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13 outubro 2012

Cultura e Resistência

Chegam sozinhos ou em grupo, como gotas enchendo um caudal a desaguar na Praça.
Alegres, risonhos, festivos são, sobretudo, cultos. Bonitos, claro.
A emoção, a pressa e a impaciência dominam a cabeça e os corações dos que sentem que agora é que é e o sol outonal brilha no olhar dos que trilham carreiros conhecidos.
Enquanto o sol se põe, irão, juntos, saltar, dançar, aplaudir e cantar. Brilham sonhos nas pontas dos cigarros que acendem uns nos outros, enquanto vão descobrindo a música e as palavras que entram devagar na pele e na noite.

15 setembro 2012

Hoje


...não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade
desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

(Bertold Brecht)

29 maio 2011

Senhor doutor, dói-me a alma, aqui do lado esquerdo...


Mário Sacramento (1920-1969) marcou a vida cultural e política de Portugal de forma determinante entre a década de 40 e 60 do século XX.
Médico, Ensaísta, Crítico e Activista Político (com cinco detenções durante a ditadura) foi sempre uma voz livre e um pensamento crítico e inovador.
Em Sementes de Liberdade - Tese de Eunice Voulliot sobre M.Sacramento apresentada na Sorbonne - descobre-se o Homem e o combate no seu Tempo.
O filme de José António Paradela é um belíssimo testemunho sobre Mário Sacramento, feito a partir do livro de Eunice.

10 fevereiro 2011

Victoria, a bebé dos fios azuis



...Perante a revelação da minha verdadeira identidade, tive de aprender pouco a pouco a aceitar uma nova história, uma nova família e novas origens. E durante essa aprendizagem, senti-me muitas vezes paralizada, forçando-me a rejeitar subitamente uma parte das minhas ideias e da minha própria pessoa. Este processo alcançou o seu ponto culminante em 2007 e acabou por me permitir resolver as minhas contradições e aceitar todo o meu percurso passado: o bem e o mal, a verdade e a mentira. Sou um produto da ditadura, mas sou também o produto do carinho que Raúl e Gaciela me souberam dar. Reconheço-me neles tanto como em Cori e no "Cabo", os quais sinto que amo, apesar de nunca os ter conhecido. Não sou menos a sobrinha do antigo chefe dos serviços de informação da ESMA, o assassino do seu irmão e da sua cunhada, do que a adolescente extasiada diante dos Caballeros de la Quema. Assim, não sou menos Analía do que Victória..

Victoria Donda, O Meu Nome é Victoria, Editorial Bizâncio, 2011

Victoria Donda é hoje a mais jovem deputada da Argentina. Nasceu durante a ditadura militar, em 1977, em Buenos Aires no centro de detenção clandestino da Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA).
Como outras centenas de bébés, Victória foi retirada à mãe pouco depois de nascer. 
A mãe, Cori, antes da filha lhe ser roubada, coseu-lhe dois fios azuis nas orelhas para que pudesse ser identificada como a sua filha. Este gesto foi, depois, essencial para a descoberta do percurso seguido pela menina.
Cori foi mais tarde lançada (viva) de um avião  com outros companheiros no rio de La Plata. O pai teve o mesmo destino, ambos denunciados e, provavelmente, executados  sob responsabilidade de um seu irmão.
Aos 27 anos, Victoria descobre, através da organização das Avós da Praça de Maio, que Analía é o nome que a família a quem foi entregue lhe deu na sequência do assassínio da mãe. Raúl, o "pai", é um torcionário da polícia.

O livro, é um relato intenso do colapso brutal da vida de Victória / Analía e da necessidade de reconstruir toda a sua história e identidade. Escrito com uma autenticidade e uma maturidade que impressiona pela lucidez, Victoria Donda elabora uma narrativa que nos agarra na primeira página e onde está presente a história da Argentina desde os anos 70 até aos nossos dias. Nele estão retratados os actores essenciais do seu percurso pessoal e, de forma mais ampla, os responsáveis pelos caminhos do país nos últimos 30 anos.
Um livro que nos revela o combate heróico duma geração torturada e assassinada, e nos ensina como o ódio e a indignidade em que se alicerçam as ditaduras existe e germina dentro de gente capaz de tudo no combate aos seus adversários.

06 agosto 2010

Contra o horror e a barbárie


Esta fotografia conta o bárbaro assassínio de Asha Ibrahim, uma jovem de 14 anos, em 2008 na Somália,
Asha fora violada e posteriormente considerada adúltera por um "tribunal" que a condenou à morte por apedrejamento.
Aqui no Marcas, fazemos eco da campanha internacional desencadeada para salvar uma outra mulher, Sakineh Ashtiani, que no Irão enfrenta as forças dementes que ali fazem lei e que se preparam para repetir este crime hediondo.
Ninguém, em parte nenhuma do mundo, pode descansar enquanto este  horror não for impedido.

25 julho 2010

Um escrito como uma declaração de guerra


«Os espaços de anonimato representam um verdadeiro desafio para a teoria revolucionária. O estatuto político dos espaços de anonimato (o não serem homogéneos, adicionáveis…) é função e já chega determinado pela essência da própria força do anonimato. É ela que lhes confere aquelas que são as suas características principais: ausência de reivindicação, articulação em torno de um gesto radical que se repete, não-futuro, politização apolítica. A força do anonimato aparece-nos quando tentamos pensar a radicalização da impotência. Essa força vem, então, ter connosco. Com toda a sua carga dissolvente e, ao mesmo tempo, portadora de promessas. Com toda a sua ingovernabilidade. Sentimos a impotência face a essa mobilização global que se faz de nós, connosco — contra nós — que unifica realidade e capitalismo, que proclama «Não há nada a fazer» . Esta frase, «não há nada a fazer» é uma frase estranha que em nada se assemelha a outras frases aparentemente parecidas: não podemos fazer nada, é impossível fazer seja o que for… «Não há nada a fazer» é o nome para uma bifurcação que conduz a dois lugares completamente diferentes: «Não se pode fazer nada» e «Tudo está por fazer». O primeiro caso não nos interessa. O segundo, sim. Quando se diz, de facto, «Não há nada a fazer» porque se bateu realmente no fundo e já não resta esperança alguma, o que então se abre é uma travessia do niilismo. Aí, sim, podemos afirmar que «Tudo está por fazer». A travessia do niilismo inaugurada pelo «Não há nada a fazer» não é outra coisa senão a radicalização da impotência. Uma radicalização que nos conduz ao que Artaud denominava o im-poder. Para ele, radicalizar a impotência é o mesmo que fazer a experiência do im-poder. A impotência aparece referida na sua correspondência com Rivière como a impossibilidade de pensar. A análise deste «querer pensar mas não poder pensar» constituirá o núcleo de todo o primeiro escrito de Artaud. Rapidamente essa impossibilidade haverá de estender-se ao próprio viver. Quero viver, mas não consigo viver."


Santiago López-Petit, in A Mobilização Global, seguido de O Estado-Guerra, Deriva Editores, 2010
Imagem: Federico Moroni, Ciclista.

26 junho 2010

A voz de um homem livre

O que eu acho, então, é que há uma soma de pessoas (na Igreja), e digo-o com respeito, que ficaram perfeitamente analfabetas, cheias de complexos, de maldade, de sensualidade, quase castradas. Quem conhece o mundo e o adora, olha-o de forma límpida e feliz. Eu dou graças à vida e aos educadores que tive, por olhar para o mundo de forma descomplexada e desinibida...
Entrevista ao Jornal i 26/06/2010  

Num tempo de silêncio e múltiplas cumplicidades, um tempo difícil para quem quer uma cidadania exigente, é de saudar os homens que têm uma voz própria e se exprimem  com coerência, inteligência e liberdade. 
D. Januário Torgal Ferreira é um homem assim e a sua entrevista de hoje ao jornal i merece uma leitura atenta . AQUI

14 junho 2010

De imprescindível leitura

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.
Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).
A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.
O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.
O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.
A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.
Boaventura Sousa Santos, in Visão
David Siqueiros: Retrato das Camadas Médias (fragmento de Mural)

24 abril 2010

Bom dia

O Supremo Tribunal de Madrid expulsou o partido de extrema-direita (Falange) do processo contra Baltasar Garzón, impedindo-o de voltar a acusar o juiz da Audiência Nacional.
... AQUI

24 março 2010

O genocídio de uma geração

Argentina, 24 de Março de 1976, faz hoje 34 anos. Uma Junta Militar composta pelos comandantes dos três ramos das Forças Armadas - o general Jorge Rafael Videla, o almirante Emílio Eduardo Massera e o brigadeiro Orlando Ramón Agosti – desencadeia um golpe militar, toma o poder e dissolve o Congresso.
Inicia-se nesse dia a ditadura militar mais violenta da história da Argentina,
a chamada guerra sucia, em que uma brutal maquina repressiva estatal, impôs um verdadeiro genocídio.
Entre 1976 e 1979, foram dadas como desaparecidas cerca de 9 mil pessoas identificadas pela Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas. Outras fontes apontam até 30 mil desaparecidos. Nesse período ainda, foram criados mais de 350 campos de concentração.
De todas as atrocidades cometidas pela ditadura, o assassínio das jovens mulheres que davam à luz, com a entrega dos filhos aos seus torturadores ficará para a história da Humanidade como uma das suas mais horrorosas perversidades.
Nestes dias de 2010, continua a exemplar acção das Avós da Praça de Maio na recuperação destas vítimas. O neto 101: Francisco Madariaga Quintela, filho de Silvia, jovem médica presa em 17 de Janeiro de 1977 grávida de 4 meses, foi finalmente "descoberto". Viveu 32 anos com o militar responsável pelo assassínio da mãe.
Anos con un vacío adentro inexplicable, disse.

Ler também Aqui

23 março 2010

Marcelas Owens, um herói do nosso tempo



Esteve, por direito próprio, ao lado de Barack Obama no momento da assinatura da Lei que consagrou o acesso a cuidados médicos para 36 milhões de americanos.
Marcelas Owens, o menino de 11 anos, foi um dos rostos visíveis do combate para aprovação da Lei.
Enfrentou com exemplar coragem uma miserável campanha de calúnias e provocações, apenas por querer que mais ninguém tivesse o destino de sua mãe, falecida aos 27 anos sem poder ser tratada por não ter dinheiro.

15 março 2010

O PEC, a crise e o túnel sem luz ao fundo


...O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?

A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições...

Ricardo Araújo Pereira (Aqui)

01 março 2010

Recado a Miguel



Acabei de ver o seu programa "Sinais de Fogo".
A primeira parte, constituída por duas reportagens e posteriores e avisados comentários, pareceu-me interessante, bem trabalhada, certeira e digna de um jornalismo moderno e inteligente.
Na segunda parte, propunha-se entrevistar o inspector Gonçalo Amaral, o autor do livro apreendido,"A verdade da Mentira".
Não tenho nenhuma simpatia especial pelo inspector, não o conheço. Não sei se a menina inglesa morreu ou foi raptada, não sei quem mente ou fala verdade, não sei.
E fiquei sem saber, não percebi nada, rigorosamente, das respostas que ele, o inspector, quis dar e não deu. Porquê? Porque o jornalista, você, pura e simplesmente não deixou falar o entrevistado.
Nunca vi nada assim . Vi parecido. Como é que se faz televisão deste modo? Como se chama alguém a um estúdio e não se permite a essa pessoa que se defenda, se expresse, contraponha?
Sinceramente, gostava que me explicasse. É essa a noção que tem de liberdade?
É só isso, lamento. 
Gostei do seu livro "No Teu Deserto". Apreciei a sua sensibilidade e escrita no feminino, a visão do mundo, dos sentimentos, da mulher, do homem.
Nada disso condiz com o jornalista que hoje, em" Sinais De Fogo", com um só tiro, trucidou o seu convidado.

21 dezembro 2009

Hipátia de Alexandria

Hipátia nasceu em Alexandria por volta de 370 D.C.. Era filha de Theon, um matemático conhecido e respeitado.
Estudou em Atenas durante a adolescência e, quando voltou à sua cidade, tornou-se professora da Academia de Alexandria. Dedicava-se à matemática, à filosofia e à astronomia.
Vivendo numa época de grandes controvérsias e numa cidade que estava no centro de grandes debates religiosos, defendeu sempre o aprofundamento do conhecimento e ensinou os alunos a não permitirem que a crença fosse impeditiva da evolução da ciência.
Criou alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia e desenvolveu fundamentadas críticas à teoria Geocêntrica de Ptolomeu, que considerava a Terra o centro do Universo em torno da qual rodavam todos os outros corpos celestes.
A obra de Hipátia, ou Hipácia, foi practicamente toda destruída com a Biblioteca de Alexandria.
O seu drama foi o de ter vivido num tempo de ascenção da intolerância e do obscurantismo nos lugares onde antes floresciam o pensamento e a cultura. Era uma intransigente defensora da liberdade do pensamento e do culto da dúvida num tempo de dogmatismo e ortodoxia religiosos.
Por ensinar que o Universo era regido por leis matemáticas, por ser livre e por ser mulher, foi considerada "herética" e condenada à morte por um bispo cristão que fora seu aluno na Academia.
Atacada na rua, foram-lhe arrancados os braços e as pernas e o seu corpo queimado numa pira .
O bispo Cirilo, mais tarde santificado, terá considerado que, assim, o Sol andaria à volta da Terra e tudo ficaria no seu lugar.

O filme Ágora, recentemente estreado, é uma fantástica narrativa que homenageia esta mulher, a filosofia e o pensamento livre.


08 dezembro 2009

Aminetu Haidar

Há 22 dias em greve de fome, a cidadã saraui Aminetu Haidar renunciou hoje a toda a atenção médica, incluindo a do médico que a tem vindo a acompanhar.
A 13 de Novembro, Aminetu Haidar, ex-prisioneira politica e activista dos Direitos Humanos, foi impedida de desembarcar do avião pelas autoridades marroquinas no aeroporto de El Aaiun.
Regressava de Nova Iorque onde recebera o prémio da “Coragem Civil 2009” da fundação John Train.
A razão "oficial" da interdição para desembarcar em Marrocos, seguida de interrogatório em isolamento e expulsão do país foi a recusa em se considerar marroquina nos documentos de entrada no país.
Actualmente no aeroporto de Lanzarote, para onde foi expulsa, está decidida a prolongar o protesto que é, agora, um combate que alastra pelo mundo.
Um juiz, um médico, polícias e um interprete deslocaram-se ontem ao aeroporto de Lanzarote para examinar o estado de saúde de Haidar. No momento em que foi confrontada com a visita, a activista disse Não quero receber mais cuidados médicos. Sou dona da minha vontade e dos meus actos.”
Talvez o juiz, o médico, o intérprete e todos os polícias não saibam, mas a história ensina que mais tarde ou mais cedo o seu acto será reconhecido e vitorioso.

04 dezembro 2009

un bello paese, la Torre pendente di Pisa è a posto e il Colosseo anche



A sequência dos factos é conhecida: Marco Travaglio, jornalista do jornal L'Unita escreveu e publicou em 2008 um artigo sobre o presidente do Senado, Renato Schifani onde fazia refeência ao facto dos perfis oficiais deste senador nunca fazerem referência das ligações deste político com a Máfia.
O escritor Antonio Tabucchi colocou-se ao lado do jornalista em artigo também publicado no mesmo jornal, referindo expressamente, no entanto, que o senador tinha sido absolvido, apesar das suspeitas. Renato Schiafani, segunda figura do estado italiano e suporte político de Berlusconi, processou o escritor pedindo uma indeminização de 1,3 milhões de euros por "danos de imagem".
Tabucchi considera que o senador é um homem de "pouca sorte", pois ao longo de 15, 20 anos fundou empresas "sem nunca se aperceber que o fazia com mafiosos, presos sempre que ele acabava de sair" dessas empresas (
Aqui).
O julgamento, entretanto, teve início em Pisa em Maio deste ano.

Recentemente, foi colocada na internet uma petição a favor de António Tabucchi. 
Entre os primeiros subscritores encontram-se os cineastas Theo Angelopoulos, Costa-Gravas, os escritores Philip Roth, Jorge Semprun e Fernando Savater, bem como os Prémio Nobel José Saramago e Orhan Pamuk.
Referindo-se ao seu país (embora fosse possível estender o comentário a outros) Tabucchi comentou: assim vai a Itália, um belo país. Pelo menos, a torre de Pisa está no lugar, o Coliseu também.

(para assinar a petição clicar no link )