Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Pia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Pia. Mostrar todas as mensagens

26 janeiro 2011

As verdades que nunca te direi (ou já disse mas eram mentira)


«- É no entanto espantoso que a verdade não entre pelos olhos dentro de todos os homens!

- Desengana-te. A verdade é conhecida de toda a gente, mas uma coisa conhecida de toda a gente não possui nenhum valor de troca. Estás a ver patifes que controlam a informação a vender verdades… Na melhor das hipóteses, toda a gente se ria deles. Por uma razão bem simples. A verdade não tem nenhum futuro, ao passo que a mentira é portadora de grandes esperanças.»


Albert Cossery, As cores da infâmia, (Tradução de Ernesto Sampaio), Antígona, (pp. 101-102).

05 setembro 2010

Do pouco que sei


1. Depois de um julgamento, depois de ouvidas as testemunhas e depois de examinadas as provas, um colectivo de juízes deu seis arguidos como culpados e conferiu o estatuto de vítimas às anteriormente alegadas "crianças mentirosas".

2. O julgamento arrastou-se ao longo de seis anos, o que trouxe um inegável acréscimo de sofrimento às vítimas e propiciou, aos acusados, uma exposição mediática pouco adequada a um julgamento correcto por parte da opinião pública. Essa mediatização excessiva levou à profusão de opiniões baseadas, muitas vezes, numa crença sobre a culpabilidade ou inocência dos arguidos.

3. Dada a dimensão pública que o caso atingiu, o anúncio das sentenças deveria ter tido uma fundamentação adequada relativamente às provas das acusações que originaram as penas aplicadas.

4. Hoje, em Portugal, todos os criminosos com meios económicos podem deixar de cumprir pena. Basta uma utilização “adequada” dos poderes suspensivos dos recursos.

5. Há suspeitas de que continua a haver crianças abusadas na Casa Pia, o que quer dizer: há mais vítimas e mais abusadores.

Espero sinceramente que a publicitação da sentença esclareça, em definitivo, as legítimas dúvidas de quem  quer acreditar no exercício da justiça.