10 novembro 2009

Rosas de Portugal


D. Isabel, a mulher de D. Dinis, ocupava todo o tempo que tinha a fazer bem a quantos a rodeavam, visitando e tratando doentes e distribuindo esmolas pelos pobres.
Conta a lenda que o rei, que tinha muito mau génio apesar de ser também bondoso, se irritou por ver a rainha sempre misturada com mendigos, e proibiu-a de dar mais esmolas.
Certo dia, viu-a sair do palácio às escondidas, foi atrás dela e perguntou-lhe o que levava escondido por baixo do manto. Era pão para distribuir pelos pobres. Mas ela, aflita por ter desobedecido ao rei, disse:
- São rosas, Senhor!
- Rosas? Rosas em Janeiro? - duvidou ele - Deixai-me ver!
De olhos baixos, a rainha Santa Isabel abriu o regaço e o pão tinha-se transformado em rosas, tão lindas como jamais se viu.



(Do antigo livro de leitura da terceira classe, onde se ensinava às crianças as raízes de Portugal)

6 comentários:

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Achei insinuante , cheio de subtileza e de bom humor , fui conduzido pela imagem, pelo texto e naturalmente pela etiqueta . Estarei certo ? Acho que sim , mas não condicionar ninguém .
Abraço
_________ JRMARTO

marteodora disse...

Diria a minha avó: QUEM CABRITOS VENDES E CABRAS NÃO TEM, DE ALGURES VEM!

Marta disse...

e por falar em livros de leitura, Paulo, acabei de encontrar o meu :)

e estou feliz :)

clara disse...

Que dizer, é subtil, de bom gosto. O que estará nos sacos? Cartas de amor? Chocolates Contradanças?Já sei,teses de doutoramento da Independente, ou Lusófona(parece que houve agora outro rapaz que, francamente se licenciou com 18.Já foi vereador da Câmara de Lisboa. Tinha o 9ºano. Nada mau, novas oportunidades.

jP disse...

uma historia que nao se esquece

cumps

Paulo disse...

Zé Marto, estás certo (por "supuesto")... os milagres, seja da multiplicação dos cursos, seja do escuta-me e andas, seja agora o da entrega-de-um-saco-de papel-num-parque-de-estacionamento- que-afinal-não-era-nada, são a prova de que o extraordinário acompanha os portugueses pelo menos desde o tempo de D.Dinis.
marteodora, era uma mulher sábia e, assim, nunca aceitaria estar no supremo tribunal de justiça a fazer fretes.
Marta, bem vinda (com os livros todos).
Clara, novas oportunidades ou a crença em milagres como forma de superar dificuldades. Assim nos dizem ter sido construído Portugal. Felizes (parece) os que assim pensam e agem.