corto uma fatia da tarde e dou-me ao luxo da preguiça.
curiosa dessas portas meio abertas, navego, mas todo o jogo de reflexos é próximo da miragem: há muito que não me encontro com as leituras de auster, e cansada dos trabalhos de babel, vou adiando a catharsis dos meus dramas filosóficos.
abro a janela. por ela entram ainda paisagens salvíficas para o meu olhar breve que, enublado de teimosa melancolia, viaja no tempo, caminha por entre abencerragens, falcoeiros e castelos mouriscos, como quem limpa o pó aos livros ou refaz a trama de um velho agasalho .
regresso à natureza do meu mal: dou corda a um relógio parado no tempo de vermeer; limpo do texto os excessos e risco símbolos, ruídos de horas extraordinárias que ensurdecem qualquer pensamento musical. desço por vezes à matriz de outros sonhos, descubro outros lugares, novos mundos povoados de fantasmas ou barcos com flores, perfeitos para as minhas provas de contacto com a realidade que me importa.
Tornei-me desgraçadamente sensível à anarquia do riso por entre todas as dúvidas metódicas. dizem-me alguns que há vida noutros planetas, mas eu descubro nessa ronda dos astros a irónica comédia de todos os cais de partida em amsterdam.
[devaneio estranho, este, pois o que interessa mesmo é irmos andando, num thriller de mortos-vivos e salmos de david.
com ou sem arrastão, e a jugular exposta ao golpe, sentar-nos-emos à direita de deus pátria, sem meditação à esquerda que nos reflicta, ou brumas de avalon que nos encantem.]
com ou sem arrastão, e a jugular exposta ao golpe, sentar-nos-emos à direita de deus pátria, sem meditação à esquerda que nos reflicta, ou brumas de avalon que nos encantem.]
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