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02 outubro 2010

Uma árvore que canta


Um dia, o avô plantou uma árvore. 
Os dias correram, como correm os dias. 
Nasceram os filhos, cresceram, o avô foi ficando.
A árvore, grande, esbelta e o avô sentado à sombra, a pensar na vida.
Quando, na hora grada, por Setembro, os pássaros voltam aos ramos, é uma árvore que canta.
E o tempo foi passando, como passa o tempo.
Depois, um dia, muitos anos depois,veio um vento grande e a árvore tombou.
Na paisagem desolada, os troncos deitados descansam.
Dos troncos se fez o lume que nos aquece em noites de invernia.
Sentados à volta do lume, falamos do avô e dos dias que passava debaixo daquela árvore.
De um dos ramos maiores se fez uma caixa.
Polimos, pintámos envernizámos.
No tampo escrevemos o nome da neta.
Hei-de contar-lhe a história dessa árvore, da árvore que canta.

(Pintura de Lúcia Maia)


03 agosto 2010

O Tesouro de Portugal


Parece que estamos em décimo quarto lugar nas reservas mundiais de ouro-382,5 toneladas pesa a nossa riqueza.
No século dezanove, os lingotes chegavam em barris e, em 95,. havia uma ponte levadiça para entrar na caixa forte.
Temos mais ouro que o Reino Unido e a Arábia Saudita. A nossa é a maior reserva da Europa, tendo em conta o PIB.
O nosso tesouro representa 6,8% do PIB nacional e encontra-se guardado em Portugal, no Carregado, em Londres e na Reserva Federal Americana.

Para que nos serve tanto ouro? Então somos mais ricos do que nos dizem e, ainda por cima, está em alta.
Sabem o que me apetecia fazer?
Ir a esses três lugares, pedir para entrar e dizer:" Quero ver o meu ouro". (também me pertence, não é?)...olhar para ele, contá-lo e depois declarar:pode guardá-lo de novo.
relogio.de.corda já tratou o assunto(AQUI ) e o nosso amigo César Ramos, no seu blogue, tem um curioso trabalho sobre a serventia do nosso tesouro guardado. Aconselho a leitura.
Que mistério, somos ricos e tão pobres.
Alguém me sabe explicar? Ou nem tudo o que luz é euro?

17 julho 2010

Nova Geração: Peregrinos de Festivais


A nova geração tem necessidade de comunhão, de partilha, de êxtase, como sempre aconteceu.
A nova religião constrói-se, não nas igrejas, como antigamente, mas em torno dos festivais de verão.
E vão em romaria. Mochilas às costas, ténis ou sandálias nos pés, umas gangas esfarrapadas e umas t-shirts sugestivas e eloquentes. Às vezes, os mais devotos chegam às pinturas faciais, lenços na cabeça e gorros internacionais.
Tribalismo? Julgo que não, tribalismo é no futebol, com gritos de guerra e exércitos ferozes.
Nos festivais é partilha, companheirismo, fé, sacrifício, esperança. Ritualismo sazonal e festivo, como recompensa das agruras , como prece: face aos deuses tão inacessíveis, em cima do palco, deuses pagãos e plurais, envoltos em fumo e luzes, eles comungam, imploram, choram, aplaudem.
E voltarão, no ano seguinte, como promessa, como procura do lugar inicial e fantástico.

11 junho 2010

Como avisei na altura devida, chegámos a uma situação insustentável...

























Olhar


Olhar esta pintura de Darocha, de há tanto tempo, 1965, creio, e encontrar já os traços que nele são tão particulares, os brinquedos com que enche a tela, coisas que ninguém ousaria juntar.
Brinquedos que se simbolizam e nos interrogam, vivências pueris e sábias, mascotes, como quem vai à praia buscar conchinhas e as semeia no areal, feliz. Ao fundo, o farol da nossa juventude, a magia da luz no olhar da menina que centra o quadro.
E depois tudo voa, se sobrepõe, se transcende.

Vamos legendá-lo?
Eu sei que ele lê e aprecia muito.
Vá lá, eu começo: 
Um olhar, um farol.

04 junho 2010

Mesmo que não acreditem...



Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.

Natália Correia, in Poesia Completa, Dom Quixote, 1999

Hoje quisemos fazer coro com a  Marta. Porque sim, ora!

01 junho 2010

Este ganhou a guerra?


Com o que se passa na Europa, no nosso pequeno país, na Inglaterra,Irlanda, em França, Espanha, Grécia,Itália,,Países Baixos, com a Alemanha a liderar e a não assumir os pressupostos de uma União, eu, modestamente, gostaria que alguém me dissesse:
ESTE GANHOU A GUERRA?
Era só isso.
Abraço.  

03 maio 2010

"Os livros são objectos transcendentes" *

Foi este o dia - Dia da Liberdade de Imprensa - que o Marcas e outros blogues associados escolheram para  concretizar o desafio de uma blogagem colectiva.  É que o  vídeo revela uma descoberta assombrosa. Em letra de imprensa.


* verso do poema Livros, faixa 2 do Álbum Livro, de Caetano Veloso, 1999.

27 abril 2010

Dispositivo de conhecimento bio-óptico organizado


Não resistimos a roubá-lo ao Bicho-carpinteiro. Está excelente.
Numa altura em que as indústrias criativas (e o mar, é verdade... o mar) são "a saída para a crise".... propomos até que se faça um dia de divulgação, pelos blogues, deste produto extraordinário. O Magalhães "já era".
Desafiamos, pois, bloguistas, seguidores, viajantes, leitores..., a editar este vídeo num post, na mesma data, por esses écrans fora.

O Marcas propõe o dia 3 de Maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, implementado pela UNESCO. 
Através do seu programa "Memória do Mundo", a UNESCO tem promovido a  identificação e preservação de documentos e arquivos de grande valor histórico, assegurando a sua ampla disseminação. Entre eles contam-se, por exemplo, o original da 9ª sinfonia de Beethoven, a Bíblia de Gutenberg ou a Carta de Pêro Vaz de Caminha (o primeiro bem português inscrito no programa). Por isso a sugestão desta data.

Quem vai aceitar o desafio? Passem a palavra.

22 dezembro 2009

Bom Natal


Com este lindíssimo postal enviado por Luís Darocha, um desenho expressivo, cheio de alegria e significado, como é hábito na sua pintura:
Um abraço a todos, o desejo de Paulo, C. e Clara de um Bom Natal, isto é , um bom renascimento.

02 novembro 2009

À Espera De Godinho


Enquanto estamos à espera de Godinho, porque nos faz muita falta, nomeadamente,para animar os telejornais, para incentivar o fabrico de luvas em fábricas à beira da ruptura, para distraír os juízes que têm férias a mais, para animar lixeiras a céu aberto de resíduos tóxicos, para apressar a construção do TGV, já que vai recolhendo carris envelhecidos tão úteis à alta velocidade,para melhorar a recolha de inertes nas praias, a fim de, numa jogada genial, aproveitar o buraco resultante e construir piscinas radioactivas ecológicas, com vista à construção de resorts de luxo para o Vale De Azevedo poder ser importado de Londres, porque temos cá falta de larápios com pinta, enquanto esperamos ansiosamente por Godinho, eu ando a caçar um rato que me entrou pela varanda e se escondeu atrás de um sofá. Já pensei em chamar a Protecção Civil, mas tenho medo que me apareça de Vara em punho e, assim, queira assassinar o pobre ratito, ou atirá-lo pelos Penedos e provocar mais um desastre incontornável.
Enquanto esperamos por Godinho...amigos, continuem este brilhante texto...vá lá, é um desafio, fico à espera.

25 outubro 2009

A Ver Navios



Estava eu a ver navios, em frente ao Tejo. Olhei o céu, muitas nuvens. Umas brilhantes, promissoras, leves. Outras plúmbeas, espessas, pesadas, mesmo assim fantásticas.
Eis o resumo de tudo, da vida, da vida e da morte, do belo, do frio, de tudo, de ti e de mim, de nós.
Se formos ver, analisar, testar, é apenas água,tão somente, e ar, ilusão, sonho, pesadelo, esperança,tristeza,sorriso.
Por muito que se pense, se escreva, se polemize, estamos todos ali, somos essa dualidade,fazemos parte, diluídos nesse imenso desconhecido.

02 outubro 2009

Resistir ou não resistir... às tentações

Em maré de trabalho, numa busca sobre questões ligadas à falta de resiliência, a formas de negociação, superação de conflitos interiores, etc., deparei-me com isto. Um mimo. Não resisti à tentação de partilhar. Eu, pecadora, me confesso.

23 setembro 2009

Histograma pré-eleitoral

valemos quanto? - quanto valemos.
a quanto se vendem quantos? - uns quantos se vendem a quanto.
um vale quanto? - quanto vale um.
quanto vale cada um? - em média, a média.

[Roubado (a)o lado esquerdo da amizade. Ele sabe que não é furto, mas fruto. Da cumplicidade.]

09 setembro 2009

Ganhar vícios!

Olha um prémio!


Estamos muito gratos ao Há vida em Marta, ao Bicho Carpinteiro e ao Catharsis pela atribuição deste selo distintivo (com a devida vénia, cumprimentamos três dos blogues que mais gostamos de visitar e onde lemos/aprendemos imensas coisas interessantes).

Segundo as indicações, após a atribuição temos de assumir três compromissos para o futuro (Paulo, Clara, não percam a vossa vez, ouviram?)
(ai, isto hoje está a dar uma trabalheira!!!) Da minha parte, os meus compromissos são:

- Tentar ser mais disciplinada.
- Cuidar melhor de mim, da minha saúde física (no seguimento do compromisso anterior, não me desculpar com a falta de tempo e dosear o trabalho, estabelecer limites).
- Estar mais atenta aos amigos e à família - que tanto bem me fazem.

Para concluir, devo agora apresentar também uma lista de dez blogues viciantes a quem devo passar o prémio. Dos blogues que visito assiduamente, e pelas mais variadas razões, os que nomeio são:

Vá Andando - pelos belíssimos poemas que já aqui encontrei. Deles me chega uma voz singular, muito musical, de que, seguramente, ainda ouviremos falar.
Há Vida Em Marta - pela variedade de temas/textos e pela energia realmente contagiante.
Bicho Carpinteiro - pela qualidade e originalidade dos temas que partilha. Pela elegância nas intervenções.
Catharsis - pelo tom humanista, delicado e reflexivo com que apresenta as ideias/textos. Também pelas escolhas musicais.
Vida Abstracta - pela genuinidade na procura do sentido das coisas e pela forma natural como as apresenta. Vou continuar atenta.
Da Janela - imperdível o trabalho destes dois fotógrafos. Aconselho vivamente.
A Natureza do Mal - pela acutilância e lucidez dos textos, que são magnificamente ilustrados.
Paços d'Água - uma escrita rente às vozes mais profundas do ser.
A Matriz dos Sonhos – Conheci o blogue através do "Vá Andando". Acho-o de uma imensa beleza gráfica, de muito bom gosto. A acrescentar, visitem a página web da autora.
Menina Idalina - pela mordacidade da escrita e o laborioso trabalho das imagens. O que eu já me ri com aquelas coisas sérias!

Com renovados agradecimentos aos três blogues acima referidos.
(Austeriana, já viajei pelo Abencerragem. Estou fã. Obrigada pela dica)

08 setembro 2009

Cartões Vermelhos

Fomos desafiados, pelo Bicho Carpinteiro, a atribuir cartão vermelho a dez atitudes, pessoas ou factos que nos incomodassem. Ora, como vivem nesta casa vários inquilinos, se calhar temos de fasear a arbitragem. Começo eu? Então, aí vai cartão vermelho para:

1. Toda e qualquer atitude de prepotência ou despotismo. Fico logo com brotoeja.
2. O exercício obscuro e moroso da justiça em Portugal (e no mundo, em geral). Uma mão lava sempre a outra e etc e tal... e não se encontra nunca os verdadeiros responsáveis.
3. As famílias que não cuidam dos seus idosos. Sei de casos em que as pessoas são literalmente abandonadas nos hospitais, após o internamento, por exemplo.
4. As chamadas de call centers para oferecer, questionar sobre, propagandear produtos e serviços. Já me aconteceu ter chamadas dessas de madrugada...
5. Os homens (nunca me apercebi disto nas mulheres... mas eu sou distraída) que escarram para o chão. E aquela tossezinha ruidosa no fim... a arranhar a traqueia. Nhaaque!
6. Os encontrões (reais e simbólicos) infligidos por todo o xico-esperto que "tem de chegar primeiro" a todo o lado. Basta ver a condução nas auto-estradas ou as filas de espera onde não há senhas de prioridade.
7. As pessoas que passam a vida a dizer: “olha que não fui eu quem disse, eu até concordo contigo”, e blá, blá, blá. E ainda fazem menção de nos tocar no ombro a sublinhar a verdade da afirmação. Que arrepio!
8. A nossa proverbial queda lusitana para acreditar num D. Sebastião que nos há-de valer, quer seja ele o pai, a mãe, o estado ou a divina providência.
9. O lixo nas ruas, a céu aberto.
10. A arrogância, acompanhada, não raramente, por um excessivo culto de uma imagem de juventude a qualquer preço.

E, seguindo as regras do jogo, aqui fica o desafio para cinco outros blogues:

Vá andando
Há vida em Marta
Vida Abstracta
Paços d'Água
Da janela

Fim do primeiro jogo amigável da Liga Bloguista!