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22 abril 2010

Os videirinhos e o reino do faz-de-conta

Houve um tempo em que se militava neste ou naquele Partido porque se queria lutar por isto ou aquilo. Geralmente motivações importantes, tipo mudar o mundo e assim. Chegava-se por convite de quem estava, às vezes por iniciativa própria e, depois de um rigoroso escrutínio dos quadros, tarimbava-se...
 Formado num outro tempo onde, noutros lados, até se recomendava internamente que só fossem aceites os melhores filhos e filhas do povo, os de comportamento, digamos, exemplar, acertado e imaculado, no emprego, na rua,  na escola, no bairro e na família. Era assim, nos finais do século XX, antes da modernidade por assim dizer.
Intriga-me e ainda não tenho cabal esclarecimento sobre  o que leva alguém  a ser hoje convidado para aderir a um Partido. Que critérios, que exigência, que competência, que desafios ...
O País interroga-se tanto sobre  a qualidade (intelectual e política) dos deputados, que é interessante ter como elemento informativo  que, ao mais alto nível de decisão, o critério de escolha dos representantes que agora impera é o grau de conhecimento que, quinhentos cidaddãos, deles possam ter.
Delirante.
Ver AQUI e, sobretudo, AQUI

21 abril 2010

Legalidade, vidinhas e Ética. Decididamente, o meu mundo não é deste reino.

O presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama, enviou um ofício para o Conselho de Administração (CA) em que acolhe os argumentos do parecer realizado pelo auditor jurídico do Parlamento - um documento que defende o pagamento de uma viagem semanal à deputada Inês de Medeiros, para esta se deslocar à sua residência em Paris.
O parecer aponta dois argumentos na defesa da tese de que a deputada – eleita pelas listas do PS em Lisboa, mas residente na capital francesa - tem direito ao pagamento da viagem a casa, todas as semanas. Por um lado, o princípio da igualdade entre todos os deputados. Por outro, o princípio constitucional de que os parlamentares devem dispor dos meios para cumprir as suas funções.
Nesse sentido, o documento sustenta que Inês de Medeiros tem direito a uma viagem semanal de avião para Paris; às ajudas de custo correspondentes aos 25 quilómetros da deslocação entre o aeroporto e a sua residência; e a ajudas de custo equiparadas a um deputado não residente em Lisboa. Um parlamentar eleito por Lisboa e que viva na capital ou nos concelhos limítrofes recebe 23 euros por cada dia de presença nos trabalhos parlamentares. Os restantes recebem 69 euros por dia.
O relatório sublinha, no entanto, que sendo a situação de Inês Medeiros omissa (eleita por um círculo nacional, mas residente no estrangeiro) no regimento da Assembleia, o parecer vale apenas para este caso. O mesmo é dizer que a partir desta decisão não fica criada uma regra no Parlamento – se o mesmo cenário se voltar a colocar, terá de ser novamente analisado.
O parecer foi enviado a Jaime Gama, que o reenviou ao Conselho de Administração, acompanhado de um ofício sobre os ‘princípios orientadores’ para esta decisão, em que acolhe a argumentação expressa pelo auditor jurídico. O presidente do Parlamento pede ainda ao CA que tome uma posição (que não será vinculativa), após o que Gama emitirá um despacho final, fechando assim uma controvérsia que se arrasta desde o início da legislatura.
(AQUI)

...e, já agora, porque raio têm alguns cidadãos de receber dinheiro (extra, além do vencimento) para estarem presentes no local onde se comprometeram estar? 

27 fevereiro 2010

Canalhices, canalhas, PDMs e lucro



Eu vou reconstruir isto, diz o outro.

Agora deixem-no, com os amigos construtores, sem vigilância, a reconstruir "isto".

10 novembro 2009

Rosas de Portugal


D. Isabel, a mulher de D. Dinis, ocupava todo o tempo que tinha a fazer bem a quantos a rodeavam, visitando e tratando doentes e distribuindo esmolas pelos pobres.
Conta a lenda que o rei, que tinha muito mau génio apesar de ser também bondoso, se irritou por ver a rainha sempre misturada com mendigos, e proibiu-a de dar mais esmolas.
Certo dia, viu-a sair do palácio às escondidas, foi atrás dela e perguntou-lhe o que levava escondido por baixo do manto. Era pão para distribuir pelos pobres. Mas ela, aflita por ter desobedecido ao rei, disse:
- São rosas, Senhor!
- Rosas? Rosas em Janeiro? - duvidou ele - Deixai-me ver!
De olhos baixos, a rainha Santa Isabel abriu o regaço e o pão tinha-se transformado em rosas, tão lindas como jamais se viu.



(Do antigo livro de leitura da terceira classe, onde se ensinava às crianças as raízes de Portugal)

30 outubro 2009

estórias de Portugal



- A Polícia Judiciária desencadeou em 27 de Outubro a operação Face Oculta, em ligação com corrupção, tráfico de influências e branqueamento de capitais. Realizaram buscas a escritórios e instalações de empresas em Aveiro, Ovar, Lisboa, Oeiras, Sines, Santa Maria da Feira, Alcochete, Faro, Ponte de Sôr e Viseu. Manuel Godinho, dono de empresas fornecedoras da REFER e das siderurgias espanholas, foi preso. Os outros doze arguidos continuam em liberdade.
Armando Vara é um deles, foi apanhado em escutas telefónicas com o empresário Manuel Godinho. Na conversa com Godinho – preso ontem pela PJ de Aveiro – Vara pede pelo menos dez mil euros "pelas diligências por si encetadas".
(dos Jornais)


- Entretanto, em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) precisou que a "investigação em curso tem como objecto a actividade de um grupo empresarial, da zona de Aveiro, que, através de um esquema organizado, terá sido beneficiado na adjudicação de concursos e consultas públicas, na área de recolha e gestão de resíduos industriais".
(Público 28/10/2009)

- A 10 de Fevereiro de 2009, Manuel Godinho e o advogado Paulo Penedos (filho de José Penedos, ex- Secretário de Estado e administrador da REN) falam ao telefone. Nessa altura, como consta dos mandados de busca ontem apresentados aos arguidos, Godinho oferece 270 mil euros a Penedos caso consiga 'concretizar a renovação do contrato de gestão global de resíduos'. Há ainda outro telefonema, cinco dias antes, em que Paulo Penedos já pedira 25 mil euros a Godinho.
(Correio da Manhã 29/10/2009)

-Presidente da REN também é arguido
(SOL 30 de Outubro)

-Testemunhos recolhidos pelo Ministério Público no caso dos submarinos indiciam que o ex-ministro da Defesa, Paulo Portas, não terá acautelado devidamente os interesses do Estado na negociação com o consórcio alemão German Submarine Consortium (GSC).
(SOL 30 de Outubro)

- O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco Van Zeller, considera que deve haver muita contenção no que toca aos aumentos salariais em 2010, uma vez que há muitas empresas que dependem de baixos salários... Francisco Van Zeller explicou que existem muitos milhares de empresas que dependem de salários baixos, aquelas que exportam, acrescentando que cerca de um quarto das exportações depende de salários baixos, e uma alteração ao modelo salarial a estas empresas leva tempo. (notícias.potugalmail 20/10/2009)


Trinta e cinco por cento dos portugueses que vivem numa situação de pobreza tem um emprego, segundo o estudo "Um Olhar Sobre a Pobreza - Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal Contemporâneo", entregue pelo Presidente do Conselho Económico e Social ao Presidente da República em 2008.
É uma situação única na União Europeia, esta de se trabalhar e viver na miséria e diz bem do presente e futuro deste País. Entretanto os ministros transitam de e para as Empresas Públicas, que hoje se sabe serem o centro nevrálgico da corrupção e não do impulso económico. Este está reservado para a "classe empresarial" desde que haja garantia de baixos salários, subsídios da Europa e favores do Estado.

28 setembro 2009

Esta gente não aprende



O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) afirmou, esta segunda-feira, que gostava que o actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, continuasse no cargo, no novo governo socialista saído das eleições de ontem. Ao mesmo tempo, Francisco Van Zeller deixou avisos ao PS quanto a acordos à esquerda.


...................

Os que constantemente exigem mundos e (sobretudo) fundos para desenvolver a economia - ao mesmo tempo que estão no centro do descalabro da economia, com as apostas na especulação e nos off shores, cá estão, de novo, a dar conselhos. "Oportunos" e incansáveis.

Pintura Paula Rego

16 fevereiro 2009

Portugal de Sucesso


Dívidas forçam Manuel Fino a entregar 10% da Cimpor à CGD

"O empresário Manuel Fino, principal accionista da construtora Soares da Costa, está prestes a entregar cerca de metade da participação de 20,3% que tem na Cimpor à Caixa Geral de Depósitos (CGD), como forma de liquidar parte do empréstimo de várias centenas de milhões de euros que contraiu junto do banco público.
Ao que o Negócios apurou, o investidor vai saldar parte da dívida contraída para comprar acções através da entrega de cerca de 10% da cimenteira à CGD.
No entanto, o acordo de reestruturação do financiamento dá a Fino o direito de, a qualquer momento nos próximos três anos, recomprar aquela participação.
Durante este período, o banco não pode vender as acções. O entendimento entre a Investifino, "holding" pessoal de Manuel Fino, e a Caixa ficou fechado na semana passada e deverá ser formalizado através de um contrato de dação em pagamento, a celebrar nos próximos dias.
O acordo pressupõe que os 10% da Cimpor sejam avaliados, para efeitos desta cedência de titularidade, acima do actual valor de mercado que ronda os 250 milhões de euros, soube o Negócios. "

...... Ou seja, o "investidor" passa todo o risco de mercado das suas acções para a CGD. Se a Cimpor cair mais de 90% nos próximos 3 anos, a CGD assume a perda sem poder mexer nas acções. Daqui a 3 anos a CGD dá ao "investidor" novo crédito e ele recompra as acções.
A cumplicidade entre as Administrações das Instituições públicas (CGD) e os (chamados) investidores, a corrupção o compadrio e o tráfico de influências aceleram a queda a pique da economia(zinha) que temos....
( Filipe, obrg.)