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28 junho 2010

Tarde de domingo


- Olhem os patos... e o cágado, vá...
(Zé, tás a ouvir bem agora? Conta lá então...)
- Pai, o cágado tá morto?
(Não Zé, o que eu disse foi que os espanhóis tinham de fazer a oferta deles primeiro... É pá , se não, somos comidos pelos gajos do Porto, já sabes como eles são...)
- Pai, os peixes não comem o cágado?
(Não, pá... a nossa proposta foi clara, pomos lá o equipamento quando eles derem a entrada, só nessa altura.)
- Vocês não estão a dar atenção nenhuma aos bichos, caramba, não fiquem aí à sombra, venham ver os patinhos!
(Tou, Zé, desculpa, tenho aqui os miúdos a chatear... dizia eu que temos de garantir a entrada do primeiro pagamento...)
- Pai, o cágado não se mexe?
(Não, não e não. Nenhum material sai daqui antes de chegar a massa e o resto é conversa! Estou farto de ser lorpa....)
- Pai? Pai...
- Isto é um inferno!
(Desculpa um minuto, Zé.)
- Vocês não ligam nenhuma ao que eu digo e isso é uma falta de respeito. O Pai já disse para verem o cágado. Olhem pró cágado, chiça!... e prós patos...

Fotografia: Jardins da Fundação Gulbenkian, Lisboa

22 maio 2010

A irreprimível tentação do acessório



A prova de vida parlamentar das deputadas Teresa Venda e Rosário Carneiro vem ao encontro de "l'air du temps" e avança com mais uma medida de austeridade: cortar nos feriados, eliminando quatro (Corpo de Deus, Dia de Todos os Santos, 5 de Outubro e 1.º de Dezembro) e acrescentando um (o "Dia da Família") de modo a obter mais três dias de trabalho por ano, o que, ninguém duvida, contribuiria decisivamente para a resolução dos problemas do país, mesmo faltando à gregoriana proposta o golpe de asa bastante para arranjar trabalho nesses dias aos 730 000 portugueses desempregados.
E, já que o Governo suspendeu a terceira ponte (a ponte suspensa) sobre o Tejo, as deputadas propõem que se acabe também com as pontes do calendário, transferindo o 25 de Abril , o 1.º de Maio, o 15 de Agosto e o 8 de Dezembro para segundas ou sextas-feiras e passando a terça-feira de Carnaval a ser, conforme os anos, a "segunda-feira de Carnaval" ou a "sexta-feira de Carnaval".
Comemorar o 25 de Abril a 24 de Abril (e porque não o 1.º de Maio em 28 de Maio?) é, além do mais, uma ideia capaz decerto de render muitos votos.

Manuel António Pina, AQUI
Foto Richard Avedon

De vez em quando, gente que se senta no Parlamento por razões dificilmente compreensíveis tem uns assomos de opinião. E opina.
O País está sob o ataque mais violento das últimas décadas por parte da pior cáfila de agiotas de que há memória, o desemprego atinge números duma insuportável indignidade, a fome e a miséria adivinham-se e há personagens que saem da sua mudez para largar bacoradas que só servirão para agradar aos chefes & amigos.
M. A. Pina, como é hábito, topa-os à légua e zurze-os como ninguém.

14 maio 2010

Começo por pedir desculpa aos portugueses (diz este agora)


Dificilmente encontramos em qualquer período histórico do País um momento onde a hipocrisia, a subserviência e a colaboração dos dirigentes políticos com o saque, interno e externo,  seja tão  óbvio como este.
Cada vez mais a questão da possibilidade de exercício do poder por parte dos cidadãos através do voto está posto em causa. Sistematicamente, temos a percepção de que os centros de decisão política nos são alheios e de que aqueles que os cidadãos elegem para seus representantes são meros executantes de interesses obscuros.
Temos agora dois, em vez de um, a quererem dizer-nos o que fazer. Desdizendo hoje (ambos) tudo o que ontem afirmaram. Culpando-nos  - a nós - de estarmos a pagar um preço  por todos os abusos, trapaças e falcatruas que eles (os dois) fizeram e vão continuar a fazer.
Apenas porque os deixamos. 

Foto Diane Arbus

12 maio 2010

Sobre difícil compreensão da (i)realidade


Todos nós começamos pelo "realismo ingénuo", isto é, a doutrina de que as coisas são o que parecem. Pensamos que a erva é verde, que as pedras são duras e que a neve é fria. Mas a física assegura-nos que a verdura da erva, a dureza das pedras e a frieza da neve não são a verdura da erva, a dureza das pedras e a frieza da neve que conhecemos  pela nossa experiência, mas algo de muito diferente.

Bertrand Russell, An Inquiry into Meaning and Truth
Foto: Microcosm,   Miao Xiaochun

06 maio 2010

Da "forma irreflectida de tomar posse das coisas"

meliante

(espanhol maleante, que faz o mal ou causa dano, burlador)
s. 2 gén.
1. Pessoa que pratica roubos ou pequenos crimes. = delinquente, gatuno, marginal
2. Pessoa que não trabalha. = malandro, vadio
(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

05 maio 2010

Hoje, que se comemora o Dia da Língua e da Cultura nos países da CPLP

...Palavras chave como boa-governação, "accountability", parcerias, desenvolvimento sustentável, capacitação instuticional,auditoria e monitoramento, equidade, todas estas palavras da moda acrescentam uma grande mais-valia (eis outra palavra da moda) às chamadas comunicações (deve-se, de preferência, dizer "papers"). Mas devem evitar-se traduções feitas à letra se não acontece-nos como ao palestrante - já ouvi chamarem de painelista, o que, além de pouco simpática, é uma palavra perigosa-; pois esse palestrante, para evitar dizer que ia fazer uma apresentação em "power - point", acabou dizendo que ia fazer uma apresentação em "ponta-poderosa". O que pode sugerir maliciosas interpretações.
O problema do desenvolvimentês é que só convida a pensar o que já está pensado por outros. Somos consumidores e não produtores de pensamento. Mas não foi apenas uma língua que inventámos: criou-se um exército de especialistas, alguns com nomes curiosos, e tenho-os visto em reuniões diversas: já vi especialistas em resolução de conflitos, facilitadores de conferências, workshopistas, "experts" em advocacia, engenheiros políticos.
Estamos empenhando o nosso melhor manancial humano em algo cuja utilidade deve ser interrogada.
A grande tentação hoje é reduzirmos os assuntos à sua dimensão linguística. Falamos, e tendo falado, pensamos ter agido. (...)
Tornou-se comum a ideia de que o desenvolvimento é o resultado acumulado de conferências, "workshops" e projectos. Eu não conheço país nenhum que se tivesse desenvolvido à custa de projectos.
Vocês, melhor que ninguém, sabem disto. Mas quem lê os jornais verifica como está enraizada esta crença. Isto apenas ilustra a atitude apelativa que prevalece entre nós de que os outros ( na nossa linguagem moderna os "stake-holders") é que têm a obrigação histórica de nos retirar da miséria.

Mia Couto, publicado em Savana, 2002

Há uma evidente proximidade entre a realidade (liguística) de Moçambique, relatada neste texto de Mia Couto e a nossa.
País pequenino, periférico e engravatado, pensamos também que é com  este liguajar de banqueiro e tecnocrata aprumado que ganhamos horizontes. Não é, até porque tudo isto  é sintoma e sinal duma enorme  incapacidade de um pensar original, de um reflectir profundo sobre problemas que, sem qualquer dúvida, teremos de ser nós a solucionar.

21 abril 2010

Legalidade, vidinhas e Ética. Decididamente, o meu mundo não é deste reino.

O presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama, enviou um ofício para o Conselho de Administração (CA) em que acolhe os argumentos do parecer realizado pelo auditor jurídico do Parlamento - um documento que defende o pagamento de uma viagem semanal à deputada Inês de Medeiros, para esta se deslocar à sua residência em Paris.
O parecer aponta dois argumentos na defesa da tese de que a deputada – eleita pelas listas do PS em Lisboa, mas residente na capital francesa - tem direito ao pagamento da viagem a casa, todas as semanas. Por um lado, o princípio da igualdade entre todos os deputados. Por outro, o princípio constitucional de que os parlamentares devem dispor dos meios para cumprir as suas funções.
Nesse sentido, o documento sustenta que Inês de Medeiros tem direito a uma viagem semanal de avião para Paris; às ajudas de custo correspondentes aos 25 quilómetros da deslocação entre o aeroporto e a sua residência; e a ajudas de custo equiparadas a um deputado não residente em Lisboa. Um parlamentar eleito por Lisboa e que viva na capital ou nos concelhos limítrofes recebe 23 euros por cada dia de presença nos trabalhos parlamentares. Os restantes recebem 69 euros por dia.
O relatório sublinha, no entanto, que sendo a situação de Inês Medeiros omissa (eleita por um círculo nacional, mas residente no estrangeiro) no regimento da Assembleia, o parecer vale apenas para este caso. O mesmo é dizer que a partir desta decisão não fica criada uma regra no Parlamento – se o mesmo cenário se voltar a colocar, terá de ser novamente analisado.
O parecer foi enviado a Jaime Gama, que o reenviou ao Conselho de Administração, acompanhado de um ofício sobre os ‘princípios orientadores’ para esta decisão, em que acolhe a argumentação expressa pelo auditor jurídico. O presidente do Parlamento pede ainda ao CA que tome uma posição (que não será vinculativa), após o que Gama emitirá um despacho final, fechando assim uma controvérsia que se arrasta desde o início da legislatura.
(AQUI)

...e, já agora, porque raio têm alguns cidadãos de receber dinheiro (extra, além do vencimento) para estarem presentes no local onde se comprometeram estar? 

29 março 2010

Em tempo de crise

Não esquecemos o Goofus Bird, pássaro que constrói o ninho ao contrário e voa para trás, porque não lhe interessa para onde vai, mas onde já esteve.

Jorge Luis Borges, O Livro dos Seres Imaginários, Ed. Teorema

11 março 2010

Sinto-me um idiota

Hoje em dia tenho a certeza de que não ser idiota é das coisas mais importantes na vida de um homem, até que pouco a pouco o vou esquecendo, porque o pior é que no final me esqueço; por exemplo, acabo de ver um pato que nadava num dos lagos do Bois de Boulogne, e ele era de uma beleza tão maravilhosa que não pude evitar agachar-me junto ao lago e deixar-me ficar não sei quanto tempo a observar a sua formosura, a alegria petulante dos seus olhos, aquela dupla linha delicada que corta o seu peito na água do lago e se vai abrindo até se perder com a distância. O meu entusiasmo não nasce apenas com o pato, trata-se antes de qualquer coisa que o pato cristaliza num dado momento, porque às vezes pode ser uma folha seca que se balança na ponta de um banco, ou uma grua alaranjada, enorme e delicada contra o céu azul da tarde, ou o cheiro de um vagão de comboio quando uma pessoa entra e se tem um bilhete para uma viagem de muitas horas e tudo se vai sucedendo prodigiosamente (....) e tudo me preenche como uma espécie de salgueiro interior, de uma verde chuva de delícia que nunca mais devia terminar. Porém, já muita gente me disse que o meu entusiasmo é uma prova de imaturidade (de idiotice, querem eles dizer, mas escolhem as palavras) e que não nos podemos entusiasmar assim por causa de uma teia de aranha que brilha ao sol, uma vez que se uma pessoa incorre em semelhantes excessos por causa de uma teia de aranha cheia de orvalho, o que é que vai guardar para a noite em que houver o King Lear? A mim isso surpreende-me um pouco, porque na verdade o entusiasmo não é uma coisa que se gaste quando se é realmente idiota, gasta-se quando uma pessoa é inteligente e tem a noção dos valores e da historicidade das coisas, e é por isso que mesmo que eu ande a correr de um lado para o outro no Bois de Boulogne para ver melhor o pato, isso não me vai impedir de nessa mesma noite dar saltos enormes de entusiasmo se gostar da forma como Fisher Dieskau canta. Agora que penso nesse assunto, a idiotice deve ser isso: o poder entusiasmar-se a toda a hora com qualquer coisa de que uma pessoa goste, sem que um desenhito numa parede tenha de se ver diminuído pela memória dos frescos de Giotto em Pádua. A idiotice deve ser uma espécie de presença ou de recomeço constante: agora gosto desta pedrinha amarela, agora gosto de L'année dernière à Marienbad, agora gosto de ti, ratita, agora gosto dessa locomotora incrível a bufar na Gare de Lyon, agora gosto desse cartaz arrancado e sujo. Agora gosto, gosto tanto, agora sou eu, um eu reincidente, idiota perfeito na sua idiotice que não sabe que é idiota e desfruta perdido no seu prazer, até que a primeira frase inteligente o devolva à consciência da sua idiotice e o faça procurar apressadamente um cigarro com as mãos desajeitadas, olhando para o chão compreendendo e às vezes aceitando porque um idiota também tem de viver, claro que até que outro pato ou outro cartaz, e assim sempre.

Julio Cortazar, A Volta ao Dia em 80 Mundos, Cavalo de Ferro, 2009
Foto: C.

14 fevereiro 2010

Autoridade e Liberdade são uma e a mesma coisa


Autoridade é do que é autor.
Só a autoridade confere autoridade.
A autoridade não é quantidade.
Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade.
Aquele que julga ser possível autorizar ou desautorizar a autoridade de outrem não sabe no que se mete.
Liberdade.
A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.
Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só.
Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.
Trocar a liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água.
Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água.
Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães.
Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime.
Quanto mais perseguido mais perigoso.
Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca será um escravo.
Autoridade e Liberdade são uma e a mesma coisa.

Mário Cesariny
Pintura: Mark Rothko

10 fevereiro 2010

Quadros urbanos

Título: Interacções verbais e o significado pragmático -------- dos enunciados
Série: Quadros urbanos
Técnica mista - 25x20cm
2010

1.  

2.

Há poucos dias, pelo fim da tarde e à saída da escola, no calor da discussão um dos dois jovens vira-se para o colega e dispara, aguerrido:
- Olha lá, mas porque é que estás a falar assim pra mim, pá? Pensas que estás a falar com um professor, ou quê?

 (Desculpem lá.  Sei que a ministra mudou, e parece dialogante. Mas eu tenho andado com pouca imaginação para escrever sobre as moscas.)

09 janeiro 2010

A erosão da memória e o demónio do esquecimento

Tinha-me encaminhado automaticamente para o Pierluigi's na certeza de que tinha sugerido que jantássemos ali, e agora não me lembrava se tinha pedido a Amy que sugerisse um restaurante de que gostasse. Se tinha, é claro que não conseguia lembrar-me de qual era esse restaurante. E a ideia de que ela pudesse lá ter estado sentada este tempo todo sozinha a pensar que eu a tinha deixado plantada - por causa da forma como ela tinha descrito a sua aparência - levou-me a correr para o telefone da cave e telefonar para o hotel a saber se tinha mensagens. Tinha uma: "Esperei uma hora e fui-me embora. Compreendo."
Horas antes tinha entrado numa drogaria para comprar os artigos de higiene pessoal que me tinha esquecido de trazer de casa. Depois de pagar, pedi à empregada: " pode meter-me essas coisas numa caixa?" Ela olhou para mim espantada. "Nós não temos caixas", disse. "Eu queria dizer um saco", disse eu, "num saco, se faz favor". Um erro insignificante, mas ainda assim preocupante. Andava a ter disfasias como esta quase diariamente, e apesar dos apontamentos que aplicadamente tomava no meu caderno de tarefa, apesar de um esforço persistente de me concentrar naquilo que estava a fazer ou a planear fazer, esquecia-me frequentemente das coisas. (...)
E também não me parecia que a vigilância fosse de grande utilidade contra aquilo que, mais do que a erosão da memória, parecia ser um resvalar para a incongruência, como se alguma coisa diabólica que estivesse instalada no meu cérebro mas fosse dotada de mente própria - o diabinho da amnésia, o demónio do esquecimento, a cujos poderes de destruição eu não conseguia opor nenhuma força eficaz - me fizesse sofrer estes lapsos pelo simples prazer de assistir à minha degenerescência, a meta gloriosa e suprema na redução de alguém, cuja acuidade de escritor era alimentada pela memória e pela precisão verbal, à condição de homem inútil.
Philip Roth, O Fantasma Sai de Cena, D. Quixote,2008
Pintura: Eric Fischl

A cada segundo,tudo o que os sentidos nos trazem é transformado em percepções e estas em memórias. O processo de memorização é permanente e, na maior parte dos casos, independente da nossa vontade o que faz com que sejamos incapazes de prever o que guardaremos de tudo o que vemos e sentimos.
A consolidação da memória depende duma estrutura cerebral, com a forma de um cavalo marinho, o Hipocampo, espécie de entroncamento de inúmeras vias onde circula informação que aí é tratada, depois de triada em todo o sistema límbico e, depois, armazenada noutras zonas do cérebro.
A Doença de Alzheimer tem como característica determinante, na sua fase inicial, a alteração da memória. Sabe-se hoje que uma das causas é a acumulação tóxica no Hipocampo duma proteína que ali forma placas que destroem as suas células com as consequências dramáticas conhecidas. É a Proteina Beta Amiloide e a sua acção nefasta está identificada.
Há, neste momento, várias linhas de investigação em torno desta descoberta e os primeiros resultados da utilização de um anticorpo anti-P.Beta Amilóide usado já em 4000 pessoas (sem efeitos secundários) mostrou resultados muito promissores. Prevê-se que, em 4 ou 5 anos haja, finalmente, terapêuticas eficazes e sem risco.

06 dezembro 2009

exigências de um engenheiro

- Bom dia senhor engenheiro.
- Bom dia, Lena. Traga-me um café curto em chávena escaldada... e diga-me, tem sonhos?
- Tenho, sim, mas não são de hoje...
- Ah, então não quero.

30 novembro 2009

Maria Manuela Rama Costa

As vítimas diárias da boçalidade, da arrogância, da selvajaria e do mais abjecto machismo aí estão, nesta merda de sociedade.

 *

Há que discutir, ensinar, reprovar, condenar por todos os meios este nojo. Sem contemplações, sem desculpas nem justificações ou encolher de ombros. Trata-se de uma questão civilizacional que respeita a todos.
(Maria Manuela Rama Costa tinha 35 anos, foi morta dentro duma ambulância quando era transportada para o hospital, onde seria observada para - finalmente - ser formalizada uma queixa contra o agressor. A filha estava no colo, o filho fugido nos pinhais).

* Sequência do filme "Te doy mis ojos",  de Icía Bollaín [Espanha 2003], galardoado com 7 Goyas. Excelentes interpretações e realismo no tratamento do tema. Impossível ficar indiferente.

27 novembro 2009

花样年华 (ou a inspiradora realidade)





Introduction: Despite recent media coverage in the topic of sexless marriage in East Asia, population-based studies examining the absence of sexual activity among nonelderly married individuals are scant. Previous studies have not simultaneously examined sociodemographic, physiological, and lifestyle predictors of sexless marriages.
(....)
Conclusions: Sexless is prevalent among certain subgroups of urban Chinese couples in Hong Kong and the large discrepancy in sexless between married men and women in each age strata suggests a high prevalence of extramarital relationships. Contrary to commonly held beliefs, there was a stronger association between sexlessness and poorer phycological symptoms among females than males. Sexless marriages are an underppreciated phenomenon among urban Chinese individuals.
Sexlessness among married Chinese adults in Hong Kong: Prevalence and assotiated factors.
J. of Sex Med 2009;6:2997-3007


Música: I'm in the mood for love (Casino Royale)

Foto: Aqui