27 outubro 2012
... da solidão
25 outubro 2012
Foto Diane Arbus
24 outubro 2012
O Poeta que habitava os dias
(Manuel A. Pina, JN, 2/9/92)
22 outubro 2012
Não é Escritor Quem Quer

14 outubro 2012
Ian McEwan
09 agosto 2012
Férias, tempo de viagens
....Baudelaire venerava os devaneios de viagem como um emblema de nobreza dos espíritos inquietos, que descrevia como "poetas" jamais satisfeitos com os horizontes familiares por mais que pudessem apreciar os limites de outras terras, e cujo humor oscilava entre a esperança e o desespero...
...Por vezes [Baudelaire] sonhava ir a Lisboa. Aí faria mais calor e ele, estendido ao sol como um lagarto, ganharia novo vigor. Era uma cidade de de água, mármore e luz, propícia ao pensamento e à serenidade....
Alain de Botton, A Arte de Viajar, Ed. D. Quixote,2010
Foto: C.
21 maio 2011
A fazedora de ilusões
06 abril 2011
A essencialidade da escrita
...O comboio arrancou. Logo a seguir começaram a desfilar pelas janelas o relógio, o chefe da estação, o vulto de um velhote sacudindo uma lanterna, as sentinas HOMENS, SENHORAS; e, pronto, a luz recortou-se nas vidraças, correu por terrenos baldios.
30 março 2011
Samanta Schweblin
Tego fez uns ovos mexidos mas quando finalmente se sentou à mesa e olhou para o prato, descobriu que era incapaz de os comer.
25 fevereiro 2011
15 novembro 2010
A vida sonhada
O homem que cavalga longamente por terrenos bravios sente o desejo de uma cidade. Finalmente chega a Isidora, cidade onde os prédios têm escadas de caracol incrustadas de búzios marinhos, onde se fabricam artísticos óculos e violinos, onde quando o forasteiro está indeciso entre duas mulheres encontra sempre uma terceira, onde as lutas de galos degeneram em brigas sangrentas entre os apostantes. Era em todas estas coisas que ele pensava quando desejava uma cidade. Assim Isidora é a cidade dos seus sonhos: com uma diferença. A vida sonhada continha-o jovem; a Isidora chega em idade tardia. Na praça há um paredão dos velhos que vêem passar a juventude; ele está sentado em fila com eles. Os desejos são já recordações.
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
Pintura: De Chirico
07 julho 2010
... pelo que me tenho rodeado de silêncios
«Já reparaste que tens o mundo inteiro
dentro da tua cabeça
e esse mundo em brutal compressão dentro da tua cabeça
é o teu mundo
e já reparaste que eu tenho o mundo inteiro
dentro da minha cabeça
e esse mundo em brutal compressão dentro da minha cabeça
é o meu mundo
o qual neste momento não te está a entrar pelos olhos
mas através dos nomes
pois o que tu tens dentro da tua cabeça
e o que eu tenho dentro da minha cabeça
são os nomes do mundo em brutal compressão
como um filtro ou coador
de forma que nem és tu que conheces o mundo
nem sou eu que conheço o mundo
mas os nomes que tu conheces é que conhecem o mundo
e os nomes que eu conheço é que conhecem o mundo
o qual entra em ti e o qual entra em mim
através dos nomes que já tem...»
«a manifestação estética integral terá que ocorrer no domínio do silêncio, porque para aquém ou além dele é tudo em última análise compromisso».
Alberto Pimenta, O Silêncio dos Poetas, 1978. (Livros Cotovia, 2004)
O mundo todo na cabeça (de C.)
26 abril 2010
Uma valsa para dançar
27 março 2010
Para os que gostam de jazz e boa literatura (e para os outros, claro)
...Quando Thelonious se senta ao piano, toda a sala se senta com ele e produz um murmúrio colectivo do tamanho exacto do alívio, porque o percurso tangencial de Thelonious pelo palco tem qualquer coisa de rigorosa cabotagem fenícia com prováveis encalhamentos nas Sirtes, e quando a nave de mel obscuro e capitão barbudo chega ao porto, é recebida pelo cais maçónico do Victória Hall com um suspiro como que de alas apaziguadas, de cais alcançado. Então é o Pannonica ou o Blue Monk, três sombras como espigas rodeiam o urso entretido a investigar as colmeias do teclado, as garras toscas e bondosas vão e vêm por entre abelhas desconcertadas e hexágonos de sustenido, passou apenas um minuto e já estamos na noite fora do tempo, a noite primitiva e delicada de Thelonious Monk.(...)Depois, quando Charles Rouse dá um passo na direcção do microfone e o seu saxo desenha imperiosamente as razões pelas quais ali está, Thelonious deixa cair as mãos, ouve por um instante, pousa ainda um leve acorde com a esquerda, e o urso levanta-se e abana-se, farto de mel ou à procura de um musgo propício para a modorra, sai do tamborete e apoia-se na ponta do piano, marcando o ritmo com um sapato e o barrete (...) dando imperceptivelmente início a um safari de dedos pela borda da caixa do piano enquanto se balança cadenciadamente porque Rouse, o contrabaixista e o percussionista estão enredados no próprio mistério da sua trindade, enquanto Thelonious viaja vertiginoso sem se mover (...) Charles Rouse está a deixar as últimas, veementes, largas e admiráveis pinceladas de roxo e vermelho, sentimos o vazio de Thelonious,(...) a interminável diástole de um só coração imenso onde latem todas as nossas dores, e é exactamente nesse momento que a sua outra mão se apropria do piano, regressa nuvem a nuvem até ao teclado, passeia os dedos indecisos pelo ar, deixa-os cair e estamos salvos, temos Thelonious capitão, há rumo para um bom bocado, e o gesto de Rouse ao recuar, enquanto desprende o saxo do suporte, tem algo de entrega de poderes, de legado que devolve ao Doge as chaves da sereníssima.
Julio Cortázar, A Volta ao Piano de Thelonious Monk
A fantástica descrição de J. Cortázar do Concerto de Telonious Monk no Victória Hall de Genebra (Março de 1966), de que transcrevi um fragmento, é uma peça literária que mostra e sublinha o valor de um dos maiores escritores do século XX. Aqui
09 março 2010
O perigo da história única e dos machos alfa
São as palavras de duas mulheres que partilham, se não outras qualidades, pelo menos uma inteligência sensível, uma fina ironia e uma inegável paixão pela vida. São duas mulheres lindíssimas. Ambas escritoras. E só pelo facto de serem "contadas" é que as suas histórias ficam a dever à realidade.
Adorei esta bonita homenagem. Feita por um homem que, contrariamente ao que afirma, parece ligar, afinal, a estas comemorações. Obrigada, Paulo Mendes.
[Em baixo, à esquerda, podem facilmente accionar as legendas.]
06 março 2010
Yo Leo en el Bar

Amo desparramarme en la mesa de un bar, bien típico de Buenos Aires, y quedarme leyendo horas junto a un café con leche. Esto sólo se puede hacer en algunos bares, los de mesa de fórmica, mozos de más de 40, dueño generalmente gallego, AM de fondo -a veces muy fuerte-. Allí donde pasan con dos jarras metálicas, en una leche, en otra café, y te lo sirven frente a tus ojos. (Recomiendo la esquina de Azcuenaga y Paraguay, el bar del gallego. Pedir un café con leche con un CAMPERO, si les preguntan… Sí! con huevo, completo)
Algunos de los libros que se podrán leer son: El Aleph, Atlas, El libro de arena, El libro de los seres imaginarios, Fervor de Buenos Aires, Los mejores cuentos policiales y las Obras Completas I, II, III y IV, donados por la editorial Planeta.
Los 15 bares son:
TORTONI, Av. De Mayo 825, 4342-4328
EL GATO NEGRO, Av. Corrientes 1669, 4371-6942
EL PROGRESO, Av. Montes de Oca 1700, 4301-0671
MAR AZUL, Tucumán 1700, 4374-0307
CONFITERIA SAINT MORITZ, Esmeralda 894, 4311-7311
MARGOT, Boedo 857, 4957-0001
36 BILLARES, Av. De Mayo 1048, 4381-5696
BAR HOTEL CASTELAR, Av. de Mayo, 1152, 4383-5001/9
BARoBAR, Tres Sargentos 415, 4311-6856
LA GIRALDA, Av. Corrientes 1453, 4371-3846
LOS LAURELES, Av. Iriarte 2290, 4303-3393
LA POESÍA Chile 502, 4300-7340
IBERIA Av. de Mayo 1196, 4381 6300
EL FEDERAL, Carlos Calvo 395 / 99, 4300 4313
EL QUERANDI, Perú 302, 4345-1770
16 fevereiro 2010
Entrudo lusitano
Victor Aguiar e Silva na Angelus Novus, em entrevista sobre Jorge de Sena e Camões, Janeiro de 2010
Desenho de C. - "Desolação"
04 novembro 2009
caminhando sozinha pela berma da estrada

Ilusão ( Ou o Que Quiserem), o romance de Luisa Costa Gomes, é a esplêndida narrativa de uma viagem de busca de projectos e de procura de sentido para a vida; de uma separação e de uma paixão. Afinal, um relato do quotidiano. Uma leitura necessária.
08 outubro 2009
Nobel
A escritora alemã, de origem romena Herta Müller recebeu o prémio Nobel da Literatura 2009.
Herta Müller nasceu em 1953 e, segundo a Academia Sueca tem uma escrita onde se "retrata o universo dos desapossados".
Müller está publicada em Portugal com “O homem é um grande faisão sobre a terra”, editado pela Cotovia, e “A terra das ameixas verdes”, publicado pela Difel.
Nascida na Roménia, aldeia de Nitzkydorf, que hoje já se declarou em festa, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu.
Vive na Alemanha desde 1987.
Pessoalmente teria preferido Roth ou Auster, mas isso sou eu que não estou na Academia Sueca. Agora, há que ler e conhecer Herta Müller.
31 agosto 2009
Uma insuportável aridez no conforto
Passar mais tempo na companhia dos residentes de Starfish Beach era outra possibilidade insuportável. Ao contrário dele, muitos conseguiam não só construir conversas inteiras que giravam à volta dos netos mas também encontrar na existência dos netos razões para eles próprios existirem. Apanhado na companhia deles, experimentava por vezes a solidão naquela que era talvez a sua forma mais pura. E mesmo com aqueles residentes que eram pessoas ponderadas e de conversa agradável, só era interessante estar de vez em quando. Na sua maioria, os residentes idosos tinham casamentos que duravam há décadas e continuavam de tal maneira ligados ao que restava da sua felicidade conjugal que raramente conseguia convencer um marido a ir com ele almoçar fora sem levar a mulher. Embora por vezes olhasse com nostalgia para aqueles casais quando descia a noite ou nas tardes de domingo, havia a considerar as restantes horas da semana, e aquilo não era vida que desejasse para si quando estava no auge da melancolia. A conclusão a tirar era de que nunca devia ter ido viver para uma comunidade como aquela. Tinha-se desenraizado precisamente na altura em que aquilo que a idade mais exigia dele era que estivesse enraizado como tinha estado durante todos os anos em que dirigiu o departamento criativo da agência. Sempre tinha sido revigorado pela estabilidade, não pela estase. E aquilo era estagnação. O que tinha agora era a ausência de todas as formas de consolação, uma total aridez a que chamavam conforto, e nenhuma hipótese de voltar ao que era antes. Tinha-se apoderado dele uma sensação de "alteridade", uma palavra que no seu léxico pessoal descrevia um estado que lhe era quase estranho até que a sua aluna de pintura Millicent Kramer a tinha usado em tom lancinante para lamentar o estado a que tinha chegado.Já nada lhe despertava a curiosidade ou satisfazia as necessidades, nem a pintura, nem os vizinhos, nada a não ser as mulheres jovens que de manhã se cruzavam com ele no passeio marítimo, a fazer jogging. Meu Deus, pensava, o homem que eu era! A vida que me rodeava! A força que eu tinha! Não sentia nenhuma "alteridade"! Em tempos que já lá vão fui um ser humano completo.












