Mostrar mensagens com a etiqueta Lusofonia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lusofonia. Mostrar todas as mensagens

20 julho 2010

"eu não sei d'on' qu'ô vim, on' qu'ô tô, pr'onq'ô vô, e quem qu'ô sô"


Não deixo de me surpreender com a diversidade dos dialectos brasileiros (eu sei que deveria escrever dialetos..., mas lá irei, lá irei). Uma das primeiras expressões que eu aprendi do chamado português do brasil setenterional, foi "pedir penico", que significa amedrontar-se, mostrar-se fraco, fracassar.
Eu tinha um aluno brasileiro, miúdo pacato, educadíssimo, que usava o seu humor fino e inteligente, sobretudo em situações de impasse ou de algum constrangimento. A turma era grande mas pouco enérgica, culturalmente muito heterogénea, o que lhe dava, até, um certo encanto, mas que era, para mim, um desafio permanente.
Um dia, lá pelo meio do segundo período, numa fase de apresentação de projectos de leitura, a turma alvoroçou-se na escolha do aluno que deveria apresentar o seu projecto em primeiro lugar. Ninguém se decidia, nenhum queria, de facto, expor-se. Então o garoto soltou, entre um sorriso Colgate e uma gargalhada: está é tudo a "pedir penico"!
Foi a salvação. Gargalhada geral,  estava mais que decidido quem iria começar. E com direito à explicação, atempada e pertinente, da expressão desconhecida.

06 junho 2009

Barroco Tropical


"Barroco Tropical" é o novo romance de José Eduardo Agualusa.

Estamos mergulhados na luz. Estamos afundados no obscurantismo e na miséria. Somos incrivelmente ricos. Produzimos metade dos diamantes vendidos no mundo. Temos ouro, cobre, minerais raros, florestas por explorar e água que não acaba mais. Morremos de fome, de malária, de cólera, de diarreia, de doença do sono, de vírus vindos do futuro, uns, e outros de um passado sem nome” (pág. 93).
Agualusa atreve-se a denunciar, não há dúvida. Com ou sem liberdade poética, a denúncia espreita a cada página. Mas não derrota. É no próprio sogro do escritor do romance que coloca as palavras: ”O país caiu nas mãos de quimbandeiros e de aventureiros sem escrúpulos. Não podemos baixar os braços. A luta continua. A vitória é certa” (pág. 331).
Porque o escritor – o protagonista da história, Bartolomeu, ou o autor, Agualusa – é um artista: “Deixem-nos a nós, os artistas, sentir muito – o nosso ofício é sentir muito. Médicos, advogados, políticos, engenheiros, prostitutas, proxenetas, psiquiatras, militares não podem sentir muito. Sentir muito prejudica-os na sua actividade” (pág. 321)
in A Das Artes

17 abril 2009

O uso dos preservativos...

Creio que passou na RTP1 ou RTPN, não sei, em Janeiro. Lembro-me de ter pensado que me teria dado um jeitão este filme para abordar questões sobre a publicidade pedagógica, ou educativa, a criatividade como factor determinante de persuasão, etc. e tal.
É um excelente exemplo de simplicidade e eficácia, de 4:41 minutos imperdíveis. O filme faz parte de um conjunto de vídeos do Steps for the Future, cujo maior objectivo é o de educar e formar gentes em regiões afectadas pela pandemia do HIV. Esta curta-metragem de Orlando Mesquita foi galardoada com vários prémios, entre os quais:
Prémio Especial do Júri Festival de Cannes Júnior, 2002
Prémio Especial do Júri Internacional de Estudantes de BANFF para melhor programa infantil - Canadá 2002
Melhor Filme Africano no Apollo Film Festival d, S.A. 2002
Prémio Instituto Camões para a melhor Curta Metragem de Expressão Lusófona – Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora – Histórias Comunitárias, Portugal, 2003.