendência generalizada para interpretá-lo como uma determinação divina, provocando na população um sentimento de expiação perante um castigo do Altíssimo. Por outro lado, defendidas por algumas correntes do pensamento iluminista, surgiram outras interpretações, que encontraram nas causas naturais a justificação para tão terrível acontecimento, considerado como um dos que tiveram maior impacto mediático em todo o mundo.

(Texto construído a partir de várias fontes )

5 comentários:

marteodora disse...

Bela lição de história.
Recordei-me, com saudade, das minhas aulas de urbanismo, em Coimbra:S

branca5 disse...

Vou fazer uma fotocópia desta lição de história e vou dár a cada um dos netos tenho a certeza que lhes será útil.Bom trabalho stoure......beijinhos

Austeriana disse...

Tinha uma ideia vaga do acontecimento e das medidas tomadas pelo Marquês, mas desconhecia a maior parte das informações aqui fornecidas.
Gosto muito de passear por Lisboa e vou recordar este post quando o voltar a fazer.
Muito obrigada.

C. disse...

Marteodora,

que bom ter ajudado a recordar coisas boas!

Beijinho
____________________
Branca,

ainda bem que um simples post pode ser útil aos "pequenitos".

beijinho aos dois
____________________
Austeriana,

Tive o mesmo pensamento quando li os artigos sobre o terramoto - alguns locais de Lisboa vão parecer-me, agora, ainda mais significativos.

Eu é que agradeço a sua visita, bem como o seu "trabalho" lá no "bichocarpinteiro".

Beijinho

clara disse...

Foge, já passaram quase trezentos anos, foge!Eh,eh...brincadeira.
Já pensaste nas luvas que devem terpago os reconstrutores para serem os escolhidos? Eh,eh, brincadeira, O Marquês foi um homem notável, mas também tirou vantagens. Dizem as más línguas que pôs a família toda nas empresas de reedificação...