15 dezembro 2012
23 agosto 2012
Excerto 2
Dubravka Ugresic, O Museu da Rendição Incondicional, Ed. Cavalo de Ferro, 2011
Foto: Nathalie Mohadjer, Weimar Paradies
19 agosto 2012
O Barco - A Aldeia
Tomas Tranströmer, 50 Poemas, Relógio D'Água, 2012
(Tradução Alexandre Pastor)
Foto: C.
05 agosto 2012
13 fevereiro 2011
Oui Non
Gérard Castello-Lopes

“Oui Non” é o título da exposição de fotografias de Gérard Castello-Lopes, patente no CCB até 25 de Abril.
23 agosto 2010
Hoje, por aqui, é mais isto...
16 agosto 2010
Pauta musical em tons de azul
13 agosto 2010
Hoje
Sophia de Mello Breyner Andresen
14 julho 2010
Notícias do reino onde as plantas são animais e os animais são flores
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
(chegou há pouco do fundo do mar e trouxe notícias daquele mundo. Vamos ver na SIC, domingo, dia 18, após o Jornal da Noite: Missão Selvagens)
23 dezembro 2009
...porque a única verdade é que vivemos
--------*Eu ainda choro com esta sensação de vida. Ainda não desisti de ser apaixonado. Já sinto passar o tempo, mas ainda não quero chegar à idade da sabedoria. »
Luís Miguel Cintra
Foto de Stefano Corso
* John Firmin - Harlem Nocturne
24 outubro 2009
Uma nesga de luz
Foto:Paulo
A nave central do Museu de Arte Moderna de S. Francisco (SFMOMA) permite observar um fantástico jogo de luz e sombras aproveitando uma clarabóia cuja configuração, curiosamente, faz lembrar a cobertura da Bibliteca de Alexandria.
É um projecto dos anos 80 do século XX, do aquitecto italiano Mario Botta e é considerada uma das obras "pós modernas" mais marcantes da Costa Oeste dos EUA.
23 setembro 2009
Entre nós e as palavras há metal fundente
Não, não me devias ter mentido acerca do mundo – (e eu, que só queria acreditar em tudo o que dizias.)
Devias ter-me ensinado a inclinação perfeita do gume, ter-me treinado no golpe contido e certeiro nas asas das vespas (os brinquedos eram de madeira, seriam perfeitos).
Devias ter insistido comigo no ajuste das receitas: metade mel, metade cicuta. Aprenderia a arder um fósforo na falange, sem gemidos, sem vacilação das pálpebras, sem paixão.
Em vez da lógica de todas as demências, em vez da geografia dos êxitos, em vez da fuga aprazada, ensinaste-me a dormir sobre a consolção da alma, esse interstício insaciavelmente obscuro.
Devias ter-me dito a verdade acerca do choro dos homens e do riso das bestas. Sempre achei incrível como os cães podiam sorrir às ameaças dos donos. Nunca acreditaste que isso era possível. E ensinaste-me que nunca se jura sobre o que não se sabe. Mas juravas pelos anjos e arcanjos das pagelas e santinhos que havia uma bondade natural no coração dos homens.
Não, não me devias ter mentido sobre o mundo. Eu teria aprendido a desconfiar da minha própria condição de humano e não seria incauto viajante ou obstinado pescador de estrelas. Devias ter-me dito a verdade: que ninguém escapa, ninguém escapa à sedução da posse da palavra soberana. Que ninguém avisa da vilania e que ninguém... ninguém tem o coração puro.
Devias ter-me dito: a alma é um intestino que se enche - nuns dias frango gourmet noutros paté e vinho maduro; e o mais é trabalho de fotógrafo em dias de feira. Devias ter-me dito, eu ia perceber tudo. Eu tinha os olhos sempre acesos noite dentro, como se ela trouxesse a verdade insofismável da brancura.
O que me devias ter ensinado – hoje sei – é do silêncio dos livros e do labor das rosas.
E eu apenas venho aprendendo a morrer esse amor.
01 setembro 2009
Perfumes de poesia
05 agosto 2009
Fariseias

Gostam de ser cumprimentadas
nas praças
e de ter o primeiro lugar
à mesa dos banquetes
são calculistas
formigas carreiristas
cheias de sucesso
e tudo usam e tudo gastam
indistintamente
porque são altas as suas entropias
e depois não sabem dar
os bons-dias às mulheres-a-dias
Adília Lopes, in Caras Baratas, Relógio D'Água, 2004
Foto: Julia Fullerton-Batten
03 agosto 2009
Ver, Olhar e Sentir com Evgen Bavcar

É um artista de fotografia e é cego. Chama-se Evgen Bavcar .
Nasceu em 1946 na Eslovénia e deixou de ver aos 12 anos, depois de dois acidentes sucessivos.
Bavcar estudou História e Filosofia na Universidade de Ljubljana e Filosofia na Sorbonne.
Em Paris, iniciou uma carreira académica e intensificou a sua actividade fotográfica. Em 1988 foi nomeado Fotógrafo Oficial do Mês da Cidade Luz e a partir daí o seu trabalho tem tido grande divulgação, sobretudo na Europa.
O trabalho de Bavcar relaciona a visão, a cegueira e a invisibilidade: O meu objectivo é juntar o visível e o invisível, fotografar permite-me subverter a estabelecida divisão entre os que vêem e os que não vêem.
07 julho 2009
Dizer as sombras
Faz-me o favor...
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor - muito melhor!
-Do que tu.
Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny, O Virgem Negra, Assírio & Alvim, 1996
* Melody Gardot, Our Love is Easy
Foto de C. ("Parede com Sombras")











