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28 junho 2010

Tarde de domingo


- Olhem os patos... e o cágado, vá...
(Zé, tás a ouvir bem agora? Conta lá então...)
- Pai, o cágado tá morto?
(Não Zé, o que eu disse foi que os espanhóis tinham de fazer a oferta deles primeiro... É pá , se não, somos comidos pelos gajos do Porto, já sabes como eles são...)
- Pai, os peixes não comem o cágado?
(Não, pá... a nossa proposta foi clara, pomos lá o equipamento quando eles derem a entrada, só nessa altura.)
- Vocês não estão a dar atenção nenhuma aos bichos, caramba, não fiquem aí à sombra, venham ver os patinhos!
(Tou, Zé, desculpa, tenho aqui os miúdos a chatear... dizia eu que temos de garantir a entrada do primeiro pagamento...)
- Pai, o cágado não se mexe?
(Não, não e não. Nenhum material sai daqui antes de chegar a massa e o resto é conversa! Estou farto de ser lorpa....)
- Pai? Pai...
- Isto é um inferno!
(Desculpa um minuto, Zé.)
- Vocês não ligam nenhuma ao que eu digo e isso é uma falta de respeito. O Pai já disse para verem o cágado. Olhem pró cágado, chiça!... e prós patos...

Fotografia: Jardins da Fundação Gulbenkian, Lisboa

19 julho 2009

Romancero Gitano


As bonitas ruínas do Convento do Carmo são, até 23 de Julho, o cenário do espectáculo Romancero Gitano, encenado por António Pires, com Graciano Dias, João Barbosa, Lula Pena, Gabriel Gomes, Ricardo Aibéo e Rita Loureiro no elenco.
Concebido a partir da obra homónima de Federico Garcia Lorca, a que se juntaram poemas e peças de teatro da sua juventude, o espectáculo cruza as sonoridades do fado, do flamenco e do acordeão. A voz grave de Lula Pena realça o lamento que percorre toda a peça.

Começou à hora marcada. E foi um belíssimo espectáculo. Simples, sóbrio e intenso, como muitos dos versos dos poemas.
(Para combater a fria brisa nocturna, valeu-nos o chocolate quente a seguir e o calor do riso dos amigos.)

A foto é do Paulo.

12 julho 2009

Funny the way it is

Porque os amigos nos dão informações que, depois, gostamos de partilhar:

(do álbum Big Whiskey and the GrooGrux King)

Cerca de quinze anos de existência.
Excelentes actuações ao vivo. A última ontem, em Algés, no Optimus Alive 09.
Intensa e leal coorte de fãs.
Quatro discos a entrar directamente para o primeiro lugar do top americano.
Um Grammy e 14 milhões de discos vendidos.

Lying in the park on a beautiful day,
Sunshine in the grass, and the children play.
Siren’s passing, fire engine red,
Someone’s house is burning down on a day like this?

The evening comes and we’re hanging out,
On the front step, and a car rolls by with the windows rolled down,
And that war song is playing, “why can’t we be friends?”
Someone is screaming and crying in the apartment upstairs

Funny the way it is, if you think about it
Somebody’s going hungry and someone else is eating out
Funny the way it is, not right or wrong
Somebody’s heart is broken and it becomes your favorite song

The way your mouth feels in your lovers kiss
Like a pretty bird on a breeze or water to a fish
A bomb blast brings a building crashing to the floor
You can hear the laughter, while the children play “war”

Funny the way it is, if you think about it
one kid walks 10 miles to school, another’s dropping out
Funny the way it is, not right or wrong
On a soldier’s last breath his baby’s being born
Standing on a bridge, watch the water passing under me
It must’ve been much harder when there was no bridge, just water
Now the world is small. Remember how it used to be,
with mountains and oceans and winters and rivers and stars?

Watch the sky, the jet planes, so far out of my reach
Is there someone up there looking down on me?
Boy chase a bird, so close but every time
He’ll never catch her, but he can’t stop trying
(...)

22 junho 2009

21 junho 2009

O III Bibliotecário

240 anos antes de Cristo existia a Grande Biblioteca de Alexandria.
Nesses anos o Bibliotecário, seu responsável máximo, chamava-se Erastótenes.
Nos meios académicos do tempo, Erastótenes era chamado em tom depreciativo Beta, porque, diziam, era sempre o segundo melhor em tudo.
Um dia, ao ler um papiro, Erastótenes soube que em Syene (actual Assuão), a cerca de 800 km a sul de Alexandria,às 12 horas do vigésimo primeiro dia de Junho - Solstício de Verão- uma vara ou uma coluna de pedra em posição vertical não projectava sombra.
Comparou esta informação com a existência, no mesmo dia e hora, de sombra nas colunas da sua cidade, a Norte.
Dispondo apenas de varas, observação e inteligência, fez o necessário para descobrir que a Terra era redonda.
(Na Europa medieval, 1000 anos depois, defender que a Terra não era plana podia equivaler à pena de morte).
Deu-nos mais Erastótenes. Ao contrário do que diziam as vozes académicas do tempo, ele podia, afinal, ser primeiro: calculara, ainda, 240 anos antes de Cristo, o raio da Terra com uma precisão quase absoluta.
Hoje, no Solstício de Verão, 2500 anos depois, é bom recordar Erastótenes.

Carl Sagan também gostava de Erastótenes: