03 agosto 2012
(somos) escritos no tempo
02 agosto 2012
Com o Infinito nas mãos
Tarefas Infinitas, Quando a Arte e o Livro se Ilimitam
(Fundação Calouste Gulbenkian,o livro como lugar de uma expressão estética única).
Imagem: "Les Illuminations", Sonia Delaunay,1885-1979; Arthur Rimbaud, 1874-1891
11 junho 2010
Olhar

Olhar esta pintura de Darocha, de há tanto tempo, 1965, creio, e encontrar já os traços que nele são tão particulares, os brinquedos com que enche a tela, coisas que ninguém ousaria juntar.
19 abril 2010
A expressão das emoções

Tal como Proust disse: a nossa vaidade, as nossas paixões, o nosso espírito de imitação, a nossa inteligência abstracta, os nossos hábitos estão em actividade há muito tempo e a tarefa da arte é desfazer essa actividade, fazendo-nos recuar na direcção de onde viemos para as profundezas onde o que existiu verdadeiramente permanece desconhecido dentro de nós.
Alain De Botton, Como Proust pode mudar a sua vida, D.Quixote, 2009
22 dezembro 2009
Bom Natal
05 dezembro 2009
E como seria... se uma casa sonhasse?
21 novembro 2009
O corpo como objecto de design
O tema tem ali algumas intervenções muito interessantes, como a de Leonel Moura: Criatividade Artificial; Miguel Chevalier: Flores Fractais ou Philip Ross: Plantas Cibernéticas, todas em torno da utilização dos avanços tecnológicos na criação artística.
Outras obras são, no mínimo, inquietantes, como a de Sterlac, defensor da ideia de que o corpo já não é só um espaço de expressão de ideias ou intervenção social, mas passou a ser também uma estrutura modificável ("the body not an object of desire but an object of designing"). É dentro deste conceito que surge a sua última obra, ainda inacabada, de criação duma terceira orelha no antebraço esquerdo. Quando terminada, esta orelha terá um equipamento que, por bluetooth, coloca na internet todos os sons por ela "ouvidos".
24 julho 2009
Prelúdio matinal
O criador da nova composição nas artes é um fora-da-lei até que ele seja um clássico.
Gertrude Stein
16 junho 2009
Encanto

A música é a única arte que nos causa uma profunda inquietude: donde vem "aquilo"? A técnica nada explica.
Um grande músico italiano,Puccini,deu a uma ária das suas óperas, a Tosca, o título: Recôndita Harmonia. Acertou em cheio. Deus nunca existiu, minha querida! São pesoas como eu e tu (desde que estudes até desfalecer) que dão um sentido à vida.
Sebastião Alba, in Albas
Recondita armonia
di belleze diverse!...E bruna Floria,
l'ardente amante mia.
E te, beltade ignota, cinta di chiome bionde!
Tu azzuro hai l'occhio, Tosca ha l'occhio nero!
L'arte nel suo mistero
le diverse belleze insiem confonde:
ma nel ritrar costei
il mio solo pensiero,
ah! il mio solo pensier, sei tu,
Tosca, sei tu!
(Luciano Pavarotti)
18 abril 2009
"...Com mãos tudo se faz e se desfaz..."
E quem dirá
- seja qual for o desencanto futuro -
que esquecemos a magia,
ou que pudemos atraiçoar
na terra amarga
a macieira,
a canção
e o ouro?
Thomas Wolfe
in Herberto Helder,Poesia Toda [As Magias, poemas mudados para português], Assírio & Alvim, 1990
06 março 2009
Figurações do olhar
In memoriam -Vieira da Silva, falecida a 6 de Março de 1992. Teria agora cem anos. A música é de Sérgio Assad.
Maria Helena não tem a simpatia pronta, por isso as entrevistas que dá embatem contra uma superfície lisa, um espelho onde tremem reflexos, onde se procuram teoremas. O repórter tenta desdobrá-la como um pano cuidadosamente enrolado, e sucedem-se os espaços neutros e, de certa maneira, as evasivas. Ela não confia nesse intuito de divulgação, porque o espírito humano não se divulga. A paz e o sofrimento não se divulgam; são fluidos depois de usados, e, no momento em que se praticam, não têm rosto e, assim, não se podem descrever.
É raro que as pessoas tenham esse respeito pelo essencial. Costumam escapar ao essencial e ocupar-se pormenorizadamente do acessório. E a vida parece nelas um tumulto de confabulações e artes, sem nada de resistente ou de culto. Aproximamo-nos da Maria Helena e ela pode olhar-nos como se fôssemos um objecto mais ou menos preciso mas que não atrai a curiosidade nem o afecto. Mas se tocamos esse registo do essencial, se houver em nós um risco, um alarme, ela actua e torna-se de repente incansável; algo mais do que amizade e incorrupção da aliança humana surge, como uma flor.
Agustina Bessa-Luís
Longos Dias Têm Cem Anos - Presença de Vieira da Silva, INCM, 1ª edição,1982
05 março 2009
A sedução da cor
No vale do Omo, Etiópia, a 800 Kms de Adis Abeba, perto da fronteira com o Quénia, existe um dos locais mais selvagens do continente africano. Aí se encontram várias tribos - Surma, Mursi, Hamer e outras - em que homens, mulheres, crianças e velhos são verdadeiros génios na arte da decoração corporal. Durante seis anos, Hans Sylvester fotografou alguns desses extraordinários corpos–telas com cerca de dois metros de altura.
A força da sua arte está em três palavras: dedos, rapidez e liberdade. Desenham com as mãos espalmadas, a ponta das unhas, por vezes com um pedaço de madeira, uma cana, um caule partido. São gestos ágeis, rápidos, espontâneos, para além da infância, nesse movimento essencial que os grandes mestres contemporâneos procuram quando, depois de muito saberem, tentam esquecer tudo o que aprenderam. Pintam(-se) apenas pelo desejo de se decorarem, de seduzirem, de serem belos, em jogo e prazer permanentes.
(de uma recensão ao livro Les Peuples de l’Omo, tradução do marcas.)




