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13 novembro 2012

post 1000






Alguns sons
são tão suaves
que parecem a vibração do silêncio

Pintura: Arshile Gorky; Música de Mahler; Poema: de António Ramos Rosa.

Foi assim o marcas d' água nos seus 1000 post.

Aqui celebrámos as cores, os sons e as palavras, em tudo o que fazem tornando sublimes os  dias e a Vida.

24 junho 2010

Gardel, el Zorzal Crioulo

Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio, assim colocava Carlos Gardel um ponto final no mistério das suas origens.
Nasceu em Dezembro de 1890, tavez em Toulouse e faleceu num acidente de aviação em Medellin, num 24 de Junho de há 75anos .
É o grande responsável pela divulgação do Tango que popularizou, como cantor, no mundo inteiro.
Hoje, em sua memória, recordamos "Por una cabeza", um dos seus êxitos maiores,  em duas versões: a original de Gardel  e aquela que é representada numa das cenas mais fascinantes do cinema, onde adquire uma dimensão estética extraordinária.


26 maio 2010

Hoje, "JE SAIS, JE SAIS QU'ON NE SAIT JAMAIS!"


                               

Para todos os amigos que comigo aqui chegaram... e para a Catarina, claro!.

Música Maintenant je sais, Jean Gabin

24 março 2010

O genocídio de uma geração

Argentina, 24 de Março de 1976, faz hoje 34 anos. Uma Junta Militar composta pelos comandantes dos três ramos das Forças Armadas - o general Jorge Rafael Videla, o almirante Emílio Eduardo Massera e o brigadeiro Orlando Ramón Agosti – desencadeia um golpe militar, toma o poder e dissolve o Congresso.
Inicia-se nesse dia a ditadura militar mais violenta da história da Argentina,
a chamada guerra sucia, em que uma brutal maquina repressiva estatal, impôs um verdadeiro genocídio.
Entre 1976 e 1979, foram dadas como desaparecidas cerca de 9 mil pessoas identificadas pela Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas. Outras fontes apontam até 30 mil desaparecidos. Nesse período ainda, foram criados mais de 350 campos de concentração.
De todas as atrocidades cometidas pela ditadura, o assassínio das jovens mulheres que davam à luz, com a entrega dos filhos aos seus torturadores ficará para a história da Humanidade como uma das suas mais horrorosas perversidades.
Nestes dias de 2010, continua a exemplar acção das Avós da Praça de Maio na recuperação destas vítimas. O neto 101: Francisco Madariaga Quintela, filho de Silvia, jovem médica presa em 17 de Janeiro de 1977 grávida de 4 meses, foi finalmente "descoberto". Viveu 32 anos com o militar responsável pelo assassínio da mãe.
Anos con un vacío adentro inexplicable, disse.

Ler também Aqui

09 fevereiro 2010

Um Ano


Um ano Marcante:



Para cortar o silêncio e (a)largar o canto das tribos, fomos construindo o marcasdagua, um blogue articulado por três pessoas que se gostam, reconhecem e respeitam.

Festejamos hoje um ano de alegre partilha.



---------------- Fizemos amigos,


----------------------------------gritámos,----------chorámos,


----------------------------------- rimos,


-----------------festejámos, ---------convocámos.





Viva o Marcas!


Clara

C.

Paulo

31 janeiro 2010

31 de Janeiro


A 31 de Janeiro de 1891, decorre na cidade do Porto um levantamento militar contra a aceitação do Rei de portugal à imposição da Coroa Inglesa contida no Ultimatum de 1890 e que previa a saída de tropas portuguesas do território entre Angola e Moçambique que ficou, assim, sob o controle dos ingleses.
A revolta do 31 de Janeiro, esmagada no mesmo dia, com a prisão dos seus autores, foi a precursora da implantação da República em 1910.
Em 31 de Janeiro de 1969, nas comemorações da revolta, Mário Sacramento profere um discurso no Teatro Aveirense de que aqui reproduzimos alguns excertos.
É interessante notar que, apesar das limitações da censura que obrigavam a um texto fortemente metafórico, há uma análise do acontecimento histórico que é extremamente crítica para os que apelam e propõem a mudança das coisas na sua superfície, sem que haja transformações estruturais que levem a reais mudanças no País.
O que foi dito há 40 anos, tem hoje, com as adaptações necessárias, uma indiscutível actualidade.

Em 1507, Afonso de Albuquerque — o terrível fundador do Império Português do Oriente — enviou ao sultão de Ormuz um ultimato impondo-lhe a submissão ao rei de Portugal e dos Algarves. Em 1890, sua majestade britânica — rainha dos mares há muito navegados, mandou ao último rei de Portugal e dos Algarves, senhor já da África e do mais que sabeis, um ultimato semelhante, em que exigia a desguarnição do território interposto entre Angola e Moçambique. (Como haveis notado, chamei a D. Carlos o último rei português. D. Manuel foi, de facto, um "post scriptum" da monarquia apenas, pois a data que hoje comemoramos é a da implantação virtual da República entre nós - a sua data-chave).
Entre aqueles dois marcos - o de 1507 e o de 1891 - medeia uma viagem histórica, que fez de um país pioneiro de progresso a lanterna vermelha de todas as nações europeias.(...)
Em 1507, o porto de Ormuz ficara cor-de-rosa também, mas do sangue que correu, pois Albuquerque não aguardou a rendição dos atacados e abriu fogo de bombardas, mandando às almadias que lançassem os que pelas águas do naufrágio bracejavam. Em 1891, a cor de rosa que enfeitava as lapelas dos cortesãos parasitários do trono retingiu-se na cor rubra da primeira bandeira da República. O navio de guerra que aguardara em Vigo o embaixador inglês, um ano antes, para o repatriar no Caso de o ultimato não ser aceite, não precisou sequer de recolher o passageiro, pois o rei de Portugal, súbdito inglês — como lhe chamou Guerra Junqueiro — apressara-se a ceder, sem regateio, o que cobiçara não se sabia bem para quê, já que se mostrava inepto para prospectar, propulsionar e desenvolver o que há muito possuía.
É neste para quê que se joga toda a nossa História, do século XV até hoje. E adquirir a consciência disso é conhecer (de fonte viva) o passado e programar (de fronte lúcida) o futuro. Habituados a viver de recursos estranhos ao nosso solo europeu e à nossa iniciativa doméstica, saqueámos e mercadejámos a pimenta, o gengibre, o cravo, o sândalo, o pau-brasil, o benjoím, o azougue, a seda, o ouro, o aljôfar, as pedrarias, os chamalotes, o açafrão, a cera, o cardamomo, os brocados, o marfim, a prata, o cobre, os escravos, o café, a emigração e o petróleo. Mas não soubemos investir na metrópole toda essa riqueza.(...)
O 31 de Janeiro de 1891 foi, assim, o estrebuchar de um povo que supôs bastar-lhe a mudança de patrão — o rei, no caso — para resolver os seus dramáticos problemas. Não há dúvida que o patrão se tornara um mero feitor de interesses absentistas, pois Os verdadeiros donos do País eram os proprietários ingleses do vinho do Porto, por exemplo, ou as companhias estrangeiras que exploravam os nossos recursos metropolitanos e ultramarinos. Merecia que o escorraçassem, e a quantos partilhavam tais despojos! Mas mudar de feitor não é transformar as estruturas que administre por conta alheia. Distinguir o falso dono do verdadeiro proprietário — seja ele inglês, americano ou alemão — é o passo fundamental que desde sempre se nos impôs dar para que a Pátria seja verdadeiramente nossa e, como tal, soberana, independente e livre.

Mário Sacramento, Teatro Aveirense, 31 de Janeiro de 1969
Quadro: Proclamação da República na varanda da Câmara Municipal do Porto 31 Janeiro.

06 setembro 2009

19 agosto 2009

Frederico Garcia Lorca


No dia 19 de Agosto de 1936, o poeta espanhol Federico García Lorca foi fuzilado por um grupo de fascistas em Viznar (Granada).
Tinha nascido em 5 de Junho de 1898, em Fuentevaqueros, um povoado próximo de Granada. O pai era um importante latifundiário daquela região, mas os Lorca eram personalidades liberais, que deram ao filho uma educação avançada para a época.
Na sua última entrevista conhecida, publicada em Junho de 1936, dizia que em Granada vivia "a pior burguesia de toda a Espanha". Esta corajosa declaração, aliada às simpatias políticas e à sua homosexualidade, terá sido a causa próxima da sua morte.
Durante o governo republicano, Lorca, sem qualquer filiação partidária, teve uma actividade cultural militante, viajando com o teatro ambulante La Barraca por todo o país, levando peças a zonas que o desconheciam por completo.
Garcia Lorca pertence à chamada Geração de 1927 , grupo de que fazem parte os maiores escritores de Espanha do séculoXX.
A sua obra como dramaturgo é marcada pelas personagens femininas em luta contra as regras e a moral vigente.

Cancion Tonta
Mamá,
yo quiero ser de plata.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Yo quiero ser de agua.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Bórdarme en tu almohada.
¡Eso sí!
¡Ahora mismo!

06 agosto 2009

Hiroshima


Alfred Eisenstaedt

6 de Agosto de 1945 08,45h.
Neste dia, a esta hora, o avião B29 "Enola Gay", pilotado por Paul Warfield Tibbets Jr., lançou a primeira bomba atómica sobre um alvo humano.
Em menos de um segundo os prédios desapareceram juntamente com a vegetação, transformando Hiroshima num campo deserto. Num raio de 2 km, a partir do centro da explosão, desapareceu tudo. Uma onda de calor imenso, emitia raios térmicos, com a radiação ultravioleta. Para fora do raio de 2 km o calor fez desaparecer a roupa e a pele de quase todas as vítimas. Inúmeros incêndios foram, depois, causados pelo calor da explosão. Vidros e metal derreteram como lava.
Uma chuva preta, oleosa e pesada, caiu ao longo do dia. Essa chuva continha grande quantidade de poeira radioactiva, contaminando áreas mais distantes do centro. Peixes morreram em lagos e rios.
Até hoje são sentidos pelas vítimas e seus descendentes os efeitos deste crime. Um crime contra a Humanidade.

20 julho 2009

20 de Julho de 1969



*

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, penduradada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num burburinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam,
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobre-humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira
da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

António Gedeão, Novos Poemas Póstumos, Ed. Sá da Costa, 1990.
* Sting & The Police - Walking on The Moon

06 julho 2009

Encontro de amigos


...........

Manuel Alegre e Paulo Sucena apresentam o livro de homenagem a Mário Sacramento no dia em que este faria 89 anos.

Lisboa, Livraria Círculo das Letras (Av. Óscar Monteiro Torres, junto Av. Roma). Terça Feira, 07/07, 18h.

25 junho 2009

Há 34 anos em Moçambique

Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito.
Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água.
Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão.
Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?
Mia Couto, O último voo do flamingo

23 junho 2009

Festa



Parabéns, Clara

Quadro: Lúcia Maia, "Até às nuvens"
Música: Deolinda, "Fon,Fon,Fon


21 junho 2009

O III Bibliotecário

240 anos antes de Cristo existia a Grande Biblioteca de Alexandria.
Nesses anos o Bibliotecário, seu responsável máximo, chamava-se Erastótenes.
Nos meios académicos do tempo, Erastótenes era chamado em tom depreciativo Beta, porque, diziam, era sempre o segundo melhor em tudo.
Um dia, ao ler um papiro, Erastótenes soube que em Syene (actual Assuão), a cerca de 800 km a sul de Alexandria,às 12 horas do vigésimo primeiro dia de Junho - Solstício de Verão- uma vara ou uma coluna de pedra em posição vertical não projectava sombra.
Comparou esta informação com a existência, no mesmo dia e hora, de sombra nas colunas da sua cidade, a Norte.
Dispondo apenas de varas, observação e inteligência, fez o necessário para descobrir que a Terra era redonda.
(Na Europa medieval, 1000 anos depois, defender que a Terra não era plana podia equivaler à pena de morte).
Deu-nos mais Erastótenes. Ao contrário do que diziam as vozes académicas do tempo, ele podia, afinal, ser primeiro: calculara, ainda, 240 anos antes de Cristo, o raio da Terra com uma precisão quase absoluta.
Hoje, no Solstício de Verão, 2500 anos depois, é bom recordar Erastótenes.

Carl Sagan também gostava de Erastótenes:


13 junho 2009

Festa

Pintura: Arshile Gorki "Year after Year"

Música: Katie Melua

Parabéns, C.