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03 maio 2011
25 abril 2011
20 abril 2011
Patrões e Capatazes
Passos Coelho disse-o com despudorada clareza: o programa de governo do PSD será o do FMI. E o mesmo acontecerá necessariamente com o do PS e o do CDS, partidos que, juntamente com o PSD, continuam em reuniões com os mandatários do FMI, BCE e UE para receber instruções ("negociações", chamam-lhes eles: o FMI, BCE e UE ditam e PS, PSD e CDS tomam nota, atrevendo-se eventualmente a alguma sugestão respeitosa...). Restam os programas do BE e do PCP, que conterão certamente medidas alternativas, mas não poderão, seja numa improvável participação no Governo seja na AR, alterar nada do que já tiver sido decidido pela coligação FMI/PS/PSD/CDS.
Pode, pois, perguntar-se para que é que haverá eleições senão para, à falta de pão, oferecer ao país duas ou três semanas de circo. As políticas para os próximos anos estarão, de facto, determinadas antes das eleições e independentemente dos resultados eleitorais e, depois delas, qualquer medida com impacto orçamental, mínimo que seja, do Governo ou do Parlamento, terá que ir a despacho aos tutores do país.
A suspensão da democracia sugerida por Manuela Ferreira Leite durará pelo menos três anos, durante os quais nos caberá tão só eleger capatazes que executem as ordens de Washington (FMI), Frankfurt (BCE) e Bruxelas (Comissão).
Por muito menos foi a estátua de Camões, quando do ultimato inglês, coberta de crepes pelos antepassados políticos do actual PS.
Manuel António Pina, JN
Fotografia: Richard Avedon
14 abril 2011
08 abril 2011
27 março 2011
Mas... onde está o Povo?
Um PS e um PSD que discutiam a posse de um Povo submeteram o caso ao julgamento de um FMI. Este, depois de ouvir uma longa argumentação, abriu a boca para proferir a sentença.
- Já sei qual vai ser a decisão – interrompeu o PSD. – Devido ao nosso fraco desempenho, o Povo não pertence a nenhum dos dois e serás tu mesmo a comê-lo. Permite-me que te diga que é uma decisão injusta, como provarei.
- Para mim – disse o PS – está claro que darás o Povo ao PSD, o PSD a mim e que tu ficas comigo. Já tenho experiência destas coisas.
- O que eu ia a dizer – disse o FMI, bocejando – é que, durante a argumentação deste caso, a propriedade em disputa pôs-se a andar. Talvez consigam arranjar outro Povo.
Nota: Inspirado numa fábula de Esopo.
retirado daqui, à descarada, mas com a devida vénia.
22 março 2011
Redacção para o exame da ludoteca: xeque-mate de rei e dama
É uma técnica simples, que apenas requer um trabalho de conjunto e dinamismo, por parte do rei e da dama atacantes, para restringir o rei adversário. Nunca se deve desprezar a chamada “jogada de espera”. Entretanto, há que limitar as filas de alcance do rei atacado (não sei como se faz, mas já vi que resulta noutros tabuleiros).
Para viabilizar (o que eu gosto deste termo!) a execução deste mate, o Rei precisa de apoiar a dama - tanto para forçar o movimento do Rei adversário para as bordas do tabuleiro, quanto para efectuar o mate.
Para que a dama tenha poder estratégico, deve estar colocada em L ou posição de cavalo com o rei adversário.
Quando o Rei estiver sem saída é só gritar bem alto "XEQUE-MATE!". Se disserem "vai-te embora antes que o cheque te mate", não vale. Não queremos cheques sem cobertura.
Alguns peões, que neste jogo nunca podem retroceder, estão agora nos bastidores, com cara de parvos, porque nunca aprenderam jogos estratégicos - só se lembram do anelzinho e do jogo do ringue nas avenidas, idas, de restritas liberdades, quando ainda se cantava Ó-ai-ó-linda e não havia carros nem buzinas. Pensavam que era um jogo a brincar e estão quase a dar-se conta de que vai ser tudo a sério depois do torneio.
E há também peões a dar de frosques porque não querem ser obrigados a PEC(ar) sem fazer batotice, coisa a que seriam obrigados em caso de empate.
Esta redacção não foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, mas deu-me um grande gozo, porque aprendi imenso sobre a técnica de copipeiste.
imagem: Final de Partida, obra de Andrea Conde (Buenos Aires)
07 março 2011
01 dezembro 2010
Atirem-lhes o O'Neill
O Medo vai ter tudo
pernasambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no múrmurio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
Ouvidos nos teus ouvidos
O Medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talveza minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O Medo vai ter tudo
que se tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Sim
a ratos
(Alexandre O'Neill)
Se quiserem, leiam AQUI
22 novembro 2010
31 outubro 2010
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me
sentir como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater
os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava
os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira
Que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
E o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto
Quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera
um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos
a ver se contraía a febre do império
mas a única coisa que consegui apanhar
foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar
uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito
e idiota como tu
mas que tem o coração doce, ainda mais doce
que os pasteis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros
para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete
Salazar estava no poder
nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram
nada de ressentimentos
um dia bebi vinagre
nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas
a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho
Que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge de Sousa Braga, O Poeta Nú, Ed Fenda, 1991
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me
sentir como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater
os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava
os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira
Que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
E o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto
Quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera
um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos
a ver se contraía a febre do império
mas a única coisa que consegui apanhar
foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar
uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito
e idiota como tu
mas que tem o coração doce, ainda mais doce
que os pasteis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros
para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete
Salazar estava no poder
nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram
nada de ressentimentos
um dia bebi vinagre
nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas
a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho
Que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge de Sousa Braga, O Poeta Nú, Ed Fenda, 1991
01 outubro 2010
O que se sabe dum tempo que se desconhece
"... A situação do nosso país é pré caótica - anuncia o caos possível -, porque em todos os domínios da vida social e da governação a retroação do efeito sobre a causa está presente (ou, como se diz habitualmente, "o problema faz parte da solução"). Basta olhar para as políticas da "modernização" e as suas consequências no "Estado Social": a preacriedade do emprego, a mobilidade, as novas tecnologias empurram para o desemprego milhares de pessoas que o Estado tem de apoiar, o que leva a pô-lo em risco, obrigando a abrandar ou acelerar a modernização, o que por sua vez reconduz à inércia e ao desperdício, criando novamente mais desperdício, etc. (...)
Um movimento cada vez mais acelerado de caotização está a invadir o País, afetando as subjetividades. Ninguém sabe o que vai acontecer. Não se pode ficar inerte, mas não se sabe como agir (senão salvar o que de bom tem sido feito). Nem sequer há a certeza do caos futuro, com a esperança de uma dialética que faça nascer a luz das trevas. Este setembro "do nosso descontentamento" marca, talvez por muitos anos, o fim da esperança. Resta-nos a força de viver.
José Gil, O caos incerto, Visão (30 Setembro 2010)
Fotografia: Gregory Crewdson
15 agosto 2010
12 agosto 2010
Josefa
Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude. Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas." Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos. Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?
Ferreira Fernandes, AQUI
22 junho 2010
Austeridade, a nossa e a deles
A austeridade tem as costas quentes. Serve para desviar a atenção de propostas divertidas, mas vesgas, como a eliminação dos feriados do 5 de Outubro ou do Dia de Todos os Santos. Existe para que ninguém repare na notícia jocosa que circula pela CGD: que Mário Lino vai para lá para presidente do Conselho Fiscal das companhias de seguros. Expliquem só, por favor, como é que alguém um dia pode ser competente para administrar a Cimpor, no outro dia a REN e finalmente vá como fiscalista para o universo do banco do Estado? A austeridade funciona para que ninguém repare que se fecham centenas de escolas no interior do País. A austeridade é a máscara que comprámos para que o Carnaval seja todo o ano. Em nome dela podem continuar a multiplicar-se os dislates, a insistir-se nos mesmos erros, a confundir os portugueses com cortes que afectam apenas quem não pode ou não deseja fugir à lei. Mesmo com austeridade, Portugal continua a engordar para os lados. Já se sabe para que vai servir esta austeridade: para que, quando as contas estiverem minimamente equilibradas, regresse o regabofe sem pudor. Porque, entretanto, ele vai continuar dentro do princípio de vícios privados e públicas virtudes. A história de Portugal, neste aspecto, é tão previsível como uma fotocópia. Como é que se pode levar a sério a austeridade e os sacrifícios pedidos aos portugueses se a elite oficial deste sítio se continua a comportar assim? A crise não ensinou nada a esta gente que se julga a viver no último andar do Empire State Building. Está. Até um dia cair.
Foto Google
21 junho 2010
O chá, a gramática e o resto que se bebe em pequenino
O oficioso "Osservatore romano", que o Vaticano costuma usar para atirar pedras escondendo a mão, achou que a morte de Saramago seria boa altura para o apedrejar, tanto mais que, agora, ele já não pode defender-se. O apedrejador de serviço meteu, por isso, mãos à vaticana obra e, mesmo não percebendo por que motivo terá Deus deixado Saramago viver até à "respeitável idade de 87 anos" e andar por aí a exibir uma "crença obstinada" não nos dogmas da Igreja mas nos do materialismo histórico, condenou-o às chamas do Inferno (infelizmente a Igreja já não tem poder para condenar gente como Saramago à fogueira na Terra). Também Cavaco tem queixas de Saramago mas, no seu caso, só protocolares pois, ao contrário do Vaticano, Cavaco não é rancoroso. Saramago não teve, de facto, o cuidado de acertar a data da morte com a agenda da Presidência, o que impediu o presidente de ir ao funeral. Saramago devia saber que Cavaco "gosta de cumprir promessas" e que prometera "à família que no dia 17 partiria com eles para a ilha de S. Miguel".
Ora regras de concordância gramatical podem interromper-se, férias não.
Manuel António Pina AQUI
05 junho 2010
Diz que é uma espécie de avaliação ou... são as estatísticas, estúpido!
Pensávamos já ter visto tudo no domínio da destruição da escola pública levada a cabo nos últimos anos pelas cliques instaladas no Ministério da Educação.
A competição a que as novas gerações vão estar sujeitas e que a globalização tornou quase planetária, obrigaria os responsáveis (se o fossem) à promoção de uma escola exigente, avaliadora do mérito e da competência, premiando o esforço, o trabalho e a dedicação dos estudantes.
A escola exigente será sempre um elemento formador de um jovem. A escola que aceita o laxismo, que desculpa e justifica a trapaça e o golpismo ... também.
Inventar agora uma forma para que os alunos reprovados, sim - reprovados, no oitavo ano de escolaridade, caso tenham mais de quinze anos, possam autopropor-se a concluir o nono ano sem que o tenham frequentado é um daqueles momentos em que a realidade consegue ultrapassar qualquer ficção.
São evidentes as desigualdades que esta medida vem instaurar - «Aos adolescentes que completarem o 8º ano com sucesso exige-se que transitem para o 9º ano e aos alunos que não obtiveram aproveitamento curricular ao longo do ano lectivo abre-se a possibilidade de, após fazerem as provas nacionais e de equivalência de frequência, saltarem uma etapa e passarem à frente dos outros colegas. "Isso significa que os que trabalharam pior são mais beneficiados dos que os que se esforçaram na avaliação contínua"»
São evidentes as desigualdades que esta medida vem instaurar - «Aos adolescentes que completarem o 8º ano com sucesso exige-se que transitem para o 9º ano e aos alunos que não obtiveram aproveitamento curricular ao longo do ano lectivo abre-se a possibilidade de, após fazerem as provas nacionais e de equivalência de frequência, saltarem uma etapa e passarem à frente dos outros colegas. "Isso significa que os que trabalharam pior são mais beneficiados dos que os que se esforçaram na avaliação contínua"»
Assim, não vamos, de facto, a lado nenhum. Mas somos os ases das "estatísticas de sucesso".
28 maio 2010
Festim
Desde que o primeiro-ministro anunciou o primeiro pacote de contenção e aumentos fiscais para todos os portugueses, há duas semanas, os gabinetes dos seus ministros e secretários de Estado contrataram cerca de 15 novos assessores e adjuntos. AQUI
Grande parte dos membros do gabinete de Pedro Passos Coelho na sede nacional do partido foram nomeados assessores do grupo parlamentar do PSD, sendo assim remunerados pela Assembleia da República. AQUI
entretanto:
O Conselho de Ministros de 27 de Maio aprovou um diploma que visa regular a eliminação de algumas medidas que tinham sido adoptadas transitoriamente no auge da crise económica internacional. São eliminadas: a prorrogação por 6 meses da atribuição do subsídio social de desemprego, a redução do número de dias de trabalho para atribuição deste subsídio, a majoração de 10% do subsídio de desemprego para os agregados desempregados com dependentes a cargo, o alargamento aos escalões 2 a 5 do adicional ao abono de família para despesas de educação, o Programa Qualificação-Emprego, a redução de 3% da taxa social única para micro e pequenas empresas, a requalificação de jovens licenciados em áreas de baixa empregabilidade, e o reforço da linha de crédito bonificada para criação de empresas por desempregados. A eliminação progressiva destas medidas adequa-se à nova fase de evolução da economia portuguesa e inscreve-se nas medidas de redução da despesa pública.
Dificilmente esta gente poderia ir mais longe no cinismo, na arrogância e na prepotência.
Agora, espera-nos a segunda dose. Vem aí o duplo, a segunda edição, com todos os protegidos a precisarem de lugar para serem colocados. Vão continuar o repasto (claro que depois de se pagarem as indeminizações aos amigos que saem...).
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