Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

26 agosto 2012

Daí, desse lugar...



Um dia aconteceu que o homem desceu na Lua e nela caminhou pela primeira vez. "Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade" - aprendemos a dizer.
Um feito para a História, testemunhado por mais de 600 milhões de olhos deslumbrados que viram, na caixinha mágica, tudo o que foi divulgado. Tudo o que muitos julgavam jamais poder ver.
Os portugueses assistiram a este momento crucial da história da humanidade na madrugada de 21 de Julho de 1969, às 3:56:20.
“Foram 18h de emissão ( ... ) vistas por dois milhões de portugueses que se deitaram mais tarde – ou se levantaram mais cedo... ou simplesmente não se deitaram – nessa madrugada de 21 de Julho, que caiu a uma 2ª feira, dia de trabalho”, como se afirma no livro: RTP, 50 anos de História.

Mas hoje, Armstrong, como será essa outra dimensão, rumo à qual iniciaste esta viagem?

Foto: NASA/AP

03 setembro 2010

...e o futuro deles é hoje


Para o progresso de Moçambique precisamos de trabalhar, se não trabalharmos caminharemos para trás.
(Joaquim Eugénio Pires - 4ª classe)

Toda a gente vai trabalhar cultivar as plantas para nós comermos.
(António Muiocha - 2ª classe)

Não vamos fazer como o governo de Salazar e Caetano de se sentar na cadeira e os outros trabalharem. Vamos todos trabalhar.
(César Alfredo Muchanga - 4ª classe)

É neste novo espírito que vamos trabalhar estudar e ter vigilância, não ter medo da polícia.
(Júlio Silvano Chemane - 2ª classe)

in As Vozes do Futuro, Revista Tempo, edição especial da Independência
República Popular de Moçambique, Junho de 1975.

14 junho 2010

De imprescindível leitura

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.
Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).
A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.
O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.
O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.
A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.
Boaventura Sousa Santos, in Visão
David Siqueiros: Retrato das Camadas Médias (fragmento de Mural)

20 maio 2010

Da origem do espírito

Mas o que há aqui de mais notável, é que todas as mais vivas & subtis partes do sangue, que o calor rarefez no coração, entram sem cessar em grande quantidade nas cavidades do cérebro. E a razão que faz com que elas para aí vão mais do que para outro lugar algum, é que todo o sangue que sai do coração pela grande artéria, toma o seu curso em linha recta para esse lugar, & que, não podendo todo ele aí entrar, posto que não tem para isso senão passagens bastantes estreitas, só lá entram aquelas das suas partes que são as mais agitadas & as mais subtis, enquanto o resto se espalha por todos os outros sítios do corpo. Ora estas partes muito subtis do sangue compõem os espíritos animais. E não têm necessidade para esse efeito de receber outra mudança alguma no cérebro, mas separam-se nele das outras partes do sangue menos subtis.
Por isso a que aqui chamo espíritos, não são senão corpos, & não têm outra propriedade, salvo que são corpos muito pequenos, & que se movem muito depressa, à maneira das partes da chama que sai de um archote: assim é que não se detêm em lugar algum; & que à medida que alguns deles entram nas cavidades do cérebro, deste saem também alguns outros pelos poros que há na sua substância, os quais poros os conduzem aos nervos, & daí aos músculos, através do que movem o corpo de todas as diversas maneiras segundo as quais pode ser movido.

René Descartes, As Paixões da Alma, Ed. Fim de Século, 2009

24 abril 2010

Bom dia

O Supremo Tribunal de Madrid expulsou o partido de extrema-direita (Falange) do processo contra Baltasar Garzón, impedindo-o de voltar a acusar o juiz da Audiência Nacional.
... AQUI

23 abril 2010

Puro, claro e natural

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mia Couto
Foto: R. Misrach

14 fevereiro 2010

Autoridade e Liberdade são uma e a mesma coisa


Autoridade é do que é autor.
Só a autoridade confere autoridade.
A autoridade não é quantidade.
Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade.
Aquele que julga ser possível autorizar ou desautorizar a autoridade de outrem não sabe no que se mete.
Liberdade.
A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.
Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só.
Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.
Trocar a liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água.
Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água.
Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães.
Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime.
Quanto mais perseguido mais perigoso.
Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca será um escravo.
Autoridade e Liberdade são uma e a mesma coisa.

Mário Cesariny
Pintura: Mark Rothko

04 fevereiro 2010

As revoltas da Madeira, quando o povo não brincava ao Carnaval



A 4 de fevereiro de 1931,celebram-se hoje 79 anos, os madeirenses revoltaram-se num movimento que ficou conhecido como a Revolta da Farinha.
Esta revolta foi seguida, cerca de um mês depois, pela chamada Revolta da Madeira um dos primeiros fortes movimentos de massas contra a ditadura saída do 28 de maio de 1926.
Na origem da Revolta da Farinha esteve um Decreto de Janeiro desse ano (1931), que estabelecia o monopólio da moagem e que ficou, então, conhecido como o "Decreto da Fome".
Este diploma entregava a importação de trigo e farinhas para a região, até aí livre, a um grupo monopolista de moageiros.
A contestação popular começou com uma grande manifestação pública em 29 de Janeiro.
A 4 de Fevereiro, a divulgação na imprensa da decisão do governo da ditadura levou à rebelião popular, originando motins de rua que duraram até ao dia 9, tendo a repressão provocado 5 mortos e muitos feridos.
Do governo central chegou no dia 9 uma força militar para a região com poderes especiais, discricionários, para realizar prisões e deportações.
A revolta foi esmagada, mas todo o terror repressivo desencadeado levou a que em Abril surgisse a Revolta da Madeira com a criação de um Governo democrático que governou, até se render, entre 11 de Abril e 2 de Maio.

19 dezembro 2009

Qual Obama, Lula é que é líder



O dinheiro que está sendo colocado na mesa é um pagamento pela emissão de gases-estufa feitas por dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro...(Aqui)
... Não é uma tarefa fácil, mas foi necessário tomar essas medidas para mostrar ao mundo que, com meias palavras e com barganhas, a gente não encontraria uma solução nesta Conferência de Copenhague... (Aqui)

A intervenção (pública)do Presidente do Brasil, revelou um estadista com um discurso ideológico sério, firme e carregado de futuro para os povos da América Latina, África e Ásia. É de supor que essas fossem as posições assumidas nas reuniões preparatórias onde as "grandes potências" (poluidoras) quiseram aprovar acordos da (sua) conveniência.
Se não foi possível saírem conclusões sérias desta reunião, é porque ainda não houve força suficiente, mas haverá certamente nos próximos anos, porque a história não pára.

09 novembro 2009

tudo isto ruiu com o Muro


Rainer Panzel foi um aluno modelar até que um acto de rebeldia juvenil lhe custou a liberdade. Em 21 de Setembro de 1961, uma quarta feira, Rainer, uma figura ilustre da FDJ local e os seus colegas de turma do sexto ano da escola de Anklam, perto de Neubrandenbourg, resolveram, em sinal de protesto (...), chegar à escola vestidos de preto e proclamar que " carregavam o seu futuro até à sepultura".
No mês anterior fora construído o Muro de Berlim (...) Ainda mais recentemente, o parlamento alemão oriental aprovara uma lei que criava o serviço militar obrigatório, integrado no Exército Nacional Popular. Mas ninguém podia ter previsto as repercussões que se seguiram a este pequeno acto de rebeldia.
Rainer, de dezassete anos, foi acusado de traição e condenado a cinco anos de prisão. Outro "cabecilha" também foi preso e condenado. Outros foram expulsos da escola e deste modo impedidos de fazer o exame final, um requisito para entrar na universidade. Alguns professores foram despedidos. Os pais viram-se obrigados a fazer autocrítica e a admitir as suas limitações na educação política dos filhos.
O Politburo recebeu um relatório sobre a actividade "contra - revolucionária" na escola. Cópias pessoais do relatório foram enviadas ao líder do partido, Walter Ulbricht, e ao seu futuro substituto, Erich Honecker. A organização do Partido no interior da escola foi obrigada a admitir que falhara, a FDJ local foi criticada pelo seu papel "politicamente negativo" e as ligações entre alguns professores e o antigo regime nazi vieram a lume. (...) mas para Rainer o desastre foi pessoal e não nacional (...)
" Prenderam-nos, a mim em primeiro lugar, e a mais dois que vi em tribunal. A nossa turma foi desmantelada e os professores demitidos. Levaram-me para o escritório da STASI em Anklam, em Ellbogen Strasse. Limitei-me a dizer: É certo que nos vestimos de preto, mas nunca foi nossa intenção derrubar o governo. Eles não sabiam o que fazer connosco e transferiram-me para a prisão deda STASI em Neustrelitz nessa mesma noite. (...). O julgamento realizou-se em 13 de Janeiro de 1962. Havia três arguidos, Dietmar Tietbohl, Peter Klause, dois colegas, e eu. (...) Os outros foram condenados a três anos e meio e eu a cinco, porque os meus actos haviam ameaçado todo o país e porque me consideravam o líder desta actividade contra - revolucionária. Ficámos estupefactos. Nem conseguimos pensar. Ninguém chorou, mas caímos num abatimento profundo.
Peter Molloy, in O Mundo Perdido do Comunismo (págs 108-111), Bertrand 20009

01 novembro 2009

E o velho Tejo beija a cidade enamorada


O terramoto que, no dia 1 de Novembro de 1755, abalou a cidade de Lisboa, foi um dos mais destruidores de sempre. Um quarto dos cerca de 250 000 habitantes pereceu e cerca de 30 000 habitações ruiram. Lisboa era, no séc. XVIII, uma das cidades comerciais mais ricas do mundo.
O inquérito do Marquês do Pombal, enviado a todas as paróquias do país para apurar a ocorrência e efeitos do terramoto, foi a primeira iniciativa de descrição objectiva no campo da sismologia, razão pela qual o estadista português é considerado um precursor dessa ciência.



É impressionante que os 35 arcos que constituem o Aqueduto, habitual paisagem do quotidiano lisboeta, tenham sobrevivido intactos. Afirma quem sabe, que ficam situados na junção de duas placas do Cretácio Superior, muito perto de uma falha sísmica, a de Campo de Ourique. Por isso se diz que quando alguma coisa escapou, como por milagre, “foi resvés Campo de Ourique”.
As causas geológicas do terramoto e da actividade sísmica na região de Lisboa são ainda motivo de debate científico, mas existem indícios geológicos da ocorrência de grandes abalos sísmicos com uma periodicidade de aproximadamente 300 anos.



Imposta pelo Marquês de Pombal, ministro de D. José, a reconstrução de Lisboa tornou-se uma prioridade imediata. Seguindo um modelo iluminista, esta “nova” cidade constituiu uma das mais audaciosas propostas urbanísticas da Europa da época. No então novo centro da cidade, hoje conhecido por Baixa Pombalina, encontram-se os primeiros edifícios, a nível mundial, construídos com protecções anti-sísmicas, que foram testadas em modelos de madeira, as chamadas "gaiolas pombalinas". Essa reedificação contou com alguns maçons operativos, entre os quais o arquitecto húngaro Carlos Mardel, pertencentes à Casa Real dos Pedreiros-livres da Lusitânia, primeira estrutura maçónica especulativa portuguesa.
Nesta nova Lisboa reconstruída:
**as ruas passaram a ser largas, com um traçado geométrico e com passeios calcetados;
**as casas foram construídas todas da mesma altura (4 ou 5 pisos), com fachadas iguais e com uma estrutura que resistia melhor a possíveis novos sismos. Para tentar evitar futuros incêndios, as casas assentavam em estacas de madeira que mergulhavam nas águas do subsolo e, entre os edifícios, fizeram-se muros (os corta – fogos) para evitar a propagação das chamas;
**construiu-se uma rede geral de esgotos, acabando com o velho hábito dos despejos lançados pelas janelas;
**o Terreiro do Paço deu lugar à actual Praça do Comércio, homenagem do Marquês de Pombal aos comerciantes que, com o seu dinheiro, ajudaram a reconstruir a cidade.



O terramoto provocou um efeito ciclópico também ao nível das mentalidades. Por um lado, assistiu-se à tendência generalizada para interpretá-lo como uma determinação divina, provocando na população um sentimento de expiação perante um castigo do Altíssimo. Por outro lado, defendidas por algumas correntes do pensamento iluminista, surgiram outras interpretações, que encontraram nas causas naturais a justificação para tão terrível acontecimento, considerado como um dos que tiveram maior impacto mediático em todo o mundo.

(Texto construído a partir de várias fontes )

10 setembro 2009

Apetites na revolução

Daqui e dali, isto é, de todas as zonas revolucionárias na história salta o ódio feroz das classes inferiores contra as superiores, porque estas tinham reservado em coutadas a caça. Isto dá-nos a medida do apetite enorme que eles, os de baixo, sentiam por caçar.
Uma das causas da Revolução Francesa foi a irritação dos camponeses porque não se lhes permitia caçar, e por isso um dos primeiros privilégios que os nobres se viram obrigados a abandonar foi este.
Em todas as revoluções, a primeira coisa que fez sempre "o povo" foi saltar as cercas das coutadas e demoli-las, e em nome da justiça social perseguir a lebre e a perdiz.

José Ortega y Gasset, Sobre a Caça e os Touros, Ed. Cotovia 2009

10 agosto 2009

Visita de médico



"Chegado a casa do doente, antes de o observar, pergunte se já lá foi o confessor. Se isso não tiver ainda acontecido, faça com que tal suceda ou ele deve prometer de que isso irá acontecer. Um doente que ouve falar dessa necessidade após ser observado pelo médico vai pensar que este desesperou de o curar.
Ao entrar no quarto do doente, não se deve apresentar nem exuberante nem contido. Deve cumprimentar os que se levantam à sua chegada e sentar-se junto ao doente.
Virando-se para o doente, deve perguntar-lhe como vai, segurando-lhe delicadamente no braço. A princípio pode haver diferenças de pulsação. A do doente pode estar acelerada pela excitação da chegada do médico ou pelo susto do preço da consulta
O médico deve prometer sempre ao doente que, com a ajuda de Deus, o vai curar. À saída, o médico deve dizer à criadagem que ele está muito mal, porque, se houver recuperação, isso dar-lhe-á muito crédito e se morrer confirmarão que o médico o tinha previsto desde o início.
Entretanto, o médico é aconselhado a não demorar o olhar na esposa, na filha ou nas criadas do doente."
(Glick, Livesey, Wallis in Medieval Science, Technology and Medicine)

A Schola Medica Salernitana foi a primeira escola médica medieval.
Fundada no séc.X, teve o seu maior esplendor nos séc. XI e XII. O seu elemento mais conhecido foi Constantino Africano, que traduziu os clássicos da medicina árabe para o latim.
Nesta escola cruzaram-se os conhecimentos das escolas Grega, Árabe e de Norte de África.
Foi a Escola de Salerno que iniciou o estudo das características do pulso arterial, desenvolvido mais tarde, durante a Renascença, com o conhecimento da circulação humana.

07 agosto 2009

Lubna Hussein


Lubna Ahmed al-Hussein viu adiado o julgamento para o dia 7 de Setembro.
Este adiamento foi devido, em larga medida, aos protestos que têm crescido de dimensão, em Cartum, Sudão e um pouco por todo o mundo devido à divulgação do seu caso.
A jornalista, trabalha no gabinete de imprensa da ONU e é acusada de "atentado ao pudor" por ter entrado vestindo calças num restaurante da capital do Sudão.
A pena prevista para este "crime" é de 40 chicotadas, mais uma multa pecuniária.
"Ser chicoteada não é uma dor, é um insulto aos seres humanos, às mulheres e às religiões", declarou Lubna Hussein.
No passado dia 4,cerca de 50 mulheres foram agredidas pela polícia com bastões e gaz lacrimogénio à porta do tribunal de Cartum, quando ali protestavam contra o julgamento de Lubna Hussein.
É imperioso que este caso seja divulgado, que por todo o mundo se tomem posições firmes contra este julgamento, a favor desta mulher que passou a ser um símbolo de dignidade de todos os seres humanos.