09 agosto 2012
Férias, tempo de viagens
....Baudelaire venerava os devaneios de viagem como um emblema de nobreza dos espíritos inquietos, que descrevia como "poetas" jamais satisfeitos com os horizontes familiares por mais que pudessem apreciar os limites de outras terras, e cujo humor oscilava entre a esperança e o desespero...
...Por vezes [Baudelaire] sonhava ir a Lisboa. Aí faria mais calor e ele, estendido ao sol como um lagarto, ganharia novo vigor. Era uma cidade de de água, mármore e luz, propícia ao pensamento e à serenidade....
Alain de Botton, A Arte de Viajar, Ed. D. Quixote,2010
Foto: C.
31 dezembro 2009
01 outubro 2009
Postais de Viagem
* Scott McKenzie, If You Go to S. Francisco (1967)
07 setembro 2009
Viajando pelas mulheres
....Por isso, ao longo da região (Beira Litoral), as mulheres impõem saborosas diferenças. Não evidenciam um tipo tão definido como as de outras terras mas, apesar de viverem numa região tão desfigurada, entregue à pior construção civil e à confusão urbanística, percebem-se sensuais por todo o lado e a corrupção do ambiente parece fortalecer-lhes a arte. Guardo as melhores recordações das mulheres da Bairrada em cima das suas bicicletas pela Anadia, Cantanhede, Mogofores, OLiveira do Bairro, Mamarrosa. Relembro os fornos de cal e as fábricas de cerâmica à beira dessas estradas percorridas por mulheres pedalando lenta e sensualmente, cruzando-se, na Primavera, com os peregrinos pedestres que demandavam Fátima. E em Vagos e na Pateira de Fermentelos, mulheres tão fortes como o húmus que exala da terra úbere que pisam, dirigindo carros de bois carregados de moliço e estrume para as vessadas. E outras a mungir as vacas com os rostos afogueados. E lembro-me de ver as mulheres cansadas da xávega da Tocha e em Vagos, depois de escolherem o peixe, sentadas,na praia à tardinha, enquanto as nebelinas cada vez mais espessas iam envolvendo os bois e as pessoas, juntando o mar e os verdes prados. E as raparigas na Festa das Colheitas, em Arouca, a comparar os tamanhos dos nabos e das batatas e dos calondros? E as da Murtosa, de perna maciça e curtida pelo sol e pela salmoura? Para aumentar as diferenças, juntar-lhes-ia tricanas e lavadeiras de Ovar e de Coimbra e as jovens senhoras coimbrãs a olhar para as ruas por detrás das sedutoras janelas das suas vivendas. Todas estas mulheres são herdeiras dos mais refinados segredos das mais refinadas goluseimas conventuais e habilidosas no desfiar dos dulcíssimos ovos moles. Desde as castanhas doces de Arouca aos pastéis de Tentúgal. Reconheço, no entanto, a dificuldade em definir a mulher beirã do Atlântico. Com manifesta coragem, resolvi perguntar a algumas delas como se achavam a si próprias. A resposta vem de Leiria - da Laura, da Paula e da Isabel, e resulta da demorada reflexão com investigação sob competência psicológica e tudo. Como são as mulheres da Beira Litoral? Reproduzo ipsis verbis a sua resposta: "Muito sensuais. Bastante comunicativas, metediças na vida alheia. Faladoras: chegam a ser agressivas na fala. São espalha-brasas e abertas. Gostam de ostentar a riqueza dos atributos físicos e dos materiais. São muito invejosas das vizinhas. São declaradamente matriarcais. Mas paradoxalmente, e segundo pensamos, são submissas, com medo de arranjar um amante e têm medo que o homem lhes bata se gastam muito dinheiro. São limpas e asseadas elas, principalmente nas suas casas. Descuidam muito os filhos embora lhes comprem coisas muito caras, mas para se afirmarem pessoalmente. De resto são supersticiosas, tradicionalistas e religiosas. Lembramos Fátima, a Santa da Ladeira, etc. Quer dizer, são visionárias".Só lamento que as estradas sejam tão velozes nesta província. Sugerem-se uns dias parados na Curia ou no Luso e ver o deslizar das lentas bicicletas ao entardecer. Regressam a casa deixando um rasto de luxuriosa santidade. Cresce então a lua insubmissa sobre os viçosos vales do litoral."
Manuel Hermínio Monteiro, Revista K,nº19, Abril 1992
Fotografia Rodrigo Budag
Um belíssmo texto carregado de luz, cheiros e poesia, numa viagem com um intenso e original roteiro.
20 julho 2009
20 de Julho de 1969

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Niels Armstrong pôs os pés na Lua
António Gedeão, Novos Poemas Póstumos, Ed. Sá da Costa, 1990.
20 abril 2009
19 março 2009
Vasa

Era uma vez um rei. Chamava-se Gustavo Adolfo (1594-1632) e reinava num pequeno e pobre país do Norte da Europa. A Suécia, era o País, e, durante o século XVII, sob sua influência, passou de "pequeno país "a grande potência regional no Báltico.
A Guerra dos 30 anos (1618-1648) começou por ser um conflito religioso (localizado à Alemanha) entre a Igreja Católica e o movimento da Reforma. Entretanto surgem conflitos "laterais", um dos quais a guerra entre a Polónia e a Suécia (1626-1629) e é no decurso desta que se dá um episódio com expressão na actualidade.
O rei Gustavo Adolfo encarrega o seu maior estaleiro de construir o melhor barco de guerra alguma vez ali feito: longo, estreito e rápido como nenhum. Capaz de transportar 300 soldados. Por imposição do rei, a meio da construção, houve indicação para duplicar o poder de fogo, passando a 64 canhões. No dia 12 de Agosto de 1628 a população de Estocolmo e os embaixadores estrangeiros assistiam, nas praias, à viagem inaugural do Vasa.
21 fevereiro 2009
AVEIRO



