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26 agosto 2012

Daí, desse lugar...



Um dia aconteceu que o homem desceu na Lua e nela caminhou pela primeira vez. "Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade" - aprendemos a dizer.
Um feito para a História, testemunhado por mais de 600 milhões de olhos deslumbrados que viram, na caixinha mágica, tudo o que foi divulgado. Tudo o que muitos julgavam jamais poder ver.
Os portugueses assistiram a este momento crucial da história da humanidade na madrugada de 21 de Julho de 1969, às 3:56:20.
“Foram 18h de emissão ( ... ) vistas por dois milhões de portugueses que se deitaram mais tarde – ou se levantaram mais cedo... ou simplesmente não se deitaram – nessa madrugada de 21 de Julho, que caiu a uma 2ª feira, dia de trabalho”, como se afirma no livro: RTP, 50 anos de História.

Mas hoje, Armstrong, como será essa outra dimensão, rumo à qual iniciaste esta viagem?

Foto: NASA/AP

26 outubro 2009

A plena liberdade na espontânea ordem das coisas

A tendência para o sincronismo é uma das constantes mais enigmáticas da natureza.
Trata-se de um objecto de estudo filosófico, matemático e das neurociências, desde finais do século XIX, com um interesse e aprofundamento muito significativos neste milénio.
Sempre se partiu do princípio de que todos os sistemas da natureza (ou de actividade humana) necessitavam de ordem e que essa ordem viria de um comando que lhes era interior. Hoje sabe-se (e investiga-se) que a existência de sincronismo é universal e que, em liberdade plena de organização, há uma evolução natural para uma qualquer forma de organização "espontaneamente ordeira" - algo resultante da acção e movimento dos homens, sem design prévio.
A investigação e a chamada Science of Spontaneous Order envolvem áreas do conhecimento tão diversas como a Biologia, a Economia, a Medicina ou a Política e estudam questões tão distantes entre si como o sincronismo dos batimentos cardíacos, o voo ordenado dos pássaros, o facto de as mulheres, vivendo juntas por muito tempo, passarem a menstruar em momentos coincidentes, ou a evolução da economia de mercado.
Curiosamente, a necessidade de os sistemas serem deixados livres de se organizarem, como condição essencial ao aparecimento da ordem, é, em termos políticos, colocada no final do séc. XIX por Proudhon na defesa do anarquismo ( "a liberdade é mãe da ordem e não sua filha", disse).
O tema é de indiscutível interesse e este não diminui mesmo se considerarmos a utilização perversa da sua aplicação nas teorias económicas neo liberais que levaram ao colapso recente do sistema financeiro assente na auto regulação do mercado, deixado em plena liberdade.
O video que se mostra procura mostrar a existência de autoregulação espontânea em inúmeros acontecimentos do quotidiano no planeta e na vida.

30 setembro 2009

"Notas & Neurónios" ou o poder da escala pentatónica



O que nos faz acreditar que a linguagem musical está "internalizada" e pode ser antecipada por qualquer um de nós.
Bobby McFerrin assegura que, onde quer que ele faça este show, as pessoas produzem os mesmos sons. Conclusão: todos nascemos a saber música. O problema é que só uma minoria é estimulada a desenvolver essa capacidade artística.
Bobby McFerrin  é conhecido pela sua enorme extensão vocal (até quatro oitavas), pela habilidade de usar a voz para criar diversos efeitos e ainda por ser capaz de entoar o canto difónico (produção de intervalos harmónicos e acordes a partir de uma só voz), prática muito comum em certos países asiáticos.

Ver mais de Bobby M. aqui

14 setembro 2009

Middle sex


… Enquanto Miss Grotowski escreve as suas equações no quadro, todos os colegas à minha voltam começam a transformar-se. As coxas de Jane Blunt, por exemplo, todas as semanas parecem crescer mais um bocadinho. A sua camisola vai inflando à frente. Um belo dia, Berveley Maas, que se senta mesmo ao meu lado, põe o dedo no ar e eu vejo uma mancha escura pela sua manga acima: um tufo de pelos castanho- claros. (…..)
A voz de Peter Quail é agora duas oitavas mais baixa do que o mês passado, sem que ele dê por isso. E porquê? Está a voar demasiado depressa. Os rapazes começam a ganhar uma penugem de pêssego por cima dos lábios. As testas e os narizes começam-lhes a rebentar. Mais espectacularmente ainda, as raparigas começam a tornar-se mulheres. (….)
Só Calliope, na segunda fila, permanece imutável, como que paralisada na sua secretária, de modo que é ela a única a reconhecer a verdadeira amplitude das metamorfoses em curso à sua volta. Enquanto resolve os problemas, está ciente da carteira de Tricia Lamb no chão na mesa ao lado, e do tampão que lobrigou lá nessa manhã – e como é que isso se usa ao certo?- e a quem perguntar? Embora ainda seja bonita, Calliope não tarda a tornar-se a rapariga mais baixa da turma. Deixa cair a borracha, mas já ninguém lha vem apanhar. Na peça de Natal da escola, já não é escolhida para fazer de Maria, como nos últimos anos, mas sim de elfo…Mas ainda há esperança, não haverá? ( ....) os alunos voam vertiginosamente através do tempo, de tal modo que um dia, ao levantar os olhos do seu papel manchado de tinta, Callie vê que é Primavera, as flores a desabrochar, forsítias em flor, ulmeiros verdejantes; no recreio, meninos e meninas de mãos dadas, beijando-se por vezes atrás das árvores, e Calliope sente-se enganada, traída. “Então e eu?”, diz ela à natureza. Estou à espera. Ainda aqui estou”.

Jeffrey Eugenides, Middlesex, D. Quixote, 2oo4
Fotografia Diana Arbus
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O fascinante Middlesex de Jeffrey Eugenides (acima citado) começa assim: nasci duas vezes: primeiro como menina bébé, num dia invulgarmente limpo na cidade de Detroit, em Janeiro de 1960. Depois outra vez, como rapaz adolescente, numa sala de urgências perto de Petoskey, Michigan, em Agosto de 1974. O narrador e figura central do livro é Calliope / Cal , um intersexo.
Intersexo é alguém que, ao nascer, tem uma ambiguidade sexual : há uma discrepância entre o sexo cromossómico e o aspecto dos genitais. A "definição" social do bébé é feita, naturalmente, a partir da aparência dos genitais (nome, educação, roupa, penteado, brinquedos, etc.).
No caso de Calliope / Cal, o sexo cromossómico era 46XY, masculino, mas os genitais tinham uma aparência feminina. Educada como menina, foi na adolescência que o conflito se manifestou.
O nome "Caster Semenya" (atleta da África do Sul recentemente "desclassificada" numa prova feminina de velocidade) introduzido no motor de busca Google remete-nos para 2.710.000 entradas.
A forma absolutamente preversa e sem princípios como os mídia abriram a vida de Caster e a vasculharam, expondo os detalhes mais íntimos à vista de todos sem o mínimo pudor, terá consequências irreparáveis na sua vida e dos que lhe são próximos.
A enorme complexidade desta questão decorre da existência de uma identidade de género oposta à configuração dos genitais e coloca problemas dificílimos, como se compreende, relacionados com equilíbrios em múltiplos planos. Mas não é, seguramente, matéria para jornalismo de escândalos.

11 setembro 2009

We are the Web

Via: dennishollingsworth.us, blogue onde o autor mantém, desde 2003, não só uma espécie de sketchbook das suas obras, mas também reflexões sobre o quotidiano - aspectos do seu percurso de pintor, as galerias, artigos sobre as várias manifestações tecnológicas e artísticas no mundo contemporâneo .
Comecem por descobrir a originalíssima Timeline bio do autor, ou a entrada About this blog. Conheci-o através de uma amiga ligada às artes plásticas (obrigada Lurdes!) que mo aconselhou vivamente. Está feita , também, a minha partilha “em rede”. Espero que vos interesse.

Quanto ao vídeo ali em cima... pois... cada vez mais somos “feitos” da linguagem que nos diz: We are the web, afirma Dennis H.. Estou em crer que somos mais qualquer coisa, sei lá... mas como dizê-lo?

28 julho 2009

Bendita Cafeína


Pode afirmar-se que existe uma relação inversa entre consumo de café ao longo da vida e incidência de patologia neuro-degenerativa em geral?
Neste momento, existe evidência de efeito neuro protector da cafeína não só em relação ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento e possivelmente doença de Alzheimer, mas também em relação à doença de Parkinson. De facto, dois estudos epidemiológicos de grande dimensão* mostram que o consumo de cafeína está associado a um menor risco de desenvolver doença de Parkinson. Seria interessante investigar se um efeito semelhante se verifica em relação a outras doenças neuro-degenerativas.
Prof. Alexandre Mendonça, Dep. de Neurologia e Laboratório de Neurociências,
Fac. Medicina de Lisboa e Instituto de Medicina Molecular, Universidade de Lisboa

*The neuro-protective effects of caffeine: a prospective population study (the Three City Study). Neurology 69:536-545
(imagem aqui)