a propósito disto.
Foto: "Croquete no Deserto" R. Misrach
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05 junho 2011
26 janeiro 2011
O ordenhador maravilhado
"fiquei surpreendidissimo... por ver como... as vacas avançavam... uma atrás das outras... se encostavam a um robô... e se sentiam deliciadas, enquanto ele, durante cerca de seis, sete minutos... realizava a ordenha."
Era previsível, claro. Cerca de 53% da manada deliciou-se com o presidente a que tinha direito. Em rigor, bem podem dizer "ele é mesmo a nossa cara!".
Nesta quinta, onde a ordenha está mais do que maquinada, quaisquer sete minutos chegam para acalmar as reses. Dai-lhes senhor o que merecem, porque deles é o reino de Aníbal.
19 novembro 2010
A cara do chefe
Lideramos, implantamos, penetramos, evoluímos, massificamos, impulsionamos,substituímos as redes de cobre, penetramos mais, desenvolvemos, não sei quê do sucesso, mais sector competitivo, mais a nova agenda digital, penetramos outra vez, o impulso, as metas, o digital (e o manual), a liberalização e o novo mundo....
Eh pá, e fazemos, - todas e todos - a partir de agora, o mesmo discurso (literalmente).
Não dá chatice nenhuma e assim como assim, já ninguém ouve. Não faltará muito para se instituir um único texto para todas as ocasiões (inaugurações, simpósios, prós e contras, e outros).É só mudar as datas.
AQUI
12 novembro 2010
Chamando os aníbais pelos nomes
Na semana que passou, o candidato Cavaco desperdiçou uma bela oportunidade para não alardear o estilo viscoso e rasteiro do seu eleitoralismo. Como um abutre salivando por carniça, despejou no «twitter» resumo do que extraiu do debate parlamentar sobre o Orçamento: «Vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates.»
Com uma só bicada, ensacou por junto todos os partidos e deputados que intervieram no debate, quando, em rigor só lhe seria legítimo verberar os que ele, Cavaco, tanto se esforçou por amigar: o PS/Governo e o PSD/Belém. CDS, PCP, Bloco de Esquerda e Verdes produziram intervenções dignas e pensadas, chegando mesmo a reprovar o desmando argumentativo do Arrufo Central. Mereciam ser excepcionados e louvados pelo dito magistrado de influência, mas como o pensamento deste voa tão alto como um crocodilo, lá ficaram na roda de serem todos iguais. Só ele, o apreensivo, não.
Ele, que tanto prestigiou a política envolvendo-se na mais velhaca urdidura que jamais um Presidente se tinha permitido, ao fazer soprar suspeitas de escutas do Governo sobre Belém, e isto DEZASSEIS meses antes de ter ocorrido o episódio do Estatuto dos Açores, que os sabujanalistas do costume dizem ter sido o momento da ruptura com Sócrates, o único vilão.
Ele, que tanto prestigiou Portugal quando o ferrabrás de Praga, Vaclav Klaus, fez estentórica chacota da gestão lusa do défice e Cavaco só encontrou, para resposta, uma saída de poltrão: que não tinha responsabilidades governativas.
Ele, que se gabou de nunca ter sido tão lesto a promulgar como na nacionalização do BPN - e nunca saberemos se o fez por um tremendo imperativo nacional ou se pela térrea preocupação de pôr a salvo cabedais que ali deixara a levedar.
Ele, que recomenda que se explique ao povo os sacrifícios que lhe são pedidos mas que nunca teve a lembrança de dar uma aula prática de fidalguia e recusar a pilha de reformas com que se aboleta, desprezando o exemplo de Ramalho Eanes. Veremos se, agora que se diz que vai haver lei sobre a matéria, a promulgará tão asinha e alegremente como o fez com a outra...
A rasteira maior foi ter usado o «twitter», uma rede social muito frequentada por jovens, possivelmente os mais carentes de exemplo cívico e de sentido para o seu futuro colectivo, que escusavam de saber que o candidato Cavaco não tem mais filosofia do que um avinagrado motorista de táxi: «São todos iguais.»
06 novembro 2010
05 novembro 2010
Nem o Paleolítico escapa
Na hora de agradar aos mercados, até o Paleolítico precisa de uma gestão "moderna e eficiente.
Enquanto houver genta na fila, o saque dos dinheiros públicos continua. Cortando na Segurança Social, claro e aumentando o leite achocolatado.
...A proposta de estatutos, a que o PÚBLICO teve acesso, prevê que o Ministério da Cultura (MC) nomeie o presidente do conselho de administração, que os ministérios da Economia, Finanças e Ambiente, e ainda a Câmara de Foz Côa, indiquem um administrador cada um, e que a escolha dos restantes dois fique a cargo do conselho geral da fundação. AQUI
28 outubro 2010
Os campeões à procura do fumo branco
...Portugal é o país europeu com o maior número de PPP (Parcerias Público-Privadas), quer em relação ao PIB quer em relação ao Orçamento de Estado. Em 2009, o nosso país, cuja população é semelhante à da grande Paris, contratou três vezes mais PPP do que a França e mais ainda do que qualquer outro país da Europa.
Portugal é o campeão europeu das PPP - mas das PPP que afogam os contribuintes em dívidas, em especial os das gerações futuras, como revela a análise caso a caso a que a seguir procedo. Segundo a "League Tables Project Finance International", Portugal aparece distanciado, no topo da lista, com 1.559 mil milhões de euros de empréstimos, seguido de França com 467, da Polónia com 418, da Espanha com 289, da Irlanda com 141 e da Itália com 66 mil milhões.(...)
A partir dos anos 1990, as PPP tornaram-se a regra em Portugal, ao arrepio do que sucedia na generalidade dos países europeus. Tudo o que os governos retiram a partir de então do Orçamento do Estado como investimento público, por força das restrições orçamentais impostas por Bruxelas, passa sistematicamente para investimento privado em regime de PPP.
A habilidade é notória: os responsáveis continuam a mostrar obra, mas não a pagam agora. Agora quem a paga são os privados. A factura para os contribuintes virá depois. No imediato, todos ficam satisfeitos. A União Europeia deixa de se preocupar com o défice e a dívida. Os governantes e os governados aumentam as respectivas expectativas de mais votos e melhor nível de vida. Os parceiros privados fazem excelentes negócios.
O negativo da fotografia não se vê: está reservado para as gerações futuras.
Muito de tal investimento privado passa a ser, não só remunerado pelas receitas geradas pelo próprio projecto, ao longo dos 30 ou 35 anos das concessões, como beneficia igualmente de compensações várias que o concedente público caso a caso negoceia (ou renegoceia) pagar ao concessionário, ao longo da vida do contrato.
E assim sendo, há uma factura que sobra para os contribuintes das gerações vindouras, durante longos anos...
Carlos Moreno, Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro, Edição Leya, 2010
Carlos Moreno é Juiz Jubilado do Tribunal de Contas. No seu livro analisa duas décadas de "despesismo público". Curiosamente, durante mais de vinte anos fomos conduzidos ao abismo por esta gente que persiste, agora, em nos convencer que a culpa é "dos mercados" e nossa, porque insistimos em "viver acima das nossas possibilidades".
Ou seja, mais de duas décadas de negociatas, enriquecimentos ilícitos, voragem do Aparelho de Estado e do dinheiro dos contribuintes por toda a espécie de oportunistas - como o livro enuncia - não têm responsabilidade no desastre. As grandes causas da caminhada para o abismo estão nos gastos com as reformas, nos salários e no subsídio de aleitamento.
Depois confiem neles outra vez e fiquem à espera do fumo branco.
Ou seja, mais de duas décadas de negociatas, enriquecimentos ilícitos, voragem do Aparelho de Estado e do dinheiro dos contribuintes por toda a espécie de oportunistas - como o livro enuncia - não têm responsabilidade no desastre. As grandes causas da caminhada para o abismo estão nos gastos com as reformas, nos salários e no subsídio de aleitamento.
Depois confiem neles outra vez e fiquem à espera do fumo branco.
15 setembro 2010
O dia tem vinte e quatro horas, os cérebros vão ao ginásio e eu matei "saudades" dos discursos do Tomás...
"
Mário Viegas, como tão bem assinala Meditação na Pastelaria, um dos nossos Blogs preferidos e de onde roubámos a ideia, é muito melhor contador de histórias para meninos e graúdos...
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